A Diocese do Funchal, tal como a própria Igreja, é “presença concreta de Deus” no mundo. Isso mesmo disse D. Nuno Brás esta sexta-feira, dia 12 de junho, na Eucaristia a que presidiu na Sé e com a qual se assinalaram os 506 anos da criação desta diocese que, recordou o prelado, “foi a primeira diocese atlântica na expansão portuguesa”, tendo dela nascido outras 360.
Depois de lembrar que essa presença é constituída por todos nós, pecadores, o prelado frisou que devemos “pedir perdão pelos pecados que mancham o rosto da Igreja”, de modo a não deixar que “essas fragilidades façam escurecer, desaparecer, esta presença de Deus que ama, que continua a amar o seu povo, a humanidade”.
De resto, frisou, a boa nova de que nos falava o Evangelho que se acabara de escutar era precisamente essa: “Deus está próximo e ama-nos, mesmo com todo o pecado, mesmo com todas as dificuldades”. Uma presença que “o próprio Deus quer que seja presença em todo o tempo e em todo o lugar”. Essa é, acrescentou, a missão da Igreja: ser “presença salvadora de Deus em todos os tempos e em todos os lugares”. Uma missão que “permanece há dois mil anos, não por artimanhas, por sabedoria humana, mas permanece porque é presença de Deus”.
Nesta Eucaristia, concelebrada pelo bispo emérito D. António Carrilho, e por vários outros sacerdotes, o bispo diocesano pediu à assembleia para “dar graças ao Senhor, verdadeiramente, por todas as maravilhas que significa sermos a sua Igreja santa” e também porque “apesar de todas as nossas limitações e pecados, Ele continua a se manifestar, a querer estar presente, assim, através destes instrumentos frágeis e humanos”.
“E pedimos-lhe que nunca nos abandone nesta nossa tarefa de O tornarmos presente, visível, de anunciarmos o seu amor e a sua proximidade de todos. E ainda a graça de permanecermos Nele, de vivermos como cristãos, mas sempre unidos a Ele, porque sem Ele nada podemos”, concluiu.
Terminada a celebração, e como já vem sendo hábito, D. Nuno Brás seguiu para a Zona Velha do Funchal onde depositou um ramo de flores no monumento dos 506 anos da Diocese do Funchal.
Na oportunidade o prelado voltou a sublinhar a necessidade de “sermos presença de Deus na ilha” e de “sermos também fronteira, olhando sempre para outros horizontes, sem acharmos que estamos fechados e confinados, mas no sentido de querer ir sempre mais longe, seja geograficamente seja no coração de todos”.
A escritora Graça Alves também usou da palavra para ler um texto da sua autoria, em que refere que “quando em 1514, Leão X elevou o Funchal a Diocese, o povo já sabia que a fé era o melhor meio de gerir o medo: o da peste, o dos corsários, o da força da terra, o do poder do mar. Fazemos, hoje, a memória destes 506 anos de vida. Tinha sido aqui a porta do mar e do futuro de um Portugal que levava a cruz no peito e, na bandeira, a coragem”.
A Igreja madeirense, escreveu ainda, “foi-se construindo assim: ilha e mundo, na ilha e no mundo, invocando São Tiago Menor, quando a doença vem e nos dói na vida, pedindo a ajuda à Senhora do Monte, sempre que o medo chega e nos rouba o chão. Foi assim este ano. Difícil, este ano!”
“Evocamos, hoje, a História do que somos: um povo que vive entre paredes de basalto e o horizonte, que é o lugar onde começa o resto do mundo. Mas, hoje, também, inauguramos o tempo que há de vir. Com Cristo ao leme da nossa barca, vamo-nos fazer ao mar, outra vez”, escreveu ainda Graça Alves, a propósito deste dia em que se assinalaram os 506 da Diocese do Funchal.





















