Funeral do Pe. Tavares: D. Nuno diz que sacerdote foi “presença de Deus junto dos pobres”

Foto: Duarte Gomes

A Diocese do Funchal despediu-se na manhã desta segunda-feira, dia 8 de junho, do padre Mário Tavares, que faleceu no passado sábado, com 85 anos.

A missa exequial, de corpo presente, que teve lugar na igreja paroquial do Estreito de Câmara de Lobos, foi presidida por D. Nuno Brás e concelebrada por D. Teodoro de Faria e por vários outros sacerdotes. E, apesar das restrições atualmente em vigor, contou ainda com a presença de representantes das principais entidades locais, de partidos políticos, de familiares, amigos e conhecidos do sacerdote, que fizeram questão de se despedir dele.

Na ocasião, o bispo do Funchal lembrou que “não são as riquezas deste mundo a ter a última palavra” e que “Deus é Aquele que dá ao pobre a possibilidade de viver com dignidade, de viver olhando para o longe, de viver percebendo a vida”.

É por isso, frisou D. Nuno, que “o pobre é bem-aventurado” e “não precisa andar de cabeça baixa e nem cheio de vergonha”, porque tem no seu horizonte Deus. “Deus que lhe dá força, Deus que o ajuda a lutar, Deus que lhe diz que sim, que é possível viver de cabeça erguida, porque não são os homens, não são os poderes deste mundo, não são as riquezas deste mundo, a terem a última palavra”, acrescentou.

De resto, insistiu, é por isso “que o pobre é bem-aventurado, porque o pobre percebeu a presença de Deus, e percebeu que viver com Deus vale mais do que tudo o resto”. Esta bem-aventurança, frisou, “resume tudo o resto, todas as outras bem-aventuranças e resume mesmo toda a vida cristã”. É por isso que, “diante de tudo aquilo que os homens inventam, de todas as injustiças que os homens criam Deus é aquele que nos torna justos, o único que nos pode tornar justos”.

Assim se explica, a importância da presença de Deus e porque é que nós não podemos passar sem essa presença na nossa vida. “Porque Ele nos ajuda a ser mais, porque Ele nos ajuda a viver melhor, porque ele nos ajuda, a nós pobres, a olhar mais longe e a perceber que as dificuldades que agora sofremos e passamos, não são a última palavra”.

Demos graças a Deus pelo Pe. Mário Tavares

Por aquilo que tem escutado, disse D. Nuno Brás, “foi esta missão que o Pe. Tavares tomou para si: ser esta presença de Deus junto dos pobres, ser esta presença de Deus que junto dos pobres diz: não é a última palavra, Deus tem a última palavra. Ser esta presença de Deus que aos pobres faz andar de cabeça erguida, porque há um outro horizonte. Porque há alguém, que não os poderes deste mundo, que pode ter a última palavra”.

“Demos graças a Deus porque nos deu o Pe. Mário Tavares, assim como ele é, com todas as suas qualidades e com todos os seus defeitos, com todas as suas virtudes e também com todos os seus pecados. Assim como ele é, é presença de Deus. Deste Deus que ao nosso lado nos diz: bem-aventurados os pobres, porque deles é o reino dos céus”.

“Agradecemos ao Senhor o seu ministério, agradecemos ao Senhor a sua ação, agradecemos ao Senhor o amigo que nos deu e pedimos-lhe que agora, já do outro lado, o acolha nos seus braços, esquecendo e perdoando os seus pecados e dando-lhe toda a recompensa pelas lutas e pelos trabalhos que ao longo da sua vida, e da sua vida como padre, ele desenvolveu”, concluiu.

Sacerdote no meio do povo

No final da Eucaristia, Manuel Neto antigo presidente da Junta do Jardim da Serra e antigo aluno do sacerdote, manifestou a “profunda tristeza” e a “saudade” de todos pela sua partida e deu “graças a Deus por ter atuado desde o início da sua vida tornando-se sacerdote no meio do povo”.

Mesmo perante um percurso difícil, recordou, “estabeleceu com Deus e connosco um compromisso que visou a defesa da dignidade de cada pessoa, o aprofundamento e a valorização da vida em comunidade, a promoção e a distribuição justa dos nossos recursos”. Para que assim fosse, frisou, foi necessária “muita fé, inteligência, sabedoria, coragem e bondade” por parte do sacerdote a quem, disse, “temos muitas coisas para agradecer”.

“Pelo longo caminho percorrido, pelos bens alcançados e por continuar a ser, apesar da morte, uma luz libertadora no meio de nós aqui expressamos, perante Deus e perante si, caro amigo, a nossa profunda e sincera gratidão”, disse ainda o amigo em nome de todos os cidadãos do Jardim da Serra.

Neste momento de despedida, falaram também as sobrinhas do Pe. Tavares. Fizeram-no para descrever “aquela pessoa que, de forma discreta, quer que tenhamos sucesso e que acompanha todas as nossas batalhas e conquistas e celebra todos os nossos sucessos”. Alguém que “não está mais entre nós, mas que nos deixa um legado de espírito de ajuda ao próximo” e uma pessoa que “muito que fez pela Madeira, tanto que não o deixará cair no esquecimento”.

Por último usou da palavra o Pe. Martins Júnior. Fê-lo em seu nome pessoal, como amigo de Mário Tavares, mas também “em nome da comunidade da Ribeira Seca, à qual ele nunca falhou” e mostrou a sua gratidão e a da paróquia através de um poema da sua autoria.

Terminada a Eucaristia, os restos mortais do Pe. Mário Tavares seguiram para o cemitério do Estreito de Câmara de Lobos, onde foram sepultados. Um percurso curto, mas sempre acompanhado de inúmeras pessoas e de muitas, muitas flores.