A linguagem da Criação, como lugar de Deus e projeto a cuidar (7)

D.R.

É no N.T. e na pessoa de Jesus que se encontra o exemplo radiante da relação harmónica de Deus, na humanidade de Cristo. Deste modo, o Papa Francisco observa que as criaturas trazem em si o mistério do ressuscitado que as conduz à plenitude. A criação está envolvida pela dimensão cósmica de Cristo. O Papa Francisco recorre à filosofia tomista para sustentar que a fé se sustenta no diálogo com a razão. Assim, «pensar na natureza deve ser um exercício constante da fé cristã». Na verdade, a teologia do Papa Francisco dialoga com o pensamento contemporâneo de Romano Guardini, Teilhard Chardin e Paul Ricoeur. Assim, de: «Romani Guardini apreende a ideia de que o ser humano moderno não fora educado para o reto uso do poder, a meta em direção ao verdadeiro poder só pode ser alcançada através de Cristo, fulcro de maturação universal, ideia que aparece no pensamento de Teilhard Chardin e que repercute na hermenêutica de Paul Ricoeur ao tratar a sacralidade como processo pelo qual o ser humano decifra em sua relação com a criação (LS, n. 83 e 85)». 

Tendo por base os princípios bíblicos e diretrizes teológicos-pastorais, a Igreja, sob orientação do Papa Francisco propõe ações eficazes na construção de um novo mundo. Assim, a Laudato Si´ aponta soluções que integram os sistemas naturais e sociais. Ou melhor, apresenta uma ecologia integral que combate a injustiça e a exclusão através do diálogo e de uma educação solidária.

É importante frisar que toda a encíclica reflete a profundidade teológica e espiritual daquele grande «Julgar de Deus», segundo o qual toda a criação é obra do amor de Deus do qual estamos «entrelaçados pelo amor que Deus tem a cada uma das suas criaturas e que nos une também, com terno carinho, ao irmão sol, à irmã lua, ao irmão rio e à mãe terra» (LS 92). Portanto, é um amor e uma conexão que é uma expressão de que tudo está sustentado pela graça de Deus que chama a ser a totalidade das criaturas em suas múltiplas formas e cores, isto é, a convicção de que a criação é um puro acto do Criador. Deste modo, o Papa afirma que «todo o universo material é uma linguagem do amor de Deus, do desmesurado carinho em nós. A terra, a água, as montanhas…: tudo é carícia de Deus» (LS 84). Deste modo, a natureza se converte em «lugar teológico». A criação tem uma teia de relações que a suportam e que encontram o seu ponto de equilíbrio na vontade de Deus como desígnio de amor realizador sobre todas as criaturas. «A natureza manifesta Deus é, além disso, um lugar da sua presença».