D. Nuno Brás: “Vamos fazer tudo o que está ao nosso alcance” para minorar os problemas sociais

Foto: Duarte Gomes

O presidente da Assembleia Legislativa da Madeira (ALM), visitou ao fim da manhã desta sexta-feira a Cáritas Diocesana do Funchal, a fim de se inteirar do trabalho que a instituição realiza habitualmente, e muito particularmente nestes tempos de pandemia.

A visita de José Manuel Rodrigues foi acompanhada por D. Nuno Brás, bispo do Funchal, e por Duarte Pacheco, presidente da Cáritas, com o presidente da Assembleia Legislativa da Madeira a não esconder a sua preocupação com o momento atual e com a possibilidade, evidente, de uma agudização dos problemas sociais.

José Manuel Rodrigues espelhou preocupações acrescidas pelo facto de existirem neste momento na região “3.205 empresas em lay-off e 43.000 trabalhadores também em situação de lay-off, perdendo um terço do seu rendimento”, o que deixa antever “um problema social gravíssimo na Região”. 

“Fiquei perplexo”, disse José Manuel Rodrigues a propósito destes números que, em seu entender, deixam antever que “o pior da crise ainda está para vir” o que o leva a apelar desde já ao “espírito de colaboração e cooperação entre todas as entidades’, por forma a acudir às necessidades que se avizinham.

A Cáritas Diocesana do Funchal é, recorde-se, uma das IPSS envolvidas na gestão do Fundo de Emergência Social, disponibilizado pelo Governo Regional, precisamente com o intuito de fazer face às dificuldades resultantes destes tempos. Tem a seu cargo um plafond de 500 mil euros para ‘entregar’ até 31 de dezembro, às pessoas que fizerem prova da sua perda de rendimentos e consequente incapacidade para pagar rendas, sem ser as sociais, propinas, rendas de estudantes ou até mesmo alimentação.

Nesta altura, conforme explicou Duarte Pacheco a execução da verba a seu cargo é ainda residual, qualquer coisa como “700 euros”, atribuídos a sete agregados familiares que preencheram os requisitos para poderem beneficiar destas verbas.

O presidente da Cáritas explica que haverá “muito rigor” na gestão das verbas, explicando que, no que toca, por exemplo, aos apoios de pagamentos de rendas, “há muitos inquilinos sem contrato, sem recibos”, explicando assim que nesta fase inicial o processo não tenha ainda entrado em velocidade cruzeiro.

À Cáritas, na distribuição geográfica, coube apoiar famílias das freguesias de Santa Luzia, Santa Maria Maior e da Sé, sendo que até ao momento são desta última a maioria das pessoas que se candidataram a apoios.

Já D. Nuno Brás, que agradeceu a José Manuel Rodrigues por “ter querido inteirar-se daquilo que é a ação da Caritas, de uma forma muito particular neste projeto de parceria com o Governo Regional”, também é de opinião que o pior desta situação ainda está para vir. 

Aliás, frisou, “a situação social começou agora a se fazer sentir com todos os seus problemas e vai agravar-se”. É essa, disse, a perceção da Diocese e a Cáritas têm e diante dessa realidade “vamos fazer tudo o que está ao nosso alcance para que todos estes problemas sociais que vão surgir, sejam minorados”. Nesse sentido a Cáritas, para além desta colaboração com o Fundo de Emergência do Governo Regional, tem também outros projetos que continuará sempre a desenvolver, no sentido de que quem não for elegível para este fundo possa ter acesso a todas aquelas ajudas para solução da emergência”.

O prelado considerou ainda que todas estas medidas são, no entanto, “remendos” e que “o que precisamos é de reconstruir o tecido social”, mas “isso ainda vai levar algum tempo” e vai implicar pensar muito bem o futuro e, eventualmente, “corrigir alguns erros que tenham sido cometidos no passado”.