Missas retomadas amanhã com fiéis de máscara e em lugares marcados

Em cada igreja haverá um grupo responsável pelo acolhimento dos fiéis, ajudando-os a cumprir as regras 

Foto: Duarte Gomes

O Bispo do Funchal acaba de dar a conhecer, numa nota pastoral dirigida aos diocesanos, que a “partir do dia 9 de maio, as igrejas das nossas Ilhas da Madeira e Porto Santo poderão, de novo, abrir as suas portas para acolher as celebrações comunitárias da Eucaristia e para a oração pessoal dos fiéis.” Trata-se, refere D. Nuno Brás, de uma decisão tomada em diálogo com o Governo Regional, no contexto do levantamento das restrições que foram impostas.

Apesar de não esconder a “grande alegria” do anúncio, o bispo diocesano lembra que este “não será ainda um regresso à situação que vivíamos antes de 14 de março passado, mas é o possível para os tempos mais próximos, tendo em conta os constrangimentos que a Covid 19 nos impõe.”

Daí o apelo “a quantos fazem parte dos grupos de risco que se mantenham em suas casas, acompanhando as celebrações através da televisão ou da internet, e recebendo a comunhão por meio do sacerdote ou de ministros extraordinários da comunhão” o que é permitido, desde que se respeitem as regras de segurança sanitária.

Lotação será de um terço dos lugares 

Quanto às regras que “todos devem adotar”, e que “poderão ser alteradas sempre que a situação a isso aconselhar”, passam pela realização de celebrações apenas “na igreja paroquial, reitorias ou oratórios de comunidades religiosas”, não devendo o número de pessoas que participam nessas celebrações ultrapassar um terço da capacidade do lugar de culto.

Além disso, em cada igreja “deverá ser criado um grupo responsável pelo acolhimento (confraria, catequese, escuteiros…) que ajude a entrada dos fiéis” e antes de entrar na igreja “todos devem desinfetar as mãos com uma solução à base de álcool-gel ou similar e ser portador de máscara protetora”.

Os lugares que podem ser ocupados pelos fiéis, explica ainda D. Nuno Brás, “devem estar marcados com um adesivo ou autocolante de cor que contraste com a do banco, de forma que as pessoas saibam exatamente onde se deverão sentar. Não se deve permitir que alguém se sente fora dessas distâncias.”

Quanto à comunhão, o diálogo individual (‘O Corpo de Cristo’ — ‘Amen’) “pronunciar-se-á de forma coletiva depois da resposta ‘Senhor, eu não sou digno…’, distribuindo-se a Eucaristia em silêncio”. 

A comunhão “deve ser dada na mão, depois de os ministros (com máscara) terem desinfetado as mãos. Devem desinfetá-las também depois da distribuição da comunhão. Para a comunhão os fiéis deverão vir pelo centro da igreja e regressar aos bancos pelos lados dos mesmos.”

No final de cada celebração, “todos os fiéis devem regressar a casa, sem qualquer convívio no adro ou noutro espaço da igreja”.

Regras de abertura quotidiana

No que concerne às normas para a abertura quotidiana das igrejas na Diocese do Funchal, as determinações vão no sentido de que cada igreja tenha afixado na porta o horário de abertura e de encerramento.  

Durante esse período, deve “existir alguém encarregado de velar pelo cumprimento destas regras” e também aqui os “fiéis deverão usar máscara protetora.”

“A visita será possibilitada apenas ao lugar preparado para a oração pessoal”, devendo “o lugar reservado à oração pessoal deve ser objeto de desinfeção periódica.”

As pias de água benta, essas, “devem permanecer vazias, de modo a prevenir a transmissão do coronavírus.”

Procissões e funerais 

Dada a situação atual, “mantém-se a impossibilidade de realizar procissões e outros atos festivos com grande participação de fiéis.” Contudo, “os sacerdotes poderão passar pelas ruas com as imagens e as bandeiras em cortejo automóvel, permanecendo os demais fiéis nas janelas e varandas de suas casas.”

No que concerne aos funerais, o bispo diocesano adianta que “os sacerdotes deverão continuar a realizar apenas uma celebração da Palavra nos cemitérios, dada a dificuldade de garantir sempre as condições para a celebração da Missa de corpo presente.”

Apelo à compreensão e agradecimentos

Ciente de que “os tempos que se avizinham serão muito difíceis”, D. Nuno Brás pede a “compreensão de todos para as regras que indico”, sob pena de a “infração às mesmas poderá constituir um motivo para regressarmos à proibição de todas as celebrações públicas.”

Na nota o prelado, que eleva a sua “ação de graças a Deus que, por intercessão de Nossa Senhora do Monte e de S. Tiago Menor, nos concedeu viver toda esta emergência com relativa tranquilidade e sem nenhuma morte até ao momento”, agradece ainda “o exemplo de vida cristã e de caridade, que permitiu a oração e a celebração da Páscoa com tranquilidade e, ao mesmo tempo, com fervor cristão, apesar de todos os condicionalismos”.

D. Nuno Brás agradece igualmente “aos sacerdotes, que nestes meses de “jejum eucarístico” se desdobraram em cuidados por aqueles que estão ao seu encargo, celebrando a Eucaristia e rezando por todos, o meu paternal reconhecimento” e “a quantos, na linha da frente, têm garantido a nossa sobrevivência nestes dias, em particular as autoridades de governo, autárquicas e de saúde, quantos trabalham nos hospitais e na proteção civil, forças de segurança e funcionários dos diversos serviços”.

O bispo do Funchal termina esta sua nota confiando “este novo momento da nossa vida diocesana nas mãos e à intercessão de Nossa Senhora do Monte e de S. Tiago Menor. Eles, que sempre nos têm defendido, continuarão a assistir-nos, a guardar-nos e a conduzir-nos.”

Publicamos na íntegra a Nota pastoral de D. Nuno Brás, bispo do Funchal: 

Caros diocesanos

É com grande alegria que, depois de ter dialogado com o Governo Regional, vos posso hoje anunciar que, a partir do próximo dia 9 de Maio, as igrejas das nossas Ilhas da Madeira e Porto Santo poderão, de novo, abrir as suas portas para acolher as celebrações comunitárias da Eucaristia e para a oração pessoal dos fiéis.

Ainda não será o regresso à situação que vivíamos antes de 14 de Março passado, mas é o possível para os tempos mais próximos, tendo em conta os constrangimentos que a Covid 19 nos impõe. As regras, que todos devem adoptar, encontram-se enunciadas nos documentos em anexo, e poderão ser alteradas sempre que a situação a isso aconselhar.

Quero, desde já, elevar a minha acção de graças a Deus que, por intercessão de Nossa Senhora do Monte e de S. Tiago Menor, nos concedeu viver toda esta emergência com relativa tranquilidade e sem nenhuma morte até ao momento.

Quero, do mesmo modo, agradecer-vos a todos o exemplo de vida cristã e de caridade, que permitiu a oração e a celebração da Páscoa com fervor cristão, apesar de todos os condicionalismos.

Aos sacerdotes, que nestes meses de “jejum eucarístico” se desdobraram em cuidados por aqueles que estão ao seu encargo, celebrando a Eucaristia e rezando por todos, o meu paternal reconhecimento.

Uma palavra de agradecimento é ainda devida a quantos, na linha da frente, têm garantido a nossa sobrevivência nestes dias, em particular as autoridades de governo, autárquicas e de saúde, quantos trabalham nos hospitais e na protecção civil, forças de segurança e funcionários dos diversos serviços.

Dada a situação actual, mantém-se a impossibilidade de realizar procissões e outros actos festivos com grande participação de fiéis. Mas os sacerdotes poderão passar pelas ruas com as imagens e as bandeiras em cortejo automóvel, permanecendo os demais fiéis nas janelas e varandas de suas casas.

Peço a quantos fazem parte dos grupos de risco que se mantenham em suas casas, acompanhando as celebrações através da televisão ou da internet, e recebendo a Sagrada Eucaristia por meio do sacerdote ou de ministros extraordinários da comunhão, sempre no respeito das normas de segurança.

As igrejas poderão abrir as suas portas para a oração individual durante o dia, em horário determinado, devendo os fiéis respeitar as regras que são apresentadas.

Os sacerdotes deverão continuar a realizar apenas uma celebração da Palavra nos cemitérios, dada a dificuldade de garantir sempre as condições para a celebração da Missa de corpo presente.

Peço a compreensão de todos para as normas que indico nos documentos em anexo, certo de que a infracção às mesmas poderá constituir um motivo para regressarmos à proibição de todas as celebrações públicas.

Quero ainda dizer-vos que os tempos que se avizinham serão muito difíceis, mas estou certo de que todos, cheios do Espírito de Deus, não deixaremos de partilhar o que temos com aqueles que necessitam.

Por fim, quero confiar este novo momento da nossa vida diocesana nas mãos e à intercessão de Nossa Senhora do Monte e de S. Tiago Menor. Eles, que sempre nos têm defendido, continuarão a assistir-nos, a guardar-nos e a conduzir-nos.

A todos quero desejar, uma vez mais, a continuação de um santo Tempo Pascal, e a todos quero enviar a bênção de Deus.

Funchal, Cúria Diocesana, 8 de maio de 2020

Nuno, Bispo do Funchal

Anexo 1

Normas para a celebração comunitária da Eucaristia na Diocese do Funchal a partir de 9 de Maio de 2020. Estas normas poderão ser revistas desde que a situação sanitária a isso obrigue.

  1. A celebração será feita apenas na igreja paroquial, reitorias ou oratórios de comunidades religiosas.
  2. Deve ser criado em cada igreja um grupo responsável pelo acolhimento (confraria, catequese, escuteiros…) que ajude a entrada dos fiéis.
  3. Antes de entrar na Igreja todos devem desinfectar as mãos com uma solução à base de álcool-gel ou similar e ser portador de máscara protectora.
  4. Apenas pode ser admitido a participar 1/3 da capacidade do lugar de culto.
  5. Se necessário e for possível, peço aos sacerdotes que multipliquem as celebrações da Eucaristia, que não devem ultrapassar indicativamente os 40 minutos.
  6. Os lugares que podem ser ocupados devem estar marcados com um adesivo ou autocolante de cor que contraste com a do banco, de forma que as pessoas saibam exatamente onde se deverão sentar. Não se deve permitir que alguém se sente fora dessas distâncias.
  7. O diálogo individual da comunhão (“O Corpo de Cristo” — “Amen”) pronunciar-se-á de forma coletiva depois da resposta “Senhor, eu não sou digno…”, distribuindo-se a Eucaristia em silêncio.
  8. A comunhão deve ser dada na mão, depois de os ministros (com máscara) terem desinfectado as mãos. Devem desinfectá-las também depois da distribuição da comunhão.
  9. Para a comunhão, os fiéis deverão vir pelo corredor central da igreja e regressar pelos corredores laterais.
  10. Peço aos sacerdotes que continuem a transmitir a Eucaristia via internet 
  11. Após a celebração, todos os fiéis devem regressar a casa, sem qualquer convívio no adro ou noutro espaço da igreja.
  12. A comunhão pode ser levada aos doentes por Ministros Extraordinários da Comunhão, desde que respeitadas as regras de segurança sanitária.

Anexo 2

Normas para a abertura quotidiana das igrejas na Diocese do Funchal, a partir de 9 de Maio de 2020. Estas normas poderão ser revistas desde que a situação sanitária a isso obrigue.

  1. As igrejas poderão abrir as portas para a oração pessoal dos fiéis.
  2. As horas de abertura devem estar afixadas à porta da igreja.
  3. Durante esse período, deve existir alguém encarregado de velar pelo cumprimento destas regras.
  4. Os fiéis deverão usar máscara protectora.
  5. A visita será possibilitada apenas ao lugar preparado para a oração pessoal.
  6. O lugar reservado à oração pessoal deve ser objecto de desinfecção periódica.
  7. As pias de água benta devem permanecer vazias, de modo a prevenir a transmissão do coronavírus.