Pandemia: «fome aguda» e tragédia para Idosos na Europa

D.R.

«Nunca vi nada assim»

A presidente do Banco Alimentar Contra a Fome (BACF), Isabel Jonet, disse no domingo (26/04) à Renascença “Nunca vi nada assim”, referindo-se ao aumento dos pedidos de ajuda à instituição no contexto da pandemia de Covid-19.

“Com efeito, à volta de 55 mil pessoas se dirigiram à “rede de emergência” desde a chegada do novo coronavírus a Portugal.

São pedidos “desesperados” de pessoas que viram as suas vidas viradas do avesso. “São pessoas de profissões muito diversas, pessoas que, de repente, não têm qualquer rendimento ou remuneração. “Atravessam situações de grande fragilidade e, até, de fome”.

“Graças às instituições de solidariedade social e às juntas de freguesia e autarquias, temos conseguido minorar o sofrimento destas pessoas. Muitas delas chegam hoje ao Banco Alimentar e dizem estar há mais de dois dias sem conseguir nada. São situações reais, muito, muito duras, concluiu. (Fonte: Ana Rodrigues, cdv)

«Fome aguda»

Uma segunda pandemia silenciosa ameaça alastrar em todo o mundo, noticiou a Vatican News (A. Di Bussolo/SilvoneiJosé). Esta pandemia não é contagiosa, mas poderá fazer muito mais vítimas. Trata-se da ‘fome aguda«.

Segundo relatório do Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas e 15 outros parceiros humanitários e de desenvolvimento, poderá afetar 265 milhões de pessoas até ao final do ano, quase o dobro dos 135 milhões em 2019. 

Se não forem tomadas medidas rápidas para fazer face à pandemia na África e no Médio Oriente, o Covid-19 poderá dar “um golpe fatal nas comunidades já à beira da sobrevivência nos países de baixos rendimentos”. A fome, recordam, é principalmente causada por conflitos, alterações climáticas e recessões económicas. 

Mas para além de combater a propagação do vírus, todos os programas de assistência alimentar, incluindo o do PAM, “oferecido a quase 100 milhões de pessoas vulneráveis em todo o mundo”, devem ser mantidos e até mesmo reforçados. A agência da ONU está muito preocupada “com os 30 milhões de pessoas que já sofrem de fome, violência e doenças extremas”. As suas vidas estão em perigo.

«Catástrofe global»

Em 2019, o relatório afirma que a maioria das pessoas que sofriam de insegurança alimentar aguda se encontravam em países afetados por conflitos (77 milhões), alterações climáticas (34 milhões) e crises económicas (24 milhões). 

Desde o final de janeiro, o PAM enviou remessas de ajuda humanitária e médica para 86 países para apoiar os governos e os parceiros de saúde na luta contra o novo coronavírus. As remessas incluiam equipamento de proteção pessoal e material de purificação de água, bem como equipamento logístico. Em 14 de abril, o PM começou a enviar remessas médicas, incluindo um milhão de máscaras.

 “O Covid-19 é potencialmente catastrófico para milhões de pessoas que já estão por um fio”, explica Arif Husain, economista do PAM; é um duro golpe para mais milhões que só podem comer se ganharem um salário. “Os fechamentos e a recessão económica global já dizimaram os seus alimentos. Basta um outro golpe, como o contágio do coronavírus, para os empurrar para além do limite. Temos agora de agir coletivamente para mitigar o impacto desta catástrofe global”.

Idosos na Europa

No continente europeu, metade das vítimas do Covid-19 regista-se em estruturas para idosos. Um número próximo dos 50 mil. «Uma tragédia inimaginável», assim a definiu Hans Kluge, diretor regional da Organização Mundial de Saúde para a Europa.

Isto dita a necessidade urgente de repensar como funcionam e como deverão funcionar no futuro. Em causa os Lares de idosos, que enfermam de meios e recursos humanos qualificados de médicos e enfermeiros. 

A Europa tem hoje a idade média dos cidadãos mais elevada do mundo com 43 anos, dez a mais do que os 33 anos da América e da Oceania. Além disso, a esperança de vida – dados da OMS de 2018 – ultrapassou a de outros continentes, embora o país que lidera esta classificação específica continue a ser o Japão, com 84 anos.

Acontece que a solidariedade entre as gerações é um dever em cada cultura, mas “os jovens nem sempre estão na comunidade ao serviço dos idosos

É urgente abrir uma reflexão profunda sobre o ser idoso no século XXI. “A velhice não é uma doença, é um privilégio! A solidão pode ser uma doença, mas com caridade, proximidade e conforto espiritual podemos curá-la”, disse o Papa Francisco, em 31 janeiro 2020, no Vaticano aos participantes do primeiro Congresso Internacional de Pastoral para Idosos, centrado no tema “A riqueza dos anos”.