Irmã Angélica: “As sombras e as luzes do caminho fazem parte da caminhada”

Irmã Angélica | D.R.

A Irmã Maria Angélica do Menino Jesus tem 75 anos e é natural de Machico. Filha de Manuel Nunes de Viveiros Leal e Virgínia de Freitas tem mais cinco irmãos. Nesta pequena entrevista dá-nos o testemunho de como é seguir Jesus na forma mais radical que a Igreja prevê – a clausura.  

Jornal da Madeira – Quando e como descobriu a sua vocação?

Irmã Maria Angélica do Menino Jesus ­­PAZ e BEM. Era ainda muito criança quando, um dia, ouvi na minha Igreja paroquial, o meu pároco, o senhor padre Andrade, falar da vida de Santa Clara de Assis e senti no íntimo do meu coração o desejo de ser religiosa.

Jornal da Madeira – Porquê a escolha desta congregação?

Irmã Maria Angélica do Menino Jesus ­­Fascinou-me o relato da vida daquela jovem Clara que, tinha fugido da casa de seus pais, durante a noite, para ser toda de Jesus. Jovens, minhas vizinhas, tinham entrado para a vida religiosa, neste Mosteiro de Nossa Senhora da Piedade. Algumas vezes vinha visitá-las. A sua alegria contagiante foi também um fantástico contributo para a minha decisão.

Jornal da Madeira – Como reagiram a família e os amigos ao anúncio de que queria ser religiosa e ter uma vida de clausura?

Irmã Maria Angélica do Menino Jesus ­­Graças a Deus, a minha família, não somente aceitou a minha opção de ser religiosa, como sempre me apoiou na fidelidade à mesma. As pessoas amigas também.

Quando renovo os votos, recordo as palavras da minha fundadora, santa Clara de Assis, no seu testamento: “de entre todos os benefícios que diariamente recebemos do Senhor, o maior é o da nossa vocação”

Jornal da Madeira – Durante este percurso houve dúvidas? Como foram ultrapassadas?

Irmã Maria Angélica do Menino Jesus ­­Dúvidas? Ao longo do tempo de formação, tempo de especial discernimento vocacional, interroguei-me algumas vezes. Com a Oração e preciosa ajuda das minhas formadoras, tudo se esclareceu e ajudou na minha decisão livre e responsável.

Jornal da Madeira – Quando é que foi consagrada e que memórias guarda desse dia?

Irmã Maria Angélica do Menino Jesus ­­Fiz a minha Profissão de Votos Solenes, no dia 22 de Agosto, à data, festa de Nossa Senhora Rainha. Guardo com gratidão, alegria e acção de graças, aquele inesquecível dia da minha consagração definitiva ao Senhor. Quando renovo os votos, recordo as palavras da minha fundadora, santa Clara de Assis, no seu testamento: “de entre todos os benefícios que diariamente recebemos do Senhor, o maior é o da nossa vocação”. É sempre motivo de grande e jubiloso louvor reviver aquele dia e renovar o meu “sim”.

Jornal da Madeira – Como é que tem sido esta caminhada?

Irmã Maria Angélica do Menino Jesus ­­O percurso da minha vida consagrada foi sempre marcado pela presença e amizade das irmãs e do Senhor que nunca falta ao seu amor fiel. Como é normal, neste mundo, “as sombras e as luzes do caminho” fazem parte da caminhada.

Às jovens que, porventura, nos procurem e manifestem o desejo de seguir a vida religiosa de especial consagração, dir-lhes-ei que não tenham medo de responder com o seu “sim” alegre e generoso como Maria. Jesus é o Amor que nunca falha, que nunca desilude, que nos ama sempre

Jornal da Madeira – Uma das vossas missões é rezar pelo mundo. A realidade que vivemos, com esta pandemia, obriga a mais oração da vossa parte?

Irmã Maria Angélica do Menino Jesus ­­–  Acompanhamos sempre com a nossa oração e sacrifício, cada acontecimento da Igreja e da história, seus sofrimentos, suas alegrias e suas esperanças. Na situação actual, em que toda a humanidade sofre os efeitos desta pandemia, pedimos ao Senhor, por intercessão de Maria, a “Senhora Pobrezinha”, como lhe chamava ternamente S. Francisco de Assis, por todos os doentes, por suas famílias e a graça do fim deste vírus tão mortífero.

Especialmente presentes, na nossa prece diária de intercessão, estão os médicos, os profissionais de saúde, as forças de segurança, os cientistas, para que descubram, o mais breve possível, a vacina que debele os efeitos devastadores deste terrível vírus, causador de tanto sofrimento e morte.

Junto de Jesus Eucaristia, temos muito presente também os nossos governantes e quantos, na retaguarda, prestam ajuda aos que sentem mais de perto os efeitos desta crise.

Como é normal, neste mundo, “as sombras e as luzes do caminho” fazem parte da caminhada

Jornal da Madeira – Também rezam pelas vocações…Se uma jovem a procurasse no sentido de a aconselhar sobre a sua vocação, que “dicas” lhe daria para a ajudar a fazer o seu caminho de discernimento?

Irmã Maria Angélica do Menino Jesus ­­Rezamos sempre pelas diversas formas de vocação. Às jovens que, porventura, nos procurem e manifestem o desejo de seguir a vida religiosa de especial consagração, dir-lhes-ei que não tenham medo de responder com o seu “sim” alegre e generoso como Maria. Jesus é o Amor que nunca falha, que nunca desilude, que nos ama sempre. “Louvado sejais, Senhor, por me terdes criado” (Santa Clara de Assis).