Vocação: proclamar o Evangelho da alegria pascal

Lago de Tiberíades

O Papa escolheu a experiência de Jesus e Pedro durante a noite de tempestade no Lago, para tema da mensagem para o 57º Dia Mundial de Oração pelas vocações “As palavras da vocação”, a celebrar no dia 3 de maio.

Esta travessia do Lago de Tiberíades sugere “a viagem da nossa existência”. “De facto, o barco da nossa vida avança lentamente, sempre à procura de um local afortunado para atracar, pronto a desafiar os riscos das ondas do mar, mas sob a orientação do timoneiro que o coloque na rota certa.”

Lemos em São Mateus (14, 22-36): «Jesus insistiu com os discípulos para que entrassem no barco e fossem para o outro lado. Subiu sozinho a um monte para orar. Ao anoitecer, o barco já estava a considerável distância da terra, fustigado pelas ondas, porque o vento soprava contra ele.

Alta madrugada, Jesus dirigiu-se ao encontro dos discípulos, caminhando sobre as águas. Quando o viram, ficaram aterrorizados: “É um fantasma!” 

Jesus disse-lhes: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!”

“Senhor”, disse Pedro, “se és tu, manda-me ir ao teu encontro”.

“Vem”, respondeu Jesus.

Pedro saltou do barco. Mas, quando reparou no vento, ficou com medo e começou a afundar-se. Gritou: “Senhor, salva-me!” Imediatamente Jesus estendeu a mão e o segurou. E disse: “Homem de pouca fé, porque duvidaste?”

Quando entraram no barco, o vento cessou. Quando chegaram a Genesaré, os homens daquele lugar reconheceram Jesus e espalharam a notícia em toda a região.»

Por 16 vezes fiz a travessia do Lago. É suficientemente grande para fazer mesmo ondas fortes quando o vento sopra. Mas, no geral, é um lago calmo e sossegado. Os grupos de peregrinos fazem a travessia para lembrar a tempestade acalmada por Jesus. Cantamos cânticos de sabor vocacional ou outros. A dado momento, param-se os motores. Faz-se silêncio. Alguém lê uma passagem da tempestade acalmada por Jesus. Imaginamos Jesus no meio de nós. Foi assim com os discípulos.

Se o vento sopra, ficamos aterrorizados. A vocação é uma chamada e um envio. Antes de embarcar temos de nos questionar: Vou? Vai dar certo? Vou ter coragem? Não me vou enganar no caminho que vou escolher? Fizemos uma escolha sabendo que a companhia e a força de Jesus vão connosco. Não vamos sozinhos no barco. E por isso arriscámos.

Quando as ondas são mais difíceis de transpor e parece que nos vamos afogar Ele aparece, e não é um fantasma, mas sim o Ressuscitado a estender-nos a mão e a encorajar-nos. Remove as pedras duras que aparecem no caminho.

Como refere São Paulo na 2ª carta aos Coríntios (2 Cor 4, 8-10; 6, 4-10): «Em tudo somos atribulados… perplexos… perseguidos… abatidos… na muita paciência, nas aflições, nas privações, nas angústias, nos açoites, nas prisões, nos tumultos populares, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns… como condenados… tristes… indigentes…».

As perseguições de Paulo não são nada perante o sabor de Ressurreição e de vida que o Senhor nos oferece. Ficam para trás, afundadas nas ondas furiosas que Jesus acalmou.

Ambos no barco, vem a bonança. Desabafamos com o Mestre as nossas misérias e dores, também os dons de Deus em nós. É tempo de reflexão. 

Na vigília pascal deste ano, Francisco disse, que Cristo ressuscitou “para trazer vida onde havia morte, para começar uma história nova”, e como derrubou a pedra da entrada do túmulo, “pode remover as rochas que fecham o coração. 

A fé – exortou Francisco – permite caminhar ao encontro do Senhor Ressuscitado e vencer as próprias tempestades. “Ele, quando, por cansaço ou medo, corremos o risco de nos afundarmos, dá-nos o ardor necessário para viver a nossa vocação com alegria e entusiasmo.”

É Jesus quem escolhe o padre e o envia em missão (Jo 15, 16). Em nome dEle, o padre se coloca ao serviço da comunidade cristã: acolhe, perdoa, une a comunidade e a motiva a viver a fé. Oferece a própria vida por Deus, pelos irmãos e pelo mundo inteiro

No dia 25 de abril, na Casa de Santa Marta, o Papa Francisco exortou “A fé ou é missionária ou não é fé. A fé sempre leva uma pessoa a sair de si; a fé deve ser transmitida, sobretudo com o testemunho”. 

O Senhor me acompanha. Jamais estou sozinho na transmissão da fé. Ser missionário significa viver com uma fé de portas abertas, uma fé que é serviço. Com alegria.

“Sem alegria não se atrai ninguém” (Reunião do CELAM, Bogotá, 7 de setembro de 2017). No compromisso com a conversão pessoal, comunitária e pastoral a Jesus Cristo crucificado, ressuscitado e vivo em sua Igreja, renovará o ardor e paixão por testemunhar ao mundo, através da proclamação e da experiência cristã, o Evangelho da vida e da alegria pascal.