Paula e Marco: Quase 20 anos a viver a vocação do matrimónio

Paula e Marco com as duas filhas

Precisamente na véspera de completarem vinte anos de casados Paula Margarido e Marco Fernandes partilham com os nossos leitores o seu testemunho enquanto casal, com duas filhas: a Alice e Laura. Concordam com o Papa Francisco quando este diz que  o testemunho mais eficaz sobre o matrimonio é a vida exemplar dos casais cristãos”tentam em cada dia “testemunhar, o amor e a fidelidade, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza!”.

Jornal da Madeira – Quando e como se conheceram?

Paula e Marco – Conhecemo-nos no ano de 1992 na Faculdade de Direito de Lisboa da Universidade Católica. Fomos colegas de Curso de Licenciatura em Direito, de Curso de Estágio, no Conselho Regional de Lisboa da Ordem dos Advogados, e desde o casamento que trabalhamos juntos.

Jornal da Madeira – Quanto tempo namoraram e quando é que decidiram que o casamento religioso faria parte do vosso percurso a dois?

Paula e Marco – Começamos a namorar no último ano do Curso, em 1997. O Marco pediu-me em namoro em Cancun (México) na viagem de finalistas do nosso Curso de Direito e, desde cedo, percebemos que pretendíamos construir uma família.

Namorámos três anos e casámos a 30 de abril do ano 2000, a um Domingo, o II Domingo da Páscoa, que foi instituído pelo nosso Santo S. João Paulo II como o “Domingo da Divina Misericórdia”. Neste dia celebramos, ainda, o aniversário da minha mãe e a nossa filha mais nova (a Laura) nasceu, precisamente, a 30 de abril do ano 2005. E foi neste ano de 2005 que o Santo S. João Paulo II (a 2 de abril) e a Irmã Lúcia (a 13 de fevereiro) partiram para a eternidade. Já a nossa filha mais velha (a Alice) veio a nascer no dia 13 de fevereiro do ano de 2003. Ora, tendo a nossa família uma grande ligação ao Santuário de Fátima, como devem imaginar todas estas ligações adquirem para nós um grande significado e simbolismo.

na nossa vida em família, há momentos de chuva, mas em que a presença de Deus (…) faz surgir as flores que vão crescendo em terreno tão mais fértil quanto mais próximo estivermos da Sua mão!

Jornal da Madeira – Que caminho fizeram até concretizar essa decisão? Houve alguma preparação?

Paula e Marco – Recebi o sacramento da confirmação (Crisma) um ano antes do início do nosso namoro (a 26 de maio de 1996 na Sé Patriarcal de Lisboa) que foi precedido de uma preparação na Universidade Católica (que frequentava) que durou um ano letivo e sob a orientação do querido Padre Tolentino Mendonça e agora o nosso tão estimado Cardeal. Logo, o nosso namoro, e fruto dessa preparação e do selo indelével que recebi estava, necessariamente, alicerçado nos pilares da Esperança, da Fé e do Amor! Fomos caminhando os dois na estrada maravilhosa do namoro e tendo nós recebido o sacramento do matrimónio na Igreja da Nossa Senhora da Purificação, em Montelavar, Sintra, aí fizemos o Curso de Preparação para o Matrimónio.

Jornal da Madeira – Que memórias guardam do dia em que receberam o Sacramento do Matrimónio?

Paula e Marco – Celebramos amanhã vinte anos de casados! Amanhã fazemos memória do dia 30 de abril do ano 2000 que estava, tremendamente, chuvoso e em que no momento da nossa saída da Igreja, onde na rua nos aguardavam com o arroz na mão os nossos familiares e amigos, surgiram os primeiros raios de sol e o arco-íris. Sinais que não esqueço e que nos fazem entender que na nossa vida a dois, na nossa vida em família, há momentos de chuva, mas em que a presença de Deus, que se fez Homem em Jesus Cristo Ressuscitado, nos faz alcançar que a chuva que cai na terra faz surgir as flores que vão crescendo em terreno tão mais fértil quanto mais próximo estivermos da Sua mão!

Jornal da Madeira – Com os diferentes afazeres que cada um tinha e tem, que estratégias usaram e usam para não perder de vista a vossa fé individual, mas ao mesmo ir alimentando a fé conjunta e construindo a vossa igreja doméstica?

Paula e Marco – Eu e o Marco trabalhamos juntos desde que casámos, somos uma equipa que também tem as suas crises, mas estas servem, graças a Deus, para nos tornar mais fortes, como casal, como equipa de trabalho, como família! Fazemos uso, em família, das três palavras-chave da catequese do Papa Francisco do dia 13 de maio de 2015, “Com licença”, “Obrigada (o)” e “Desculpa”. Não há uma única noite em que, em família, não façamos a nossa oração. Quando estou fora da Região, e se possível, fazemos o oração ao telefone e não sendo possível sei que a fazem e peço, sempre, que, por favor, não se esqueçam de rezar por todos os que sofrem e que não conhecemos e pelos nossos amigos e familiares que já partiram. A hora das refeições é, sempre, precedida de uma oração e nem imaginam como se torna engraçado ver a cara dos amigos das miúdas que por aqui vão almoçando e jantando…, todos, escrupulosamente, observam e imitam, por vezes com um ar muito preocupado, pois não se querem enganar no sinal da cruz! O Marco não era assíduo à Eucaristia, mas fomos fazendo este caminho juntos e, hoje, a Eucaristia é a fonte da nossa vida cristã.

acreditamos que muitos casais, fruto das exigências profissionais, já mal se conheciam e que agora têm nesta paragem uma possibilidade de reavivar a chama do amor que estava a ficar já muito ténue!

Jornal da Madeira – Entretanto, chegam as filhas e com elas abraçam mais uma vocação: a de serem pais…

Paula e Marco – Temos duas filhas, a Alice, com 17 anos, e a Laura que celebra na próxima quinta-feira os seus 15 anos…, são os nossos tesouros, marotas, rabugentas, por vezes parecem que têm 10 anos…, apenas desejamos que nas suas vidas possam sempre testemunhar, com alegria, a Verdade, a Justiça, a Fé, a Esperança, andando por esta vida tentando, sempre, fazer o bem sem olhar a quem…, quando um dia partirmos (eu e o Marco) que elas possam dizer os nossos pais andaram por esta vida fazendo o bem…, será esta a nossa maior herança!

Jornal da Madeira – O casal cristão é chamado a testemunhar no mundo os valores do Evangelho, ser sinal do amor de Cristo na vida das pessoas, a começar pelas que lhe são próximas. Como têm procurado passar esses valores fundamentais da vida cristã, nomeadamente às vossas filhas?

Paula e Marco – A Alice e a Laura bem sabem que a nossa vida apenas faz sentido na medida em que nos damos e auxiliamos o próximo, seja ele quem for, ainda que não goste de nós, e sem esperar receber nada em troca! E refiro bem sabem, porquanto elas vigiam e participam em todos os momentos em que deixamos as nossas prioridades para fazer das prioridades dos outros as nossas, sem nada esperar, auxiliando-os (não fazendo aceção de pessoas)…uma das filhas, não interessa qual, já me chegou a dizer “…, a mãe pode fazer o favor de tentar, agora, ganhar algum dinheiro?…”, respondi: …“filha que triste seria a nossa vida se a única orientação fosse o dinheiro…, o dinheiro é importante, claro, mas não pode perturbar o meu espírito, nem o teu, nem te pode impedir de ajudar quem mais precisa, e esse alguém pode estar aqui ao meu lado, a dormir na rua onde vivemos, pode ser o drogado, o alcoólico…, trabalha com amor, dando sempre o teu melhor em cada pequena tarefas que desenvolves e o resto virá…, inclusivamente o dinheiro!

Que ninguém tenha receio de assumir um compromisso de Amor com a marca, com o tal selo e a marca indelével de Deus! E o Amor implica cedências, partilhas, colocar o outro à frente do eu, sem nunca deixar de ser eu e percebendo que ele é um prolongamento de mim

Jornal da Madeira – Neste tempo que vivemos, em que uma pandemia nos obrigou ao isolamento, como é que têm vivido a fé em família?

Paula e Marco – De manhã leio o Evangelho do dia, e no final da tarde leio o comentário do nosso Bispo, D. Nuno Brás, ao Evangelho. Na minha corrida diária tenho por hábito, rezar, sempre o terço. As nossas refeições são, sempre, precedidas de uma oração e à noite a oração em família que, por vezes é acompanhada por uma leitura do Evangelho. Ao Domingo participamos na Eucaristia transmitida pela RTP.

Na verdade, e ainda que em casa, vamos trabalhando, cada um nas suas tarefas, aproveitando para discutir os temas da atualidade e escutando, sempre, a opinião das miúdas que tão bem percebem o que é que nas tarefas que temos em mãos está a correr bem e a correr mal…e nas que estão a correr menos bem, elas acabam, sempre, por dar um conforto.

Jornal da Madeira – Acham que esta pode ser uma oportunidade, ainda que forçada, dos casais se reencontrarem e de redescobrirem o que os uniu inicialmente e de retomarem a sua caminhada?

Paula e Marco – Sem dúvida…, acreditamos que muitos casais, fruto das exigências profissionais, já mal se conheciam e que agora têm nesta paragem uma possibilidade de reavivar a chama do amor que estava a ficar já muito ténue!

Jornal da Madeira – O Papa Francisco diz que “o testemunho mais eficaz sobre o matrimonio é a vida exemplar dos casais cristãos”. Concordam? Que testemunho têm procurado dar?

Paula e Marco – Concordamos em absoluto com as palavras do Papa Francisco…e creia que tentamos em cada dia, como casal, testemunhar, o amor e a fidelidade, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza!

Jornal da Madeira – Que conselhos deixam aos jovens que pretendem receber o sacramento do matrimónio?

Paula e Marco – Que ninguém tenha receio de assumir um compromisso de Amor com a marca, com o tal selo e a marca indelével de Deus! E o Amor implica cedências, partilhas, colocar o outro à frente do eu, sem nunca deixar de ser eu e percebendo que ele é um prolongamento de mim, que leva o que de melhor há em mim e que eu tenho em mim o que de melhor ele tem…e assim se vai construindo um caminho, uma aliança a dois que nos permite ser felizes, com a graça de Deus.