Cónego Toni Sousa: Vamos aproveitar as redes sociais para rezar pelas vocações 

Foto: Duarte Gomes

O diretor do Secretariado Diocesano da Pastoral das Vocações, cónego Toni Sousa, fala ao nosso jornal sobre a Semana de Oração pelas Vocações, que se inicia hoje e prolonga até ao dia 3 de maio. Uma semana que será vivida de forma diferente por causa da pandemia, e que irá privilegiar a oração pessoal e familiar, embora estejam previstas algumas iniciativas à porta fechada. Leia a entrevista e fique a conhecer as propostas para esta semana, em que o Jornal da Madeira vai publicar pequenas entrevistas com quem abraçou diferentes vocações.

Jornal da Madeira – Este ano, devido à actual situação motivada pela pandemia que suspendeu as celebrações comunitárias, esta semana de Oração pelas Vocações será vivida num contexto diferente do que é habitual…

Cónego Toni Sousa – Pois é. Este ano, a Semana de Oração pelas Vocações será vivida num contexto diferente do habitual por causa do surto pandémico. Por esta razão, de isolamento social e quarentena, esta semana deverá ser vivida de uma forma diferente intensificando a oração pessoal e familiar, sem esquecer a oração das comunidades religiosas. Mas vamos aproveitar os meios que nós temos, nomeadamente, as redes sociais para a oração e para divulgação do tema das vocações.

Jornal da Madeira – Apesar de tudo, o principal objetivo desta semana, que é o de se rezar pelo surgimento de novas vocações mantém-se…

Cónego Toni Sousa – Sim, claro. E quando nós falamos de vocações falamos do sacerdócio, falamos da vida religiosa, mas também falamos da vocação da família, a vocação dos casados, dos noivos, aqueles que se preparam para o casamento e pensamos também, neste tempo que estamos a viver, naqueles que exercem a sua profissão como uma vocação, e que são aqueles que estão ligados à saúde e que se têm dedicado, com amor e carinho, a todos os que precisam de ajuda neste tempo de pandemia que nós estamos a viver. É por eles também que iremos rezar nesta semana.

Jornal da Madeira – Quando se reza para que apareçam mais vocações é porque elas escasseiam. Há uma real crise de vocações?

Cónego Toni Sousa – É assim, em determinados locais, em determinados países, as vocações têm surgido. No nosso contexto, tanto na Madeira como no continente, as vocações sacerdotais e religiosas têm vindo a diminuir, se bem que no nosso caso concreto ainda temos algumas. Graças a Deus na Madeira ainda vai aparecendo, nós não nos podemos queixar. Nós neste momento temos oito seminaristas no continente que estão a estudar, sendo que um está em São José de Caparide e os outros sete no Seminário dos Olivais. Em contrapartida, neste momento, o Seminário Diocesano não tem ninguém. Esperemos que a comunidade, as famílias se sensibilizem para esta situação que é uma questão urgente.

Por esta razão, de isolamento social e quarentena, esta semana deverá ser vivida de uma forma diferente intensificando a oração pessoal e familiar, sem esquecer a oração das comunidades religiosas. Mas vamos aproveitar os meios que nós temos, nomeadamente, as redes sociais para a oração e para divulgação do tema das vocações.

Jornal da Madeira – Será que estes tempos de isolamento que vivemos, que nos levam a pensar um pouco mais sobre a nossa vida e as nossas opções, pode levar um jovem ou uma jovem a encontrar a sua vocação?

Cónego Toni Sousa – Claro que o isolamento obriga, de facto, a uma certa introspeção, reflexão, a pensar um bocadinho mais em nós e um bocadinho mais no mundo. O facto de não passarmos o tempo a correr, ocupados com ene situações, preocupados com isto e com aquilo, poderá ser um momento para pensar noutras possibilidades para a nossa vida. Quem sabe? Só o Espírito Santo é que sabe onde se manifesta. Mas eu ficaria muito contente que este tempo desse fruto. Fosse um tempo que pudesse dar estes frutos de jovens que dissessem: porque não conhecer o seminário; porque não ouvir que Deus chama e dizer um ‘sim’ e ir para o seminário ou para a vida religiosa. Isso seria uma coisa fantástica. Mas a verdade é que as coisas estão muito difíceis.

Jornal da Madeira – Esta é também uma para dar graças a Deus pelas vocações que temos…

Cónego Toni Sousa – Claro que sim. Na mensagem deste ano para o Dia Mundial das Vocações o Papa escolhe quatro palavras para, diz ele, «agradecer aos sacerdotes e apoiar o seu ministério». Tendo como pano de fundo o texto que nos conta a experiência vivida por Jesus e por Pedro durante uma noite de tempestade no lago de Tiberíades (cf. Mt 14, 22-33) o Papa fala de tribulação, coragem, louvor e de gratidão. De facto, como eu já disse, no nosso caso temos de agradecer a Deus por estes oito que nós temos no seminário, que estão a dizer ‘sim’ ao chamamento de Jesus para esta missão, sabendo que a tribulação, sabendo que muitas vezes as tempestades acontecem, a dúvida acontece. Tudo isso eles têm conseguido ultrapassar com a oração, em comunidade, com a ajuda dos sacerdotes, do diretor espiritual, com a ajuda do seminário, com a ajuda da comunidade. dos párocos. Estes oito rapazes têm sido fortes na fé.

Jornal da Madeira – Tem estado com eles nesta altura?

Cónego Toni Sousa – Sim. Por causa desta situação da pandemia eles estão aqui no Seminário Diocesano do Funchal, onde vão permanecer ao longo da próxima semana. Eu tenho estado a acompanhá-los e vejo uma alegria interior e um desejo de querer ser padre. Acabei por estar mais perto deles ao longo da semana passada e vou continuar ao longo desta que se inicia e estou feliz com este grupo de seminaristas que nós temos. Eu peço muito para que a comunidade reze por eles, reze pelos sacerdotes porque nós também, como o Papa diz, perante a tribulação podemos ser levados ao desânimo. Por isso têm de rezar para que tenhamos coragem e muita esperança e vivamos o nosso ministério com muita alegria, porque nós não estamos sós. Ele aparece, como apareceu aos apóstolos e está presente e estende a mão, como estendeu a mão a Pedro e lhe disse “não temas, Eu estou aqui”.

pensamos também (…) naqueles que exercem a sua profissão como uma vocação, e que são aqueles que estão ligados à saúde e que se têm dedicado, com amor e carinho, a todos os que precisam de ajuda neste tempo de pandemia que nós estamos a viver. É por eles também que iremos rezar nesta semana.

Jornal da Madeira – Nesta semana, como se disse anteriormente, vai ser privilegiada a oração pessoal e familiar. Ainda assim, o secretariado está a preparar algumas iniciativas que podem juntar as pessoas ainda que à distância. Que iniciativas são essas?

Cónego Toni Sousa – Uma das coisas, e contamos com o Jornal da Madeira para isso, é a partilha ao longo desta semana de vários testemunhos de pessoas que abraçaram diferentes vocações. Nós consideramos que esses testemunhos são muito importantes porque nós aprendemos com os santos, mas também aprendemos uns com os outros, com a experiência e o testemunho daqueles que estão à nossa volta. Depois, na quinta-feira, às 21 horas haverá a Oração de Taizé, no Colégio Missionário. Na sexta-feira, pelas 18 horas, vai ter lugar um debate, à distância, sobre as vocações, em que serão intervenientes os membros do Secretariado Diocesano da Pastoral das Vocações. Esta iniciativa poderá ser acompanhada através do Facebook da Diocese do Funchal. Nesse mesmo dia, por volta das 21 horas, decorrerá no seminário uma pequena vigília pelas vocações. Esta vigília também vai ser transmitida pelo Facebook do seminário e contará, para além dos seminaristas e da equipa do seminário, com a presença de D. Nuno Brás. Também vamos partilhar, em diversos meios já a partir de hoje, domingo, o terço vocacional que nos foi enviado pelo secretariado nacional, para que cada pessoa o possa rezar na sua casa, em família. Também reenviei a todos os sacerdotes este e outros subsídios que o secretariado disponibilizou, para que cada um prepare a vivência desta semana.