Não esquecemos a Pátria

D.R.

Um árvore é também a terra de onde brota. Sem ela, a árvore não podia existir. Nós, seres humanos temos também uma terra de onde brotamos. É a “Pátria”, a terra do pai (pater, em latim). É a nossa terra, o solo que nos molda, seja no aspecto físico seja no nosso modo de viver. É a terra que molda a cada um e a todos (a família, os amigos, os conhecidos e todos quantos partilhamos da vida de uma sociedade). É a raiz do que somos.

Por isso, os emigrantes sonham sempre com o regresso à sua Pátria — talvez só o entenda verdadeiramente aquele que viveu durante anos longe da sua terra.

Hoje, Jesus diz-nos que os baptizados nasceram do Espírito: “Assim acontece com todo aquele que nasceu do Espírito” (Jo 3,8). O novo nascimento que é o baptismo dá-nos uma Pátria nova: o Céu, Deus e a vida junto d’Ele. E Jesus diz-nos, igualmente, que apenas Ele (Jesus) nos pode falar dessa Pátria porque foi dela que Ele veio até nós (Jo 3,13).

Antes de ser a Pátria pela qual suspiramos, e à qual desejamos ardentemente regressar (desejamos?), o Céu é, também, a realidade que nos molda — que molda o nosso modo de viver, o nosso modo de ser. É a raiz do que vivemos: nós, cristãos, vivemos a partir do Céu.

Não abandonamos este mundo onde estamos — pelo contrário, trabalhamos para que ele se torne de tal modo semelhante ao Céu que a todos seja mais fácil o caminho de regresso. Mas não esquecemos nunca a Pátria de onde vimos e para onde vamos!