Uma Santa Quaresma

D.R.

Aprendi, há muito, que que o ser humano é sempre livre. Não podemos deixar de ser livres: “Estamos condenados à liberdade”, dizia um filósofo do século passado. E eu até estaria inclinado a concordar com a afirmação, se a palavra “condenado” não tivesse um valor negativo. 

O facto, no entanto, está aí: temos sempre que escolher. Mesmo um prisioneiro, sempre deve escolher acerca do modo como vive a sua prisão. Ou um doente preso à sua cama.

Na Quaresma deste ano, somos obrigados a fazer “Quaresma”. Estamos condenados a reduzir as nossas actividades por causa desse invisível “corona vírus”. Esta vai ser, por isso, uma Quaresma como nunca a vivemos. Mas vai ser uma verdadeira oportunidade de “fazer Quaresma”!

De facto (creio que podemos reconhecer), mesmo para a grande maioria dos cristãos (até para os “praticantes”), a Quaresma não era, habitualmente, vivida de uma forma séria. Sim, fazíamos mais alguns exercícios de oração, alguns momentos mais sérios de vida cristã, procurávamos ser mais generosos com os pobres… Mas, convenhamos, a Quaresma deixava muito a desejar: tudo continuava como dantes!

Este ano, somos obrigados a fazer Quaresma. E a isso mesmo a todos convido: fazer Quaresma a sério! Quase prisioneiros em nossas casas, podemos escolher estar mais próximos de Deus e mais próximos dos irmãos. E podemos ajudar os mais novos a perceber e a viver tudo isso; a perceber e a viver mais como  cristãos.

Continuação de uma Santa Quaresma para todos!