“Como o nevoeiro da manhã”

Hoje fiquei preso pelo desabafo de Deus e pela sua amargura: “O vosso amor é como o nevoeiro da manhã, como o orvalho da madrugada que logo se evapora” (Os 6,4). É que estas palavras do Profeta (pronunciadas em nome de Deus) descrevem bem não só aquilo que cada um de nós é como, tantas vezes, aquilo que somos como comunidade.

Numa situação porventura aflitiva, somos capazes do melhor, da generosidade maior, do esquecimento total do nosso egoísmo. Mas, de repente, tudo muda: logo passamos a viver para nós, cada um achando que o mundo gira à sua volta, como se fôssemos pequenas crianças que não sabem o que querem e para onde vão.

Em contraste, a “misericórdia” de Deus – quer dizer: o seu amor fiel, aquele amor que permanece apesar de tudo, mesmo apesar do nosso pecado e da nossa inconstância: “Ao fim de dois dias, Ele nos fará viver de novo; ao terceiro dia nos levantará e viveremos na sua presença” (Os 6,2).

É na fidelidade de Deus e não nos nossos rompantes que havemos de aprender a viver. Essa é a diferença entre o publicano e o fariseu. O publicano (rico, ladrão e pecador mas que, diante de Deus se deixa surpreender e transformar pela sua misericórdia) contrasta bem com o fariseu (pobre e cumpridor dos preceitos religiosos, mas que pensa ter em si a força e a bondade suficientes para se apresentar perante o Senhor).
Deus é fiel. E é amor. É com Ele que havemos de ir para além do nevoeiro da manhã!