Eutanásia II: Bispos portugueses em defesa da vida

Os bispos católicos portugueses manifestaram nos últimos dias a sua oposição aos projetos de despenalização da eutanásia, que vão ser discutidos no Parlamento, a 20 de fevereiro.

D.R.

O bispo do Porto, D. Manuel Linda, destacou a afirmação da Ordem dos Médicos sobre a eutanásia: “fere princípios éticos e deontológicos”, e ela como o suicídio assistido, “não se enquadram na prática da medicina”.

O cardeal-patriarca de Lisboa e presidente da CEP disse que o tema da legalização da eutanásia “não se pode tratar de ânimo leve”, dado que “é humanitária e a humanidade diz respeito a todos”, assinalou D. Manuel Clemente.

Segundo o arcebispo de Braga, diz que a vida “é inviolável”, e “não podemos permitir que alguns deputados queiram decidir por nós, quando não apresentaram o assunto da eutanásia nos seus programas eleitorais”, salientou D. Jorge Ortiga.

O bispo-auxiliar de Braga, D. Nuno Almeida, escreveu uma carta aberta aos deputados portugueses onde explica o seu “não à eutanásia e ao suicídio assistido”, considerando que se está perante uma “interrupção voluntária do amor e da vida”.

O bispo do Algarve também realçou que o tema da eutanásia “não esteve na campanha eleitoral” para as Legislativas 2019 e apareceu “de um momento para o outro”, “sem ninguém se aperceber”, disse D. Manuel Quintas.

O bispo de Viseu afirma que “matar alguém é sempre um crime” e diz “não a uma cultura de morte”. Não à eutanásia, ao suicídio assistido e a outras formas de antecipar a morte das pessoas”, escreve D. António Luciano.

O cardeal D. António Marto referiu que a questão da eutanásia “toca o mais íntimo e profundo da dignidade da pessoa humana e da vida”. “A questão dos cuidados paliativos, deveria ser a prioridade das prioridades do Estado, em relação estas situações limite”, explicou o bispo de Leiria-Fátima.

D. José Cordeiro destacou que a atitude de todos os cristãos, “e de todas as pessoas de boa vontade, é cultivar a vida e cuidar dela até ao fim do fim”. “A vida tem sempre sentido, tem valor em qualquer circunstância”, alertou o bispo de Bragança-Miranda, realçando a aposta “nos cuidados continuados e nos cuidados paliativos”.

Para o bispo de Viana do Castelo, o atual debate sobre a eutanásia é “um desafio que devemos aproveitar, para criar nas pessoas um respeito muito grande pela vida humana”, desenvolveu D. Anacleto Oliveira.

O bispo de Vila Real, D. António Augusto Azevedo, afirmou que a eutanásia “é uma cedência” a uma “lógica mais utilitarista e mais comodista” e acredita que “a grande luta é pela humanização e pelo respeito da vida da pessoa até ao fim”.

 O bispo do Funchal salientou que a vida “deve ser acolhida, tutelada, respeitada e servida”, sobretudo, nas “situações de fragilidade”, divulga o ‘Jornal da Madeira’. 

“Penso que o Estado português não pode aceitar que alguém o obrigue a matar, por qualquer razão que seja. Toda a vida humana tem uma dignidade tão grande que ultrapassa qualquer consideração que o Estado ou o próprio cidadão possam fazer.  Um Estado civilizado, a alguém que pede para ser morto, só pode responder com cuidados. A vida não pode ser eliminada, mas sim cuidada”, afirmou D. Nuno Brás. 

O bispo de Angra salientou que o sofrimento, que “é sempre o grande argumento a favor da eutanásia”, deve ser “transformado em desafio” ao Estado para “oferecer” cuidados médicos. “Ninguém pede a morte antecipada desde que lhe sejam prestados os cuidados paliativos, tenha junto de si o carinho e a ternura da família, sinta a amizade e a proximidade dos vizinhos e amigos e esteja envolvido pelo amor e comunhão de uma comunidade humana”, afirmou D. João Lavrador.

O bispo de Aveiro afirma numa nota sobre a eutanásia, que a defesa da vida humana é uma questão dos “direitos do ser humano” e não apenas “uma questão religiosa”. “A nossa sociedade, mais do que preocupar-se com legislação deste teor, devia antes preocupar-se com o alargamento da rede de cuidados continuados e paliativos”, escreveu D. António Moiteiro.

O bispo das Forças Armadas e Forças de Segurança defendeu o valor da vida humana, manifestou o “receio que as propostas de eutanásia a serem discutidas na Assembleia da República não estejam assentes na verdade, não sejam um bem para a dignidade da vida humana”. D. Rui Valério destacou que “a salvaguarda da vida e da dignidade da vida humana” está sempre em primeiro lugar”.

O bispo da Guarda manifestou a sua oposição aos projetos de legalização da eutanásia em Portugal, considerando que ao Parlamento compete proteger o “valor fundamental e sagrado da vida humana”. “As pessoas não podem ser tratadas como matéria descartável, pois para a sociedade promover a eutanásia será sempre mais barato do que investir em condições de apoio aos mais frágeis, como é o caso da rede de cuidados paliativos”, escreve D. Manuel Felício