‘A Economia de Francisco’: Ricardo Zózimo diz que Papa quer modelos económicos mais humanos

Foto: Duarte Gomes

A Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE) promoveu esta terça-feira, dia 11 de fevereiro, um almoço/debate para falar sobre ‘O que é a Economia de Francisco’. O orador convidado foi Ricardo Zózimo, professor da Nova Scholl Business and Economics de Lisboa e membro da comissão de acompanhamento do encontro. 

Em declarações ao Jornal da Madeira, o docente diz que o Papa defende um novo modelo de desenvolvimento económico mais humano, que “fomente uma economia que não mate e que promova a ecologia integral e o cuidado da casa comum”. 

Nesta mudança, os jovens são chamados a desempenhar um papel fundamental, de tal forma que o Papa convocou para o final de março, mais precisamente para os dias 26 e 27, um encontro mundial que decorrerá em Assis, no Norte de Itália. Nesse encontro vão participar 2500 jovens economistas e empreendedores sociais de vários países, entre os quais cerca de 50 portugueses.

“Durante muito tempo entregamos aos políticos a responsabilidade única de resolver as questões da interligação económica, social e ambiental e a verdade é que o mundo hoje em dia é tão complexo e tão global que o poder politico, sozinho, não é capaz de resolver estas questões”, frisa Ricardo Zózimo. 

Segundo o docente, “o modelo político tem de ser complementado com a sociedade civil, com o poder dos jovens, que têm não só de dizer o que querem, mas participar na criação de soluções”, mas também como poder das empresas que são “parte integrante e importante do sistema que pode regenerar a terra, que pode ajudar os jovens a ter mais confiança no futuro e pode, sobretudo, mudar as dinâmicas sociais, económicas e ambientais que temos agora”.

Além disso, os vários modelos têm de ser adaptados às diferentes realidades, acabando-se com a ideia de que “one-size-fits-all”, isto é, que um modelo serve a todos. No fundo “acabar com uma ideia americana, americanizada e anglo-saxónica dos sistemas económicos”.

Com trabalho de investigação realizado em vários países, nomeadamente na Colômbia, Ricardo Zózimo diz que ali “o modelo americanizado não significa nada”. Entende assim o docente, que “o Papa Francisco quer sinalizar esta ideia de contextualização dos modelos económicos, para que haja frutos destes modelos e para que se perceba que um determinado modelo não serve em todas as partes e, claramente, em muitas partes não está a servir”.

A partir do momento em que o Papa convoca pessoas de vários países – 120 ao todo – para participar num encontro desta natureza, Ricardo Zózimo considera que também lhes “está a dar a responsabilidade de voltarem para os seus próprios países e implementar essas alterações que querem ver no modelo económico de determinado país”.