Deus surpreende-nos
1. O coração do Presépio começa a palpitar, quando colocamos lá o Menino Jesus. Naquela fraqueza e fragilidade, esconde o seu poder que tudo cria e transforma. Parece impossível, mas é assim: em Jesus, Deus foi criança e, nesta condição, quis revelar a grandeza do seu amor, que se manifesta num sorriso e nas suas mãos estendidas para quem quer que seja.
«De facto, a vida manifestou-se» (1 Jo 1, 2): O Presépio faz-nos ver e tocar este acontecimento único e extraordinário que mudou o curso da história e a partir do qual também se contam os anos, antes e depois de Cristo.
Deus é surpresa, é imprevisível, aparece fora dos nossos esquemas. Assim o Presépio, ao mesmo tempo que nos mostra Deus tal como entrou no mundo, desafia e convida-nos a sermos seus discípulos, se quisermos alcançar o sentido último da vida (Admirabile Signum n.8).
Na antevéspera de Natal, o papa Francisco usou o Twitter para mandar uma mensagem aos fiéis. O presépio lembra-nos que Deus se fez homem. “Fazer o presépio é celebrar a proximidade de Deus: é redescobrir que Deus é real, concreto, é Amor humilde, que desceu até nós”, comentou o pontífice. E quer continuar no meio de nós.
“Dentro de três dias, disse no dia 22, será Natal e meu pensamento vai especialmente para as famílias, que nestes dias de festa se reúnem. Que o Natal seja para todos uma ocasião de fraternidade, de crescimento da fé e de gestos de solidariedade para com os necessitados”, destacou o Papa argentino.
Intolerância religiosa e perseguição
2. O Papa Francisco recebeu, no dia 20, o secretário-geral da ONU, António Guterres, em audiência privada, durante a qual gravaram uma mensagem conjunta, em vídeo, contra a indiferença, a intolerância religiosa e a destruição do planeta.
A mensagem rejeita qualquer uso da religião para “incitar ao ódio, à violência, à opressão, ao extremismo e ao fanatismo cego”.
Os dois evocam vários dramas da humanidade atual: guerras, violência, miséria, injustiças, desigualdades, fome, pobreza, crianças que morrem por falta de água, abusadas, migrações forçadas e desrespeito à vida, desde o nascimento até à morte.
“Não podemos, não devemos olhar para o outro lado perante as injustiças, as desigualdades, o escândalo da fome no mundo, da pobreza, das crianças que morrem porque não têm água, comida e cuidados necessários”, afirmou o Papa.
“Não podemos permanecer indiferentes quando a dignidade humana é pisada e explorada, diante dos ataques contra a vida humana, seja a que ainda não nasceu, seja a de qualquer pessoa que precisa de cuidados”, acrescentou Francisco.
Guterres disse: “Este é um tempo de paz e é com tristeza que vejo que as comunidades cristãs – incluindo algumas das mais antigas do mundo – não podem celebrar o Natal em segurança. Tragicamente, vemos judeus a serem assassinados em sinagogas, as suas lápides vandalizadas com suásticas; muçulmanos mortos a tiro nas mesquitas, os seus locais de culto profanados; cristãos mortos em oração, as suas igrejas incendiadas. Temos de fazer mais para promover a compreensão mútua e combater o aumento do ódio”, referiu.
Quanto à corrida armamentista nuclear, o Papa assinala: “É imoral não somente o uso, mas também a posse de armas nucleares”.
Mudanças climáticas
3. O secretário-geral da ONU encontrou-se com o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Parolin, acompanhado pelo secretário do Vaticano para as relações com os Estados, D. Paul Gallagher.
Em cima da mesa estiveram “a dificuldade de gerir alguns dos problemas atuais, como a migração e o tráfico de pessoas, as mudanças climáticas e o desarmamento”.
António Guterres elogiou o Papa Francisco: “É uma voz forte sobre a crise climática, sobre a pobreza e sobre a desigualdade, sobre o multilateralismo, sobre a proteção dos refugiados e migrantes, o desarmamento e sobre muitas outras questões importantes”, E é uma referência no trabalho da ONU pelo “desenvolvimento sustentável, a luta pelas mudanças climáticas e a promoção de uma nova cultura de paz”.
Guterres, “desiludido” com os resultados da COP25, que decorreu em Madrid, observou que “a comunidade internacional perdeu uma importante ocasião para afirmar uma ambição mais decidida sobre a mitigação, a adaptação e o financiamento para lutar contra a crise climática”.























