Deus intervém na história através da ‘visitas’ ao seu povo. Isaías fala-nos do “Emanuel”, do Deus connosco. E Miqueias anuncia Belém como o lugar do nascimento do seu nascimento. Aí dará à luz Aquela que será a Mãe do Salvador. Aí nascerá o futuro Rei de Israel, o Pastor do seu povo. A última intervenção de Deus, com a Encarnação, é também para São Lucas, uma «visita» do Senhor aos seus. (Lc. 1, 68).
Maria está intimamente unida a esta visita ao seu povo. Ela é a morada de Deus entre os homens. Nela se concretiza o encontro de Deus com a humanidade. Com o nascimento de Jesus começa a era messiânica, uma era de Paz, de vitória absoluta sobre o mal, de harmonia na família humana. A entrada de Jesus no mundo está orientada para o drama da cruz e para o triunfo da Páscoa. O esplendor da Páscoa ilumina já a aurora do Natal.
O Presépio representa o nascimento de Jesus. Anuncia o Salvador, com simplicidade e alegria envolvido pela natureza. É um evangelho vivo em que somos convidados a nos deixarmos atrair por Aquele que se fez homem, a fim de se encontrar com todo o homem, com toda a criatura. É uma linda história de amor. A mais bela que poderia acontecer.
Com a carta apostólica “Admirabile Signum” (O sinal admirável), o Papa Francisco quer apoiar a bela tradição de se preparar o presépio nas famílias, nas igrejas, nas escolas, nos hospitais, nos lugares de trabalho, nas praças públicas, … numa imaginação criativa cheia de amor e arte, que encerra uma rica espiritualidade popular.
Deve-se a São Francisco de Assis a sua origem. Ele pediu a um amigo para «representar o Menino nascido em Belém, para de algum modo ver com os olhos do corpo os incómodos que Ele padeceu pela falta das coisas necessárias a um recém-nascido, tendo sido reclinado na palha duma manjedoura, entre o boi e o burro». No dia 25 de dezembro, chegaram a Gréccio muitos frades, e também homens e mulheres da região, trazendo flores e tochas para iluminar aquela noite santa. Francisco, ao chegar, encontrou a manjedoura com palha, o boi e o burro. À vista da representação do Natal, as pessoas lá reunidas manifestaram uma alegria indescritível, como nunca tinham sentido antes.
Assim nasce a tradição: todos à volta da gruta e repletos de alegria, sem qualquer distância entre o acontecimento que se realiza e as pessoas que participam no mistério. Daquele Presépio do Natal de 1223, «todos voltaram para suas casas cheios de inefável alegria».
Na sua mensagem de Natal refere D. Nuno Brás, bispo do Funchal: “Como diz o Papa Francisco, um Presépio é um ‘Sinal Admirável’. Diante dos nossos olhos está a ternura de Deus!”.
Diz ainda o Papa: “Deus faz-Se presente e responde às questões decisivas sobre o sentido da nossa existência: Quem sou eu? Donde venho? Porque nasci neste tempo? Porque hei-de morrer?
Responder a estas perguntas segundo o Evangelho de Jesus é “fazer natal”. E, continua D. Nuno: “a esmagadora maioria dos seres humanos, de todos os tempos, culturas e civilizações procura ser gente de paz, boa e honesta, e viver felizmente com todos, na tranquilidade e harmonia!”
Neste dia, interrompem-se guerras, zangas, antipatias e esforçam por serem simpáticos uns com os outros… Porquê só neste dia?
Que, através de nós, Ele possa tocar hoje e sempre, com o seu amor de ternura, as vidas de todos, porque todos precisamos dele, precisamos de harmonia, de paz e de amor. Todos e em todos os dias do ano, da vida e de todos os tempos!























