D. Nuno na Missa do Parto na Sé: “Sejamos presença e palavra de Deus neste Natal e em toda a nossa vida”

Foto: Duarte Gomes

D. Nuno Brás presidiu esta segunda-feira, dia 23 de dezembro, àquela que foi a sua última Missa do Parto de uma agenda oficial de nove, as quais levaram o prelado até às Paróquias do Curral das Freiras, da Encarnação, de São Martinho, Campanário, Santo Amaro, Santa Cruz, Nazaré, Imaculado Coração de Maria e finalmente à Sé.

E foi perante uma catedral cheia que D. Nuno Brás deixou o convite para que “sejamos presença e palavra de Deus não apenas hoje, não apenas neste Natal, mas sempre e em toda a nossa vida”. É que, explicou, “quando vivemos a fé verdadeiramente, Deus fala e fala a todos, fala através de nós, das nossas palavras, das nossas ações, do nosso ser”.

Numa Eucaristia celebrada por intenção de todos os fiéis da Diocese, mas em particular pelos responsáveis e colaboradores da Secretaria Regional da Cidadania e da Inclusão, o prelado refletiu sobre as leituras e sobre a necessidade de não duvidarmos do cumprimento das promessas de Deus. A falta de fé, de que também nós ainda hoje padecemos, foi o que fez com que Zacarias ficasse mudo. 

“Hoje, depois do nascimento de João Baptista, vemos como o mesmo Zacarias, porque foi fiel àquilo que Deus lhe havia comandado, recuperou a fala para proclamar os louvores e a misericórdia de Deus”, explicou D. Nuno, para logo acrescentar que “esta atitude de Zacarias é de suma importância para nós, porque também nós Cristãos somos tantas vezes assim”. Por outras palavras, “quando nos falta a fé, quando deixamos de ter Deus presente na nossa vida, quando nos esquecemos de Deus e da sua vontade, podemos falar e dizer muitas coisas, mas de facto somos mudos, mudos que não dizem nada. Mudos que estão em silêncio”.

É desta “incapacidade de falar, desta incapacidade de dizer alguma coisa e alguma coisa com sentido”, que somos “muitas vezes acusados”. O mundo, frisou o prelado, “espera de nós a palavra da fé e nós não a dizemos”.

Ao contrário, prosseguiu, “quando vivemos a fé, quando vivemos a nossa relação com Deus, quando Deus está presente na nossa vida, quando deixamos que Deus esteja presente na nossa vida, aí então passamos a falar. Tudo aquilo que dizemos e podemos ir bastante mais longe, tudo aquilo que nós fazemos todas as nossas atitudes são ditadas por esta realidade única que é a de termos Deus connosco”. Aí sim, podemos “fazer a diferença”. É a falar, a dizer a palavra da fé que nos convidava o Evangelho, não apenas “como palavras que saem da boca para fora, mas com gestos, com atitudes, com modos de ser, porque esses transformam o mundo, esses falam de Deus, esses são aquilo que o mundo espera de nós”.

Neste contexto, o bispo diocesano deixou um convite “muito particular” a todos aqueles que trabalham na Secretaria Regional da Cidadania e da Inclusão que disse ser “um lugar chave e essencial para a vida da nossa ilha” para que “em tudo aquilo que disserdes, em tudo aquilo que fizerdes, em todas as vossas atitudes, o vosso modo de ser e de trabalhar, o vosso modo de acolher e de ajudar a resolver tantos problemas sociais, que aí mesmo vá esta palavra de Deus, que aí mesmo vá este Deus connosco”. Não se trata, explicou, “de falar de um modo expresso de Deus, mas trata-se de o mostrar de um modo expresso, de mostrar que Deus nos ama a todos e a cada um, que Ele olha por todos e por cada um, que Deus se preocupa por todos e por cada um”. 

“Peçamos ao Senhor que nos ajude neste Natal ser verdadeiramente esta palavra de Deus, esta presença. O Senhor quer chegar a todos. Todos precisamos Dele. Sejamos esta presença de Deus que ajuda, que acolhe que transforma a nossa vida e a vida de tantos”, concluiu.

Terminada a Eucaristia, concelebrada pelo cónego Vítor, pároco da Sé e pelo Pe. Carlos Almada, seguiu-se o convívio no exterior que voltou a contar com a presença de D. Nuno Brás.