Emergência climática: é preciso ouvir os jovens e agir agora

Chegada de Gretha Thunberg a Lisboa | Foto: Reutes

Implementar Acordo de Paris 

 O Papa Francisco desafiou os participantes na COP25,que decorre em Madrid, a tomar medidas concretas para implementar o Acordo de Paris.

“Parece não haver vontade política para oferecer, com honestidade, responsabilidade e coragem, mais recursos humanos, financeiros e tecnológicos para mitigar os efeitos negativos da mudança climática”, sugere. É importante uma “consciência crescente” na comunidade internacional da necessidade de trabalhar em conjunto na defesa da natureza.

Francisco realça que vários estudos mostram que é “possível limitar o aquecimento global”, o que exige uma “forte vontade política” e uma redefinição do investimento público, dando prioridade às áreas que permitem manter um “planeta saudável para hoje e amanhã”. Encoraja um modelo de desenvolvimento, na solidariedade e alertando para a ligação entre alterações climáticas e pobreza. E que torne consistente a “dignidade humana”.

A mensagem fala numa “mudança de civilização”, em favor do bem comum, face aos desafios das “emergências climáticas”.

Precisamos de aproveitar esta ocasião, através de ações responsáveis nos campos económico, tecnológico, social e educacional”, indica o Papa. E elogia o compromisso das novas gerações, pedindo que os responsáveis políticos não passem aos jovens o “fardo” de resolver os problemas causados pela sua ação.

«Emergência climática»

O Parlamento Europeu declarou o estado de “emergência climática e ambiental” e defendeu que a União Europeia se deve comprometer a reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em 55% até 2030, para atingir a neutralidade climática até 2050. “É preciso agir agora!” Temperatura média do planeta pode subir 3,2º C, alerta ONU.

As cidades portuguesas juntaram-se a um movimento mundial, a 300 cidades de 153 países. São esperados mais de 100 mil manifestantes na Greve Climática Global. 

A iniciativa global partiu da adolescente sueca Greta Thunberg, de 16 anos, ativista na luta contra as alterações climáticas, desafiando políticos de todo o mundo. Ficou conhecida pela denúncia da inércia dos políticos nacionais e internacionais perante as alterações climáticas. No total já se realizaram 63 mil greves climáticas, desde agosto de 2018, que contaram com a participação de 223 países.

Greta em Lisboa

Dezenas de ativistas de todas as idades esperaram na Doca de Santo Amaro pela jovem sueca, Greta Thunberg, que fez a viagem Nova Iorque – Lisboa num veleiro.

O presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, ao recebê-la, sublinhou que a adolescente “é uma das vozes mais notáveis a lutar por todos nós”.

Considerou que “para vencer as alterações climáticas. (…) ou fazemos mais e mais rápido, ou corremos o risco de entrar numa situação incontrolável”. 

Greta agradeceu a receção calorosa de alguns ativistas e  prometeu continuar a pressionar os líderes políticos a tomarem ações contra as alterações climáticas. Temos de trabalhar em conjunto para salvar a vida da humanidade”, disse a jovem.

Temos de agir agora

A representante da Plataforma Portuguesa das ONGD na Conferência sobre o Clima (COP25), Ana Patrícia Fonseca, disse à Ecclesia que se vivem, em Madrid, dias de “grande expetativa” e de “apelo da urgência na ação”.

Os 196 países chegam à COP “com todas as evidências científicas, com as soluções técnicas para resolver o problema e com caminhos dados pelos povos indígenas que nos mostram como viver com as alterações climáticas”.

“É agora o tempo de agir”, afirmou. Nós já sabemos o que temos de fazer: a sociedade civil, os governos, as empresas todas sabem qual o seu papel, resta agora agir. Dos países do G20: “Espera-se um contributo mais ambicioso.

“Acredito muito no poder da sociedade civil capaz de informar e passar mensagens positivas e que apelam a uma ação forte e urgente”, concluiu.