São Francisco Xavier: o «Apóstolo do Oriente»

D.R.

Um homem para os outros

1. A Igreja católica celebra hoje, 3 de dezembro, a festa de São Francisco de Xavier, o grande “Apóstolo do Oriente” pela sua atividade missionária especialmente na Índia Portuguesa e no Japão. Pioneiro e cofundador da Companhia de Jesus, foi canonizado pelo Papa Gregório XV a 12/03/1622, juntamente com Inácio de Loyola. Em 14 de dezembro de 1927 o Papa Pio XI proclamou Francisco Xavier (Francisco de Xavier), padroeiro universal das missões, juntamente com Santa Teresinha do Menino Jesus. 

Nasceu no castelo de Xavier, Espanha, a 7 de Abril de 1506. Aos 19 anos está em Paris, a estudar Humanidades. Forma-se em Filosofia e Teologia na Sorbonne.

Fez amizade com Inácio de Loyola, e com ele e mais alguns, colocaram-se à disposição do Papa, para serem enviados aonde houvesse maior necessidade. Estavam fundando a Companhia de Jesus, congregação religiosa destinada ao ensino, à conversão e à caridade.

Missionário do padroado português

2. O rei de Portugal D. João III, pediu ao Papa Paulo III missionários para espalhar a fé cristã nos territórios descobertos pelos portugueses. Inácio de Loyola, a pedido do Papa, escolhe Simão Rodrigues e Nicolau Bobadilla para essa missão. Este adoece e Francisco é nomeado seu substituto. Chega a Portugal em 1540.

Parte de Lisboa  a 7 de Abril de 1541. Em agosto ancoraram junto da ilha de Moçambique. Os muitos doentes de escorbuto, obrigou a permanecer ali durante seis meses. 

A 6 de maio de 1542 chegaram à capital do Estado Português da Índia. As primeiras impressões de Francisco sobre Goa foram muito favoráveis, tendo ficado entusiasmado com a quantidade de indianos que falavam português, de igrejas e de convertidos. 

No entanto, depressa se apercebeu de que muitos convertidos praticavam ainda paralelamente cultos hindus e muitos portugueses davam mau exemplo, defendendo as virtudes cristãs mas não as praticando. Decidiu dedicar-se à evangelização dos portugueses e depois à conversão. Resto do tempo: visitar as prisões, tratar dos doentes no Hospital Real e dos leprosos no de São Lázaro.

Na “Costa da Pescaria” e em Malaca

3. A 20/09/1543, parte na sua primeira ação missionária para a “Costa de Pescaria”, território dos paravás – os pescadores foram muito recetivos à religião cristã. Viveu numa gruta nas rochas junto ao mar catequizando as crianças durante três meses em 1544. Levou alguns deles consigo para Goa, onde os pôs a estudar no Seminário, para serem missionários.

Em dezembro 1547, em Malaca, conhece um nobre japonês de nome Angiró, que viajara do Japão com o propósito de conhecer Francisco. Angiró recebeu o batismo. Era samurai e, como tal, tornar-se-ia um valiosíssimo mediador e tradutor para uma missão ao Japão.

Missão no Japão

4. De Goa levou inúmeros presentes para o “rei do Japão”, já que tencionava apresentar-se como representante da cristandade.

Chegaram a 27/07/1549, mas só a 15 de agosto é que foram autorizados a aportar em Kagoxima, ilha de Kiushu. Ficou hospedado na família de Angiró até outubro de 1550. Depois, até dezembro desse ano, residiu em Yamaguchi e, antes do Natal, partiu para Quioto, mas não conseguiu autorização para visitar o imperador. Regressou a Yamaguchi em março de 1551, onde o daimio daquela província o autorizou a Missão pregar. 

Francisco teve um forte impacto no Japão, tendo sido o primeiro jesuíta a lá ir em missão. A barreira da comunicação era enorme, visto o japonês ser uma língua diferente de todas as que os missionários tinham encontrado até aí. Francisco teve dificuldade em explicar-lhes o conceito de Deus criador. 

O conceito de Inferno foi também difícil de explicar, pois os japoneses não aguentavam a conceção de que os seus antepassados podiam estar num “inferno eterno” não sendo possível libertá-los. Apesar das diferenças religiosas, Francisco de Xavier sentiu que os japoneses eram um povo bom e que por isso poderiam ser convertidos. 

A passagem de Francisco Xavier pelo Japão foi considerada muito frutuosa. Trabalhou durante mais de dois anos tendo escrito um livro em japonês sobre a criação do mundo e a vida de Cristo.

Regressando a Goa, ocupou-se com enviar para várias regiões da Índia os novos jesuítas recém-chegados, e também com a direção do Colégio São Paulo, que formava catequistas e padres asiáticos, e promoveu a tradução de livros religiosos para as línguas locais.

O sonho da ‘Missão da China’

5. Francisco Xavier acalentava o sonho de ir missionar na China, onde era proibida a entrada de estrangeiros. Parte a 14 de abril de 1552, convencido de que conseguiria infiltrar-se secretamente e cativar chineses para o cristianismo. Desembarcou na ilha de Sanchoão e, quando se encontrava em negociações com um mercador chinês que prometera levá-lo consigo, foi atacado por febres violentas.

Morre a 3 de dezembro de 1552, numa humilde esteira, abraçado ao crucifixo. “Só e pobre”. Foi sepultado em Sanchoão, mas, em fevereiro de 1553, os seus restos mortais, encontrados incorruptos, foram levados para a igreja de São Paulo, em Malaca. Uma campa aberta na igreja mostra hoje o lugar, como eu mesmo pude ver, onde esteve sepultado. 

Depois foi levado para Goa, onde chegou a 16 de março de 1554, e repousa na Basílica do Bom Jesus (na Velha Goa), numa urna de prata. 

Aqui milhares de peregrinos veneram o “homem bom”, o “apóstolo incansável”, que percorreu milhares de quilómetros, cruzando o Índico e o Pacífico em missão. A fama do “Santo de Goa”, chegou a toda a parte como exemplo de humildade, solidariedade cristã, amor ao próximo e pobreza evangélica. Como peregrino, também eu, com um grupo de portugueses, celebrei na capela onde está a urna com seu corpo.

A Igreja do nosso tempo precisa de servidores cultos e santos, apaixonados por Jesus de Nazaré, como Francisco de Xavier.