Quem reina?

D.R.

A solenidade de Cristo Rei poderá, eventualmente, causar “urticária” a alguns: que tem Jesus Cristo de Rei, ou que terá Ele a ver com a monarquia? É verdade que foi o próprio Jesus a dizer que era “rei”, quando Pilatos o interrogou acerca disso (Jo 18,36-37), mas logo acrescentou que o seu reino não é deste mundo.

A questão, obviamente, não é acerca da escolha de um regime político. A questão é acerca do que rege a nossa vida: que é que, verdadeiramente, nos importa? Que é que conduz as nossas escolhas?

Podemos ser reis de nós mesmos: tudo o que fazemos e somos é para nos tornarmos superiores aos outros. Tudo e todos giram à nossa volta.

Podemos deixar que em nós mandem um conjunto de ideias ou de valores. Seremos conduzidos por uma ideologia, uma ideia porventura muito boa e ideal acerca do ser humano, mas que depressa se mostrará uma ditadura desumana, que submete os homens à realização de um ideal.

Podemos até deixar que em nós mandem os outros. Que nos esqueçamos de tal modo de nós mesmos que corramos o risco de desaparecer, de nos aniquilarmos…

Nós, cristãos, deixamos que Jesus nos conduza, que seja o nosso rei — Ele é “o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6). Na cruz, Ele recusou salvar-se a si próprio para entregar a sua vida nas mãos do Pai, por todos nós. 

Para todos aqueles que se deixam conduzir por Ele, a cruz abriu a porta a um novo modo de viver: não esmagamos os outros para nos enaltecermos a nós mesmos; não somos esmagados por nenhuma ideia; não desaparecemos em favor dos outros. Simplesmente encontramos o nosso verdadeiro lugar, com Deus e com os irmãos. Somos nós mesmos: filhos de Deus, construtores de fraternidade.