Morte, a mal amada

D.R.

Por Maria Susana Mexia

A ideia da morte, longe de ser um pensamento macabro herdado do paganismo, deve iluminar a nossa vida que se encaminha para o seu fim natural, para essa transformação do hoje confinado da existência temporal num amanhã luminoso e sem fim.

Meditar a morte dá-nos lições de vida, ensina-nos a viver bem cada dia como se fosse único, a não deixar fugir um sequer, pois todos estão contados, a aproveitar o presente e a usufruí-lo como se fossem jóias preciosas de passaporte para a eternidade.

Porque a vida é breve, há que rentabilizar este tempo de merecer, vivendo-o em plenitude com o coração e a cabeça no que fazemos, sem nos preocuparmos muito com o passado, nem nos inquietarmos excessivamente com o futuro – a cada dia seu cuidado.

Não é que tenhamos pouco tempo mas, naturalmente, já perdemos muito, logo urge aproveitar o que nos resta.

Quando a vida chegar ao fim, que não seja uma vela que se consumiu, mas uma tapeçaria que acabou de se tecer.

Que bom seria podermos vê-la do lado de lá serenamente, e podermos sorrir na contemplação da obra acabada, resultado de termos aproveitado bem o tempo em cada dia da nossa precária existência.

Todos vamos caminhando pela vida, e com o passar dos anos, alguns dos nossos mais queridos vão partindo para outra morada, mudam de casa e sabemos que também nós, um dia, iremos viver para junto deles.

Alegremo-nos pois com a vida neste mundo e naquele que está por vir, e na hora da nossa partida, saibamos dizer um confiante “Até Logo”.