Catequistas madeirenses participaram nas Jornadas Nacionais e contam como foi a experiência

O grupo da Diocese do Funchal era composto por 62 pessoas, oriundas de várias paróquias.

D.R.

Sob o tema geral “Uma Catequese Inovadora”, decorreram em Fátima, entre os dias 25 e 27 de outubro, as Jornadas Nacionais de Catequistas 2019, cujo programa da formação se centrou nos adolescentes.

Do programa, de acordo com nota que nos foi enviada, constou ainda uma homenagem ao Monsenhor Amílcar do Amaral, no centenário do seu nascimento. Monsenhor Amílcar Amaral, sacerdote da Diocese de Aveiro, foi presidente do Secretariado da Catequese, criado a 29 de março de 1949 e o autor dos catecismos nacionais ‘A Doutrina Cristã’. A ele se deve ainda, explica a referida nota, “a existência de um programa, a divisão dos grupos catequéticos por faixa etárias, os guias dos catequistas e os catecismos para os catequizandos, sempre “numa constante preocupação teológica e catequética que apresentava, pela primeira vez, uma preocupação gráfica de assinalar”.

A Diocese do Funchal participou nestas jornadas com um grupo de 62 catequistas, provenientes das Paróquias de Água de Pena, Álamos, Arco da Calheta, Bom Sucesso, Câmara de Lobos, Campanário, Caniço, Caniçal, Carmo, Cristo Rei, Coração de Jesus, Eiras, Encarnação, Fátima, Graça, Imaculado Coração de Maria, Quinta Grande, Loreto, Machico, Nazaré, Piquinho, Porto da Cruz, Preces, Santa Luzia, Santo Amaro, Santo António, Santa Cruz, Santa Maria Maior, Santo da Serra, São Gonçalo, São Roque, Sé e Vitória.

Seguem-se testemunhos de alguns desses catequistas que participaram nestas jornadas:

Laura Berenguer, Paróquia do Piquinho – Valeu a pena e foi com muita satisfação que participei nas Jornadas da Catequese. Sinto-me mais forte para acolher os meninos do 2.º ano como mãe espiritual. É necessário educar, acolher, amá-los, ouvir as crianças e jovens Todos juntos saberemos acolher as Crianças e jovens que Jesus coloca ao nosso cuidado. Há muito para fazer e que Espirito Santo nos conduza sempre e ajude nesta Missão.

Luís Carvalho, Paróquia dos Álamos – Como primeira experiência de Jornadas de Catequistas para mim foi igualmente um gosto e marcante oportunidade de viver em 3 dias momentos tão distintos, mas tão profundos (convívio, oração, formação), apesar do “esforço” físico a que fomos sujeitos devido à distância que percorremos diariamente, mas que com a proteção e bênção de N. Senhora de Fátima conseguimos superar porque a Fé move montanhas.

Maria Gonçalves, Maria da Luz Alves e Lígia Gomes, Paróquia de Cristo Rei, Ponta do Sol –  A nossa experiência nas Jornadas Nacionais de Catequistas 2019, foi muito enriquecedora. Iniciou-se com uma homenagem ao Mons. Amílcar do Amaral, um homem à frente do seu tempo que inovou os catecismos utilizando para isso ilustrações atrativas e realistas para chamar atenção das crianças, através dos quais a criança consegue ir à Fonte, a Palavra de Deus. No segundo dia os temas incidiram sobre os adolescentes na catequese nos dias de hoje. Estes devem ser agentes ativos na comunidade cristã, sendo que cada jovem é um evangelizador. A catequese deverá ser não para os jovens, mas COM os jovens, sendo que os catequistas deverão fazer a experiência de ser acompanhados, fazendo seu o percurso dos jovens através do trabalho em equipa. Os jovens esperam que os “contratem” para as Jornadas Mundiais da Juventude. No último dia, discutiu-se o papel da família na evangelização, como sendo o centro da missão evangelizadora. Foram três dias de grande aprendizagem, com convívio muito agradável com os restantes participantes.

Sandra Moniz, Paróquia do Caniçal – Foi uma lufada de ar fresco, lembrando que temos de evoluir com o tempo e a realidade. A realidade da juventude de hoje, não fazendo o hoje igual a ontem nem o amanhã igual a hoje. Evoluir sempre e com o Espírito Santo. Foi uma realidade dos tempos de hoje e novo estudo para tempos próximos. Pensar e trabalhar em conjunto (famílias, catequistas e professores) para que todos rememos na mesma maré com mais oração, mais convivência, mais confraternidade, mais Fé. É uma certeza que hoje já não sou mais eu… sou eu, Deus e todos nós, porque “eu só pouco farei, mas juntos tudo podemos.” Foi uma experiência que não voltará a ser a mesma; outras virão, mas não iguais a esta. Serão com outras novidades e realidades porque a vida continua “sempre prá frente”. A união faz a força. Juntemos as nossas ideias, trabalhando em conjunto para tornarmos o mundo um pouco melhor. Foi uma aprendizagem para melhor trabalhar na saga de Deus. Fiquei com o sentimento de que se eu não vivo para servir, também não sirvo para viver. Serei apenas mais uma pessoa pobre de espírito e alma. Evangelizar sempre no Espírito Santo.

Dolores Jardim, Paróquia de Água de Pena – Foram 3 dias de aprendizagem, oração, convívio e partilha. Foram um contributo muito positivo para a minha formação pessoal e catequética. Muito obrigada.

Maria José Melim, Paróquia das Preces – Novamente nestas jornadas.A alegria do encontro com Jesus Cristo. Na narração bíblica, na palavra de Deus, vivida e escutada. A catequese tem que adaptar-se a quem é dirigida, para que a mensagem, encontre o seu lugar, e tenha os seus frutos.

Maria Fátima Fernandes, Paróquia do Campanário – Pois bem, relativamente às Jornadas, devo dizer que os temas foram adequados e pertinentes à nossa realidade, é bom saber que a nível nacional partilhamos o mesmo sentimento de querer fazer mais e melhor e isto só será possível se trabalharmos em conjunto. Um dos testemunhos que mais me marcou foi o do D. Anacleto Oliveira, identifiquei me com o que partilhou, a forma de estar com os jovens, sermos um deles, ir ao encontro das suas ambições e das suas preocupações, a Fé não é uma “coisa” que só “usamos” de vez em quando, quando nos dá jeito, mas é sim, algo que vivemos no nosso dia-a-dia, nos nossos gestos e nas tarefas mais banais… Resumindo: foi muito bom e renovador. No entanto, tenho uma observação a fazer em relação à organização do tempo de estada em Fátima… devíamos ter mais um tempinho livre, para viver e sentir Fátima, para sentar no santuário sem pressa… e falar com a Mãe… sabe sempre a pouco.

Bernardete Castro, Paróquia de Machico – As jornadas nacionais de catequese são momentos enriquecedores de partilha e de encontro. O que me levou a participar foi fazer catequese com os adolescentes, a busca de um modelo… Destas jornadas o que apreendi, para além dos momentos de encontro com as outras catequistas, foi que a essência da catequese, da evangelização está na Palavra de Deus, na Sagrada Escritura, isto é, colocar a Palavra de Deus no centro da catequese e da evangelização. A “receita” para fazer catequese, para tornar a presença de Deus vivo nas nossas catequeses, nas nossas comunidades, nas nossas crianças, nas nossas famílias passa por tornar a Palavra de Deus viva, presente e por cada um de nós catequistas sermos testemunhas dessa Palavra, sermos o reflexo da Palavra pelo nosso agir, pelo nosso testemunho. É fazer o encontro do catequizando com a Palavra, proporcionar a leitura, o conhecimento da Palavra, o que fortalece a Fé. Temos essa responsabilidade pois é no encontro com a Palavra de Deus que nasce a Fé e que a fortalece. A catequese é uma partilha, uma comunhão, um verdadeiro encontro com a Palavra com Jesus Cristo. A preocupação da Igreja e da catequese com a atualidade dos tempos, é tornar a catequese inovadora e fazer verdadeiros momentos de encontro, em que cada um de nós tem que se renovar e deixar o Espírito Santo atuar. Proporcionar momentos de encontro com Deus, com Jesus, com a Palavra de Deus em cada encontro com as crianças, com os adolescentes e com as famílias… contribuir que cada família seja uma igreja doméstica. Foi um verdadeiro encontro que muito apreciei.

Raquel Costa, Paróquia da Nazaré – Jornadas da catequese, foi para mim encontrar pessoas como eu no gosto de evangelizar com crianças e adolescentes. E perceber que não estamos sós nesta caminhada de mostrar aos jovens que caminhar com Cristo é saborear a vida com maior esperança. Catequese familiar foi o que mais me impressionou pois torna possível pais e crianças/adolescentes envolvidos nos temas da catequese e assim ver mais união entre pais, catequistas, crianças e Igreja. Educar as crianças na fé começa em casa com os pais como primeiros catequistas.

Rita Jardim, Centro de Catequese da igreja do Carmo, Funchal – Para mim foi enorme a emoção de participar nas Jornadas de Catequistas em Fátima: privilégio único, experiência de inovação catequética, fé e testemunho. O catequista, para transmitir a Palavra de Deus, tem que A vivenciar. A experiência pessoal da Palavra ajuda na Sua transmissão aos catequizandos, ajudando-os a fazer o caminho da Fé, a conhecer e a amar Jesus presente na Palavra do Evangelho. Envolver-se, fortificar, acompanhar os catequizandos no crescimento do amor fraterno a Jesus, contribuir para jovens inspirados na vida de Jesus. Já há muito tempo desejo trazer às catequeses os Pais a acompanhar os seus filhos na Fé em Jesus e dar o exemplo, porque o primeiro ambiente de acompanhamento na Fé e Oração deve ser na família. Não é fácil e alguns pais têm mais pressa que os filhos. Todos os oradores foram muito expressivos. Falaram-nos que Deus é Amor, como melhor entender os Evangelhos e como catequizar. O que mais me sensibilizou foi o Senhor Dom Anacleto que falou da sua vida com muita humildade, sinceridade, até com graça e muito humano. E a jovem que foi abandonada pela mãe, mas apesar de sofrer muito, pediu a Jesus que a ajudasse a superar a sua dor, continuou a caminhar com muita fé em jesus e hoje, já com 17 anos, é feliz e chefe de acólitos, que trata carinhosamente como filhos. Jamais esquecerei esta experiência sentida e vivenciada nesta Jornada de Catequistas em Fátima, em cujo programa se incluíram também a oração do Terço com a procissão das velas (o meu coração transbordou de alegria) e a Sagrada Eucaristia na Basílica da Santíssima Trindade, na conclusão do encontro. Foi a primeira vez que participei na Eucaristia na dita Basílica. Inesquecível!

Maria Jacinta Faria Catequista da Paróquia do Imaculado Coração de Maria, Funchal – Este ano tive o privilégio de me integrar no grupo de catequistas para as Jornadas Nacionais de Catequistas, que se realizou em Fátima de 25 a 27 de outubro de 2019, com o tema “Uma catequese inovadora”. Gostei muito desta formação. Para além de colocar os meus pés naquele belíssimo espaço pela primeira vez, foi muito bom conhecer muito mais acerca da catequese em Portugal e não só. Foi gratificante trocar impressões com colegas de outros locais, foi muito enriquecedor. O que mais me sensibilizou nesta peregrinação foi o testemunho de uma jovem que foi abandonada pela sua mãe. Foi criada pela avó e esta levou-a e acompanhou-a à Catequese, e desde cedo descobriu que gostava muito de Jesus, desta forma, o senhor padre convidou-a para ser acolita e quando já estava no 6º volume de catequese, ajudava os outros catequistas a dar catequese aos volumes dos mais pequeninos. Mais tarde foi lhe pedido para preparar os acólitos. Esta jovem deixou-se tocar pela presença de Cristo, ele está sempre connosco!

Augusta Rodrigues, Paróquia do Piquinho – Nestas jornadas foi enriquecedor espiritualmente. A importância da palavra de Deus na catequese, a bíblia é fonte e modelo. A igreja deve ser mediadora, tem de haver relação direta entre a fé e a palavra de Deus, porque tudo o que nos toca enche-nos de vida.

Luciana Oliveira, Paróquia de Câmara de Lobos, São Sebastião – A minha estreia nas Jornadas Nacionais de Catequistas 2019, foi muito positiva e enriquecedora. São momentos vividos, sentidos e de partilha com outras catequistas. Em síntese, a Palavra de Deus (A Bíblia) deve ser sempre o centro das nossas catequeses. A Bíblia é o grande livro da catequese que põe nos em comunhão direta com Deus. Não há fé sem encontro com a Palavra de Deus.

Sónia Martins, Paróquia do Sagrado Coração de Jesus – A jornada nacional de catequese foi uma experiência muito enriquecedora, em todas as vertentes. Todas as conferências levaram-nos a uma reflexão profunda da evolução que a nossa catequese sofreu e do que ainda é necessário evoluir. Nestes dias de paragem e reflexão, foi-nos dado um alerta de que precisa-se uma catequese mais ativa que não copie estratégias ideais, mas que as adapte ao grupo e ao local. É necessário um modelo que se adapte à idade e que não seja escolar, mas vivencial catecumenal, que não se baseie só no conhecimento cerebral mas no encontro pessoal com Jesus Cristo. Todos aprendemos com a experiência uns dos outros, e mais ainda nestes encontros interparoquiais, onde sentimos que ninguém sobrevive sozinho, mas que também ninguém quer ser comandado. É preciso cada vez mais sermos nós próprios. A catequese tem que ser um grupo de verdadeiros amigos, que depende do encontro uns com os outros, onde discutem, refletem, rezam, cantam etc. Com a partilha, vimos que cada vez mais no grupo de catequese, é necessário descobrir os líderes e promove-los, torna-los protagonistas da sua formação; há que propor as atividades e não impô-las, tendo sempre por base a sagrada escritura, lendo-a com inteligência e sentindo-a com o coração, pois só assim a poderemos colocar em prática, por forma a ajudar-nos a encontrarmo-nos a nós próprios e com Deus que nos chama em igreja para discernimento da nossa própria vocação. Resumindo precisamos de uma catequese inovadora, onde os adolescentes/Jovens deverão partir da experiência humana, passando para o encontro com a palavra, para por fim expressar a sua Fé, aprendendo a tornar prático tudo o que foi dado. Cada vez mais é necessário ensinar o sentido da vida e fazê-los compreender que compromissos terão que assumir na sua vida, na sociedade, não esquecendo os valores. Esta jornada alertou-nos que há muito ainda por fazer… Foi um verdadeiro e proveitoso encontro. Que venha muitos mais assim!