Fiéis Defuntos: D. Nuno diz que é preciso encontrar “perspetiva cristã” de viver o drama da morte

Foto: Duarte Gomes

A Igreja celebra a 2 de novembro a memória litúrgica dos fiéis defuntos, com muitos batizados a cumprir a tradição de visitar os cemitérios, onde foram sepultados os seus familiares e amigos, e a participar nas celebrações religiosas que se realizam neste dia.

Uma dessas celebrações teve lugar na tarde de ontem, no Cemitério de São Martinho, e foi presidida pelo bispo do Funchal e concelebrada por vários outros sacerdotes.

Numa homilia centrada nas “tantas interrogações que a morte sempre nos coloca” e no facto da mesma, “por muito certa que seja”, parecer “entrar em contradição” com a nossa luta diária por uma vida melhor e por um mundo melhor”, o certo é que “não podemos deixar de trabalhar e de sonhar!”. Isso mesmo fez questão de referir D. Nuno Brás que, de resto, sublinhou que “não podemos nunca abandonar a procura acerca de alguma outra certeza que ilumine todo esse drama, toda essa luta humana.” 

Na verdade, disse, é necessário que encontremos uma forma de “viver tudo isto numa perspectiva cristã”. E o momento primeiro dessa vida, a vida com o Senhor, é o batismo. “O baptismo constitui uma verdadeira mudança na nossa existência: passamos a estar, a viver com o Senhor.”  

No baptismo, frisou o bispo diocesano, “não se trata de inscrever alguém numa religião — como se o cristianismo e a fé fossem comparáveis à escolha de um clube de futebol ou de um partido político!”. 

No baptismo, explicou, “recebermos uma outra vida”. Trata-se, acrescentou, de “acolher em nós uma nova realidade, mesmo que esta seja invisível a olho nu: trata-se de acolher a vida de Deus em nós”, porque “verdadeiramente, quando alguém é baptizado, o Senhor passa a estar com ele.”

É esta, prosseguiu “a maravilha de sermos cristãos: vivemos em Cristo”. A graça de Deus “passa a actuar em nós e nunca nos abandonará — somos nós quem a pode abandonar!” É esta certeza “que transforma o nosso viver. É esta certeza que transforma o nosso morrer. É esta certeza que nos convida a morrer constantemente para o homem velho (como diz tantas vezes S. Paulo), para vivermos para o homem novo e com o homem novo que é Jesus Cristo.”

“Estaremos sempre com o Senhor. Essa é a certeza que constrói o cristão. Essa é a certeza com a qual o cristão vive todas as fronteiras, também aquela da morte. Essa é a certeza, a certeza da fé. Na vida, na morte e na vida depois dela, estaremos sempre com o Senhor. E isso nos basta.” 

E se na Solenidade de Todos os Santos, “louvávamos o Senhor pelas maravilhas que realizou e realiza através dos Santos, daqueles que lhe pertenceram plenamente já nesta vida, hoje, na Comemoração dos Fiéis Defuntos, pedimos-Lhe — nós que ainda vivemos e caminhamos neste mundo — pedimos-Lhe que nos mostre a sua misericórdia.” 

“E pedimos também, concluiu, por todos e para todos os que morreram em Cristo e a Ele pertenciam e já partiram, que Ele se lhes mostre como Juiz misericordioso, a todos purifique das suas culpas, e a todos acolha na glória eterna.”

Terminada a Eucaristia, os muitos fiéis presentes foram convidados a rezar no jazigo dos sacerdotes falecidos, bem como junto ao túmulo de D. Francisco Santana, antigo bispo da Diocese.