Fiéis defuntos: família defuntos e flores

D.R.

Nem eternos nem donos do tempo

O Papa Francisco propôs três reflexões para nos salvar da ilusão de sermos donos do tempo. “Nós não somos nem eternos nem efémeros: somos seres humanos em caminho no tempo, tempo que começa e tempo que acaba”, disse. Perante esta constatação, Francisco propôs três ideias: a morte é um fato, uma herança e uma memória.

Nós podemos pensar e imaginar que somos eternos. Cedo ou tarde, chega a morte. Toca a todos. Estamos em caminho. Todos sabemos disso. E não há bilhetes de ida e volta. Por isso a Igreja sempre buscou refletir sobre este nosso fim: a morte.

Repetir “eu não sou o dono do tempo”, ajuda. “Estou em caminho e devo olhar avante.” Vou embora e deixo uma herança. Não me refiro aos bens materiais, mas à herança do testemunho. O morto era um santo, – assim é canonizado pelo povo – e, dizem alguns “porque não representa mais uma ameaça para nós”.

Quando morrer, o que gostaria ter feito na vida de hoje? Acertemos bem as decisões que temos de tomar todos os dias

Dia dos defuntos

 “O Dia de Finados teve sua data fixada em 2 de novembro durante o século XI, pelos monges, de Cluny, na França”. Ficou conhecido como o dia em que se celebra a vida e a morte. É dia de oração e de gratidão para com todos aqueles que passaram pela nossa vida e nos fizeram bem.

É assinalado por todo o mundo, de forma diferente, respeitando as idiossincrasias culturais de cada povo. Não obstante os mortos são sempre lembrados.

No México, prestam homenagem aos familiares e amigos que morreram com uma enorme festividade, o “Dia de Los Muertos”, ritual declarado Património da Humanidade pela UNESCO (2003). 

Em Portugal o Dia dos Finados é celebrado também em 2 de Novembro. Neste dia, milhares de Portugueses rumam aos cemitérios para prestar homenagem aos entes queridos ali sepultados. As campas são enfeitadas com flores sóbrias e discretas. Velas são acesas.

Estar com a família

Por todo o país vêem-se famílias a irem às suas terras natais no dia de Todos-os-Santos, 1 de Novembro. Mas a viagem tem sempre o Dia dos Fiéis defuntos como pano de fundo. No entanto a maior romaria, mesmo aos cemitérios, acaba mesmo por ser no dia anterior e véspera. Convive-se com os parentes e amigos.

Entre os povos latinos do sul da Europa, domina a saudade. A saudade e a importância da família para os Portugueses, tornam esta ‘festa’ uma das mais importantes do nosso povo. Chorar de saudade e sorrir ao recordar, valida ‘a montanha russa de emoções’ a que todos estamos sujeitos. É o ciclo: nascer, crescer, dar fruto e morrer.

É uma festa silenciosa de reflexão e partilha.

Flores da esperança

Papa Francisco, em 2016, celebrou num cemitério de Roma e começou por depositar, simbolicamente, um ramo de flores junto a um dos túmulos. E disse: “Um cemitério é triste, lembra-nos os nossos que já partiram, lembra-nos também o futuro, mas a esta tristeza trazemos flores, como sinal de esperança”. “Flores da esperança”, que simbolizam, para os cristãos, a “esperança da ressurreição”, da vitória da vida sobre a morte. A crise económica reduziu em 35% o consumo de flores este ano. Assim será menor a poluição da atmosfera, pois daqui a poucos dias assistiremos à decomposição das flores, poluindo a atmosfera. Inteligentes são os Israelitas que colocam uma pedrinha sobre a lápide do túmulo.

O Dia dos Fiéis defuntos, é sem dúvida uma das festividades das que mais pessoas movimenta pelo país fora. A tradição Portuguesa tem uma índole fortemente Católica, embora a sociedade esteja a ser invadida pelo ‘carnaval’ das bruxas, e por pessoas   com pouco respeito pelos mortos, pelos vivos, e pela sua dignidade pessoal, num local sagrado, como é um cemitério.

Cumpre-se um ritual de homenagem a quem morreu, valorizando o que a pessoa foi em vida, nos seus bons e maus momentos. Com preces e súplicas ao Deus que nos ama, para que aqueles que já partiram, estejam envolvidos em felicidade.