Sínodo Amazónia: natureza, ser humano e Igreja

D.R.

Apresentado projeto do Documento Final

O texto, que reúne os frutos dos pronunciamentos apresentados durante os trabalhos, passará agora aos Círculos Menores para a elaboração de um documento geral.

No decorrer dos trabalhos de quarta e quinta-feira, o texto, com as emendas propostas, colocadas no Documento Final (por Relator Geral, Secretários, com a ajuda dos Peritos), será revisto pela Comissão para a redação para ser lido na Sala sinodal na sexta-feira à tarde, na 15ª Congregação Geral. Amanhã, sábado à tarde, será apresentado na Sala do Sínodo para as votações.

A natureza, o ser humano e o papel da Igreja são três palavras-chaves do Sínod segundo o Arcebispo de Trujillo, Peru, dom Héctor Miguel Cabrejos, presidente do Conselho Episcopal Latino-americano (CELAM). O prelado chamou a atenção para o amor de São Francisco de Assis pela natureza, retomado também pelo Papa Francisco na Laudato si, 

Convidou a olhar o exemplo de São Francisco e o “Cântico das Criaturas”. O Santo de Assis abraça todas as criaturas com um amor e uma devoção nunca vista, falando-lhes do Senhor e convidando-as a louvá-lo. Pode ser considerado o inventor do sentimento medieval pela natureza.

Cântico das criaturas

Serão as criaturas, como afirma São Francisco no “Cântico”, a cumprir a obra de mediação para louvar a Deus. Elas enchem o vazio do ser humano desprovido, por causa do pecado, de uma voz digna de O louvar. “São Francisco descobre em Deus o lugar da Criação devolve a Criação a Deus, porque vê em Deus não só o Pai de todos, mas o Pai de todas as coisas”.

Dom Gilberto Alfredo Vizcarra Mori, jesuíta, do Peru, preparou-se para este Sínodo indo viver na selva peruana com as comunidades. Ressaltou que esses povos se sentem parte do bioma e não donos da beleza da criação e exortou, em seguida, a readquirir o viver em harmonia com a natureza, aprendendo propriamente com eles.

Serão as criaturas, como afirma São Francisco no “Cântico”, a cumprir a obra de mediação para levar o louvor a Deus.

Foi sugerido ao longo do Sínodo a reflexão sobre a dignidade do ser humano. “Não precisa falar”, recordou, “desses temas como se dissesse respeito somente à Amazónia. Trata-se de um apelo a uma fraternidade universal

Mulheres na sociedade e na Igreja

A presença das mulheres na Igreja é maioria, mas nos âmbitos de decisão é minoria.

O bispo de Potosí e presidente da Conferência Episcopal da Bolívia, dom Ricardo Ernesto Centellas Guzmán, exortou a um maior envolvimento das mulheres nos processos de decisão na Igreja.

Uma Igreja sinodal significa não somente “caminhar juntos”, mas também “decidir juntos”.

Na Igreja Católica masculina, a atividade pastoral é preponderantemente feminina.

Alguns bispos disseram: “o que mais me impressionou neste Sínodo foi sobretudo “a paixão” com que os bispos amazónicos buscam ajudar os povos indígenas, “o mundo tem muito a aprender” com eles.

A Irmã Roselei Bertoldo, da rede “Um Grito pela Vida”, denunciou o tráfico de pessoas na Amazónia, que classifica de “um crime que se interliga com o tráfico de drogas e o tráfico de armas”.

Segundo a religiosa da Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria, o tráfico de pessoas tem poucas denúncias, em particular no que diz respeito “à exploração sexual de meninas e mulheres” das comunidades indígenas, na “servidão doméstica”.

Os grupos de língua portuguesa alertaram para o problema. Pede-se à Igreja que “assuma um trabalho de prevenção junto de crianças e adolescentes sobre o abuso sexual, tráfico de pessoas, narcotráfico e feminicídio”.

Responsabilidade de todos pela Casa comum

Os padres sinodais detiveram-se também na emergência ambiental e nas mudanças climáticas. Foi sublinhado “o atraso” da Comunidade internacional em aplicar o Acordo de Paris, e mencionada a Cop 25 que se realizará em dezembro próximo, no Chile, onde será importante insistir no compromisso pela Casa comum.

No Suriname, vivem milhões de autóctones e descendentes de escravos, uma das nações mais “verdes”: 92% do território é formado pela floresta originária. Se o desmatamento na Amazónia aumentar apenas 5%, haverá um efeito devastador e irreversível”, afirmou, invocando “mudanças nos estilos de vida, como por exemplo, no consumo de carne e na busca de uma economia solidária.