Dia das Missões. Ide… E foram

D.R.

Vivemos tempos de mais perguntas que respostas. Parece que estamos a afinar com as crianças de três quatro anos que não deixam os pais em paz com tantos porquês. Isso é bom sinal. A criança está a desenvolver-se e construir a sua identidade. Mas é triste que a algumas faltem pais para dar respostas e outros escondam as mais bonitas por vergonha, Teofobia e Cristofobia.

Os portugueses poderiam saber mais da sua única identidade histórica missionária sem se deixar roubar da maravilha de os seus missionários terem levado a fé cristã a dezenas de povos. Perguntem a crianças: quem é tua mãe, teu pai? Quem te ensinou isto e quilo? Como sabes? Foi a mãe e pai que mo disseram.

Hoje é dia das missões (dia 20) e o Papa Francisco lembra outro Papa, Bento XV, que há cem anos animou a nossa Mãe Igreja ao dizer: somos «Batizados e enviados… em missão no mundo». Antes da Ascensão, Jesus disse aos apóstolos e discípulos: “ide por todo o mundo; anunciai o Evangelho, batizai…” (Mt.28,19). Como é que tantos povos conheceram a Mãe Igreja e Deus-Pai de Jesus Cristo, e nosso? Como souberam que Jesus Cristo morreu pelos homens e ressuscitou; e disse: ide por todo o mundo dizer isso? Porque pais e mães na fé foram os primeiros a dizer-lhes.

Sabem quem foram os primeiros a levar o evangelho a Angola, a Moçambique, a Madagáscar? Muitos Missionários portugueses e outros com eles a partir de Lisboa. E quem foi anunciar Cristo na Índia, onde S. Tomé já tinha começado o anúncio? E quem foram os primeiros em Ceilão, Sião, Tailândia? Claro, os missionários portugueses. E sabem quem começou a ensinar o evangelho e a escrever a língua do Vietnam com carateres latinos? Missionários idos de Portugal, sendo o primeiro o jesuíta, Francisco de Pina, natural da Guarda.

Quem é que falou primeiro de Jesus Cristo aos chineses, japoneses, aos indonésios, aos filipinos, aos brasileiros, aos timorenses? E quais foram os europeus que anunciaram a fé nas costas de quase toda a África e pelas costas de toda a Ásia do extremo oriente e chegaram primeiro à Austrália? E quem foi o primeiro nas Filipinas? Fernão de Magalhães.

Recordam os que levaram muitos povos a falar a sua língua em países que ainda hoje a falam e a estudam para conhecerem melhor como é que a fé cristã chegou aos seus países? E sabem que nas suas línguas mantêm centenas de palavras portuguesas, nomes de família, de objetos, de vestígios portugueses nos seus territórios? Muitos portugueses sabem; e outros têm vergonha do trabalho destes missionários que evangelizaram e deixaram lusofonia.

Sem os missionários portugueses não haveria hoje a prometedora CPLP. O feito dos navegadores por tanto mundo e a lusofonia não se podem separar do anúncio do Evangelho. Disso ninguém se deve envergonhar. Ainda recentemente uma jornalista escrevia orgulhosa sobre Portugal: «para quem viaja nesse continente (Ásia) vai verificando em placas, relatos e memoriais que os “navegadores” apregoados pelos tuk-tuks, estiveram em toda a parte antes de toda a gente» (Clara Ferreira Alves, Revista Expresso, 14.09.2019).

Foi isso mesmo que também vivemos por todo o Oriente: ao sair do aeroporto de Colombo, Sri-Lanka, nomes portugueses por toda a parte; em Madras (Chenay) e em Cochim dezenas de nomes de bispos portugueses nas catedrais; em Bombaim, o aeroporto de e em “Santa Cruz”; igrejas portuguesas em Bandra; Oryur cheio do santuário de S. João de Brito. Igrejas, monumentos e bairros com nomes portugueses em Malaca, Singapura, Banguecoque, Vietnam, Macau, Nagasáqui, Timor-Leste. Por toda a parte vestígios, palavras, realidades deixados por navegadores e missionários.

Custa a entender que haja portugueses eruditos apostados em omitir e apagar estas páginas da identidade lusitana. Nem se entendem os que só querem um museu de sombras da história dos portugueses para consumo interno e turístico. Só escravatura? Infelizmente houve, mas as páginas da evangelização portuguesa são as que as pessoas desses países mais apreciam recordar com gratidão. E também recordam os bolos de receitas e dançam folklore dos seus antepassados portugueses (Banguecoque, Malaca) e nos dão indicações de igrejas e vestígios dos portugueses nas suas terras (Sri-Lanka); e se orgulham de as ter e do sentido e fé cristã que receberam. “Foram os portugueses os que nos trouxeram a fé cristã”, lembram com ufania. Boas razões para continuar a pôr questões que não escondam as luzes da missionação portuguesa por tanto mundo.

Neste dia das missões ocorre perguntar: a quem dissestes e a quem dizeis quem sou Eu? E responder: na segunda vinda de Cristo, haverá fé sobre a terra porque há missionários (Lc.18,8).