
Na sede da ONU, em Nova Yorque, realizou-se no dia 23 de setembro 2019, a Cúpula de Ação Climática (CAC). Foi convocada pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, em maio de 2018. Estiveram presentes cerca de 65 chefes de Governos e somente poderiam intervir os Estados que fizessem propostas concretas contra a “crise climática”.
O secretário-geral da ONU assumiu o objetivo mais ambicioso de Paris – o de 1,5 grau – e desafiou os Estados a assumirem 4 compromissos muito concretos: não construir novas centrais a carvão a partir de 2020, acabar com os subsídios aos combustíveis fósseis que dificultam a expansão das energias renováveis, planificar para obter o corte de 45% nas emissões em comparação com as de 2010, e alcançar, em 2050, a igualdade entre o carbono expelido para a atmosfera e o capturado, por exemplo, através das florestas.
A União Europeia, que sempre fala com uma voz única nas negociações climáticas e ambientais, esteve a representada por 16 chefes de Estado. No entanto, não conseguiu trazer um plano concreto. A maioria dos 28 deseja a meta de emissões zero até 2050. E espera-se que os líderes europeus se comprometam e aprovem, em breve, a meta de emissões zero até ao ano 2050.
Cientistas especializados em clima apresentaram no domingo, dia 22 setembro, e véspera da Cimeira, um relatório que expõe de que forma, nos últimos anos, o aquecimento global, o aumento de nível dos mares, a diminuição das geleiras e a poluição por carbono aceleraram.
Destacaram a disparidade crescente e evidente entre os objetivos e a realidade do combate às mudanças climáticas… devendo desempenhar papel fundamental a redução das emissões de CO2 no nível local e global. Alertam para a necessidade de triplicar a ambição para frear o aumento da temperatura.
O documento da Organização Meteorológica Mundial (OMM), inclui a situação do clima global e apresenta tendências das emissões e concentrações atmosféricas dos principais gases que contribuem para o efeito estufa; e chama a atenção para o derretimento das geleiras e os aumentos do nível dos oceanos e eventos climáticos extremos.
Os cientistas apontaram que agora existe um risco real de que limiares críticos possam ser ultrapassados… Ondas de calor generalizadas e duradouras, incêndios recordes e outros acontecimentos devastadores como ciclones tropicais, inundações e secas tiveram um impacto significativo no meio ambiente e no desenvolvimento socioeconómico, anota o documento.
No discurso de abertura da CAC, o secretário-geral da ONU disse: “estamos perdendo a corrida da emergência climática, mas ainda podemos vencê-la”.
O papa Francisco: “os compromissos globais para combater a crise climática “ainda são muito frouxos” e questionou se há uma “verdadeira vontade política” para responder à emergência do clima”, disse por videoconferência.
Amazónia foi problema central com vozes em vários tons. Se não se combater o desmatamento “será um suicídio”, alertou o cientista brasileiro Carlos Nobre, um dos especialistas em florestas tropicais mais respeitados do mundo e pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da Universidade Federal de São Paulo.
Segundo José Batista Afonso, advogado de direitos humanos, estão “no meio de um grande conflito”, de um lado estão os que “lutam para proteger a floresta e os seus povos” e do outro “aqueles que querem destruí-la”. Trabalha com a CPT (Comissão Pastoral da Terra), órgão da CNBB, que contabiliza 900 assassinatos de trabalhadores rurais e defensores dos direitos à terra em 50 anos apenas no Pará.
A jovem ativista sueca Greta Thunberg criticou os líderes mundiais pela inação face às alterações climáticas. Lançou o movimento Greve Mundial pelo Clima quando em 2018 decidiu faltar às aulas para protestar junto ao parlamento sueco contra a inação dos políticos em questões ambientais.
“O tempo para salvar o planeta está a esgotar-se”, afirmou. Greta disse que há gente que sofre e que está a morrer, há ecossistemas inteiros a desaparecer, e no planeta se está no início de uma extinção em massa, tudo ao mesmo tempo que os líderes mundiais apenas falam de dinheiro e do “crescimento económico eterno”. Repetiu factos científicos que confirmam o aquecimento global do planeta. A jovem de 16 anos terminou seu discurso, sendo muito aplaudida.
Ativistas que cobram mais ações de políticos americanos para combater as mudanças climáticas, interditaram ruas importantes da capital dos Estados Unidos, no dia da Cimeira.
Não podemos negar a mobilização que a jovem tem conseguido por todo o mundo. No dia 27 ocorreu uma “greve climática mundial” estudantil com mais de 100 milhões de jovens e adultos), que marcharam pelas ruas de muitas cidades em resposta ao apelo desesperado de Greta, feito na “cimeira climática”, e perante a passividade, a falta de respostas concretas que se esperavam, o desinteresse de muitos governantes que ainda não entenderam o grave problema da “emergência climática” que, comprovado pelos cientistas, está tornando inabitável o nosso planeta, a nossa casa comum.























