A proposta era dar a conhecer Ivone Gomes, leiga consagrada da Companhia Missionária do Coração de Jesus, e o seu trabalho mormente a sua ligação à criação da Cooperativa Bontche, uma associação de mulheres que se dedicam à produção de Pano de Pente, pano tradicional da Guiné-Bissau, e à costura, mas acabou por ser muito mais do que isso.
Quem teve oportunidade de estar ontem, dia 19 de setembro, no Centro Cívico de Santa Maria Maior assistiu a uma verdadeira história de superação. Ivone Gomes, tinha tudo para ser só e apenas uma mulher a quem a vida pregou uma série de partidas, a pior das quais foi ficar sem uma perna, num lugar onde os cuidados de saúde e as condições de vida são percários. Mas Deus, Aquele a quem Ivone começou por agradecer “esta oportunidade de estar na Madeira”, tinha outros planos para ela. Com uma tia, com quem acabou por viver porque a mãe não tinha condições e havia outros filhos para criar, começou a prender costura. E não foi fazendo. Foi, como ela diz, “com os olhos”.
Daí até à sua ligação à Igreja e à Companhia Missionária do Coração de Jesus foi um passo, para abreviar uma história que tem tanto de alegrias como de lutas, na sua maioria pelos direitos das mulheres guineenses.
Aprender a ler e a escrever foram os primeiros desafios propostos, mas era preciso garantir a formação, a evangelização, mas também o sustento. Foi aí que surgiu a ideia de criação da Cooperativa Bontche. Mais uma luta a que Ivone não voltou as costas. É que, na Guiné-Bissau a tecelagem é trabalho dos homens e foi preciso ir contra o mito, criado por estes, de que “a mulher não podem fazer tecelagem porque pode morrer”.
A cooperativa, explicou, foi criada para ajudar as mulheres a vender os tecidos que vão produzindo segundo as técnicas tradicionais, mas também para as ajudar a aprender e a desenvolver outras formas de produção mais rentável, bem como outras formas de dar uso ao pano que não apenas no vestuário.
De resto, esse é também um dos objetivos da vinda à Madeira de Ivone Gomes, que acontece num ambito de um projeto de parceria/cooperação entre a Companhia Missionária do Coração de Jesus e a Associação Presença Feminina, presidida por Helena Pestana.
Nesta deslocação, que se prolonga até 25 de setembro, entra também o Grupo Folclórico e Etnográfico da Boa Nova, na pessoa de Danilo Fernandes, que dará a conhecer a tecelagem regional e os vários tipos de tecidos que são produzidos nos nossos teares tradicionais. Conhecimentos que podem ser de grande utilidade para estas mulheres, que querem alargar os seus horizontes e conquistar o seu espaço na Guiné e no mundo.
Além de Ivone, outras voluntárias da Presença Feminina, que já tiveram oportunidade de fazer voluntariado na Guiné e de conhecer a Companhia Missionária do Coração de Jesus, partilharam também os seus testemunhos dessa experiência, com muita emoção e muita saudade à mistura.
Outras ações
Para além da sessão de ontem, a que assistiram, entre outros, alguns alunos da Universidade Sénior de Santa Maria Maior, estão previstas outras sessões de sensibilização e divulgação:
Assim, hoje, dia 20 de setembro, das 16h30m às 17h, haverá uma sessão na igreja do Colégio; Dia 22 de setembro, após a Eucaristia das 11 h, na igreja de Santo António.
Entretanto, no dia 21 de setembro, às 14h30m, encontro com a Companhia Missionária do Coração de Jesus do Funchal na sua sede, junto à escola Jaime Moniz, aberto a amigos.
Sobre a Companhia Missionária
A Companhia Missionária do Coração de Jesus é um Instituto Secular que encontra na contemplação do Coração trespassado de Cristo o fundamento da sua espiritualidade e da sua missão.
Missão de ser fermento, testemunho e anúncio nas estruturas onde cada membro está inserido. A evangelização e a promoção humana são dois aspetos fundamentais da missão CM. Expressos mediante o testemunho vivo do amor de Cristo, o trabalho e a competência profissional, o anúncio da palavra de Deus (catequese, encontros de formação, missões paroquiais), o serviço missionário “ad gentes”, a atenção e serviço aos pobres, a animação cristã dos tempos livres.






















