Perseguição contra os cristãos e o «silêncio dos mídia”

D.R.

O Vaticano denuncia contexto de «genocídio»

O subsecretário do Vaticano para as Relações com os Estados abordou as conclusões de um estudo independente dedicado à perseguição aos cristãos, conforme o ‘Relatório sobre a Perseguição aos Cristãos’, apresentado em Roma, e que já apresentámos num artigo anterior.

O padre Antoine Camilleri, num comentário de imprensa, do Vaticano, salientou a importância deste trabalho para “uma crescente consciencialização à volta do problema da discriminação e perseguição motivada pela crença religiosa” e para denunciar “o contexto trágico em que vivem os cristãos em diversas partes do mundo”.

“Não podemos ignorar o facto de que a perseguição religiosa atinge hoje em larga escala uma variedade de comunidades religiosas, grupos e indivíduos. Muitos destes crimes parecem continuar impunes e a persistir sob pouco mais do que o olhar envergonhado da comunidade internacional”, frisou aquele responsável.

O ocidente e o silêncio dos governantes e mídia 

O ocidente parece estar dormindo e a perseguição contra os cristãos deve aumentar este ano, informava a “Aletheia”, em janeiro 2019. São 300 milhões os cristãos perseguidos em todo o mundo e a situação está piorando.

A Europa deve ser salva porque é um património que “não pode nem deve dissolver-se”. O diálogo e a escuta “a partir da própria identidade” e dos valores humanos e cristãos são o motor para “um processo de relançamento”, “que vá em frente sem interrupções”. Disse-o o Papa Francisco em entrevista concedida a Domenico Agasso, especialista em assuntos do Vaticano, do jornal diário “La Stampa” e coordenador do “Vatican Insider”

Na verdade, na Europa, vive-se um desprezo pela religião baseado numa profunda ignorância e abandono dos valores humanos. Assistimos a perseguições, a igrejas queimadas, a discriminação pela crença, a assaltos a bens da igreja e dos sacerdotes, a vandalizações de espaços sagrados, à ofensa aos direitos da liberdade religiosa, em público, indiferença, e até oposição, aos valores cristãos, ao desrespeito pela dignidade humana integral. 

Onde os valores humanos e cristãos da Europa, que foram referência? A esperança é que a Europa seja o “sonho dos pais fundadores”. Uma visão concretizada pela implementação dessa unidade histórica e cultural, que caracterizou o Velho Continente. O principal desafio nasce do diálogo. “Na União Europeia se deve falar, confrontar, conhecer”, insiste o Papa. “O ponto de partida e reinício são os valores da pessoa humana. A Europa tem raízes humanas e cristãs, é a história que o diz. E quando digo isto, não separo católicos, ortodoxos e protestantes. Todos temos os mesmos valores fundamentais”, afirma. 

Regiões e países mais afetados

Quanto às regiões consideradas em situação mais grave, preocupação vai para os territórios do Médio Oriente e do Norte e Centro de África, onde a realidade da perseguição religiosa é dramática. Entre os países estão a Nigéria, a Eritreia, a China, a Índia, o Paquistão, o Iémene embora eles estejam longe de ser os únicos.

“É crucial que se reconheça a responsabilidade dos líderes religiosos na promoção de uma coexistência pacífica, através do diálogo e da compreensão mútua, para que as respetivas comunidades e crentes respeitem aqueles que professam uma fé diferente, em vez de fomentarem a agressão e a violência”, defendeu o padre Antoine Camilleri. 

E destacou ainda, durante a mesma conferência de imprensa, a urgência de combater “outras formas de discriminação e perseguição religiosa que são igualmente cerceadoras de uma vivência plena da liberdade religiosa, e da prática ou da expressão de convicções, quer em privado quer em público”.

“Refere-se à tendência crescente, mesmo nas democracias consolidadas, de criminalizar ou penalizar os líderes religiosos por apresentarem os fundamentos básicos da sua fé, especialmente em áreas como a vida, o matrimónio ou a família”, completou.