Monte: Bispo do Funchal diz que não podem pedir aos cristãos que “fiquem confinados às realidades espirituais”

O prelado lembrou que vem aí um período eleitoral e que “é importante que todos participem na escolha daqueles que desejamos fiquem à frente da nossa região e do nosso país por um período de 4 anos”.

Foto: Duarte Gomes

O Bispo do Funchal diz que não podem pedir aos cristãos que fiquem “confinados às realidades espirituais”, esquecendo-se “da vida dura, do trabalho, da politica ou até do divertimento” ou para que calem “a verdade do homem na moral, quer dizer, em tudo o que diz respeito às escolhas (pessoais, sociais, comunitárias) que sempre temos que realizar.”

O prelado falava esta manhã, na Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, no Monte, a que presidiu pela primeira vez, e no decorrer da qual afirmou ainda que “isso seria aceitarmos que uma parte importante da nossa existência — aquela que diz respeito à nossa vida corporal, à nossa vida com os outros — estaria fora da salvação”.

Perante uma igreja repleta de fiéis, e contando também com a habitual presença de representantes das principais entidades regionais e municipais, D. Nuno Brás frisou mesmo que “nós cristãos temos não apenas o direito como o dever de falar, de lutar por uma sociedade sempre mais plenamente humana; por relações entre pessoas em que todos possam ser respeitados na sua dignidade; por modos de existência que não caiam em soluções fáceis, mas que nos tornam profundamente desumanos, a nós e a toda a sociedade”.

Depois de reconhecer que se continua a achar que “é mais fácil abortar uma criança que cuidar dela; é mais fácil matar, eutanasiar, um doente ou um idoso que cuidar dele, que proporcionar-lhe os cuidados que estão ao nosso alcance para o ajudar e acompanhar nos seus últimos, mas preciosos momentos da vida”, o prelado lembrou que, dentro de dias, “a nossa Ilha vai entrar num período eleitoral”. É por isso, sublinhou, “é importante que todos participem na escolha daqueles que desejamos fiquem à frente da nossa região e do nosso país por um período de 4 anos — aqueles que hão-de fazer as leis que nos governam; aqueles que hão-de administrar o dinheiro comum proveniente dos impostos que pagamos; aqueles que, em nosso nome, hão-de escolher os caminhos que todos havemos de percorrer”. E, acrescentou, “havemos de o fazer tendo em conta a dignidade de todo o ser humano e os valores cristãos que, desde sempre, dão forma ao nosso viver madeirense e português.” 

Após lembrar que a vida democrática é uma “conquista preciosa da nossa civilização”, D. Nuno Brás explicou que ela faz “corresponder a cada adulto um voto”, sem diferenciar os eleitores “pelo dinheiro que possuem, pelas capacidades que têm ou pela sua notoriedade, mas que a todos iguala pelo facto de serem seres humanos, cidadãos na posse plena das suas capacidades.”

Prosseguiu deixando um apelo “sincero, mas firme” a todos os candidatos: “que este tempo de campanha eleitoral possa ser um tempo e um espaço de civilização. No contraste natural que evidencia a diferença das ideias e das propostas; no mostrar a diferença das pessoas, das suas capacidades e projetos, peço que todos sejam capazes de manter a elevação do debate e o respeito pela dignidade dos intervenientes.”

“Que a Senhora do Monte conduza a todos — eleitores e candidatos — a atitudes dignas e a escolhas acertadas para o bem comum, para o bem da nossa Região e do nosso País, em direção à construção de uma sociedade cada vez mais humana, onde todos possam encontrar um modo de vida que os conduza à glória que, já agora, vemos resplandecer na Virgem Santa Maria, e que é a glória maior, que jamais poderíamos exigir ou imaginar para o ser humano, para nós, mas que Jesus Cristo a todos quer oferecer”, concluiu.