Jovens: Igreja é a verdadeira juventude do mundo

“Ser jovem, ao invés de idade, é um estado do coração”. 

D.R.

1. Uma instituição tão antiga quanto a Igreja, pode renovar-se e voltar a ser jovem em diferentes estágios de sua longa história. O Concílio Vaticano II afirmou que a Igreja “rica num longo passado, sempre caminhando em direção à perfeição humana no tempo e rumo aos destinos últimos da história e da vida, é a verdadeira juventude do mundo”. Nela é sempre possível encontrar Cristo “o companheiro e amigo dos jovens” (Christus Vivit, 34)

A Igreja é jovem quando se renova numa mensagem que envolve a todos; é jovem quando recebe a força sempre nova da Palavra de Deus, da Eucaristia, da presença de Cristo e da força do seu Espírito. (CV, 35)

Membros da Igreja, devemos ter a coragem de testemunhar a beleza da generosidade, do serviço, do perdão, da fidelidade à vocação, da oração, da luta pela justiça e pelo bem comum, do amor aos pobres, da amizade social. (CV, 36)

Mas a Igreja de Cristo pode perder o entusiasmo. São precisamente os jovens que podem ajudá-la a não cair na corrupção, a não parar, a não se orgulhar, a não se transformar em seita, a ser mais pobre e capaz de dar testemunho. Eles podem trazer para a Igreja a beleza da juventude quando estimulam “a capacidade de se doar, de se renovar” (CV, 37)

Aqueles de nós que não somos mais jovens, precisamos de ouvir suas vozes, sentir seus estímulos, em espaços de diálogo e em testemunhos de fraternidade que fascina” (CV, 38)

2.”Se para muitos jovens Deus, religião e Igreja aparecem como palavras vazias, são no entanto sensíveis à figura de Jesus, quando é apresentada de maneira atraente e eficaz”. [14] Por esta razão, a Igreja deve acima de tudo refletir Jesus Cristo. (CV, 39)

No Sínodo foi reconhecido que “um número substancial de jovens, nada pedem à Igreja porque não a consideram significativa para sua existência. Alguns, pedem expressamente que os deixem em paz, porque sentem sua presença como irritante. Esse pedido não surge de um desprezo acrítico, mas «tem suas raízes em motivos sérios e respeitáveis: escândalos sexuais e económicos, o despreparo dos ministros ordenados para captarem a sensibilidade dos jovens, a falta de cuidado na preparação da homilia e na apresentação da Palavra de Deus. (CV, 40)

Há jovens felizes quando vêem uma Igreja capaz de aceitar críticas leais, outros pedem uma Igreja que ouça mais, que não condene constantemente o mundo, não querem uma Igreja silenciosa e tímida. Para ser credível perante a juventude, precisa de reconhecer no que os outros dizem uma luz que pode ajudar a descobrir melhor o Evangelho. Uma Igreja na defensiva, que não se deixa questionar, perde a juventude e torna-se um museu (Verbum Dei, 8)

Uma Igreja viva deve prestar atenção às reivindicações legítimas de mulheres que exigem maior justiça e igualdade, e reagir a várias formas de escravidão, abuso e violência, embora não concorde com tudo o que alguns grupos feministas propõem (CV, 42)

3.Se partirmos da convicção de que o Espírito continua a despertar vocações para o sacerdócio e para a vida religiosa, podemos “lançar as redes novamente” em nome do Senhor, com total confiança. (CV. 274)

 Às vezes, fiz essa proposta aos jovens, que me responderam quase em tom de brincadeira, dizendo: “Não, na verdade não vou nessa direção”. No entanto, anos depois, alguns deles estavam no Seminário. O Senhor não pode falhar em sua promessa de não deixar a Igreja sem pastores. E se alguns sacerdotes não dão um bom testemunho, o Senhor não pára de chamar. Ele não deixa de cuidar de sua amada Igreja. (CV, 275)

Jesus caminha entre nós como fez na Galileia. Caminha pelas nossas ruas, pára e nos ‘olha nos olhos’. Sua ligação é atraente, é fascinante perante muitas propostas bem embaladas, que parecem bonitas e intensas, mas que com o tempo nos deixam esgotados, cansados e sozinhos. Por isso precisamos de procurar espaços de calma e silêncio que permitam refletir, rezar e ver melhor o mundo à nossa volta (CV, 277).

4.Seu crescimento espiritual é expresso sobretudo no amor fraterno, generoso e misericordioso. Que você viva cada vez mais esse “êxtase” que consiste em buscar o bem dos outros, a ponto de dar a vida. (CV, 163)

O “êxtase” nos puxa para fora de nós mesmos e nos eleva, apanhados pelo amor e pela beleza de Deus, e pela beleza oculta em cada ser humano. O Espírito Santo quer empurra-nos para abraçar os outros com amor (CV, 164).

O impulso da juventude se transforma cada vez mais no desejo de criar comunidade. Um provérbio africano diz: “Se você quer ir rápido, ande sozinho. Se você quer ir longe, caminhe com os outros». Não deixemos que nos roubem a fraternidade, na Igreja e no mundo (CV, 167).