Dia Diocesano do Clero: D. Nuno desafia sacerdotes à santidade porque “ser santo não é utopia é ousadia”

Foto: Duarte Gomes

O bispo do Funchal desafiou esta sexta-feira, dia 28 de junho, os sacerdotes da diocese a “serem santos”, porque “ser santo, ser um sacerdote santo, não é utopia; é ousadia”.

O prelado, que falava na Eucaristia que assinalou o Dia Diocesano do Clero, na paróquia do Porto da Cruz, Arciprestado de Santana, frisou que “a muitos outros cristãos Deus quer Santos como pais e mães de família; quer santos como consagrados totalmente à oração ou ao serviço dos irmãos, na vivência dos voto de pobreza, castidade e obediência”. Por outras palavras, “a nós, sacerdotes, Deus quer-nos santos como sacerdotes, exercendo o ministério sacerdotal: presença da graça divina, presença sacramental de Jesus Cristo, procurando viver hoje, na nossa vida, a dimensão sacerdotal que marcou o próprio ministério do Senhor Jesus”.

Em dia da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, D. Nuno Brás aludiu ainda na sua homilia às leituras. Fê-lo para frisar que elas “apresentam-nos vários aspetos essenciais da vocação sacerdotal”. O primeiro, referiu, é que “Jesus Cristo é Pastor” em “primeira pessoa” e “sem necessidade de outro”. Ou seja, “não é cada um de nós que apascenta o Povo de Deus segundo as suas opiniões, de acordo com o seu pensamento ou com os seus sentimentos, gostos e preferências”, é Cristo, o Bom Pastor.

E como Bom Pastor, Deus deixa as suas 99 ovelhas no deserto para ir à procura da ovelha perdida. E essa ovelha perdida, disse, é “cada um de nós”. E “fossem essas 99 ovelhas das que amam o seu pastor, das que se deixam conhecer e que O conhecem, e tê-lo-iam seguido; não as dominasse a soberba de quem tudo julga saber, e estas 99 ovelhas teriam procurado, juntamente com o pastor, a ovelha que se perdera. E teriam participado da festa, da alegria do encontro”.

Aos sacerdotes, disse o bispo diocesano, é pedida “a atitude do Bom Pastor”, que vai à procura da ovelha perdida. E “quantas ovelhas perdidas fazem parte do nosso rebanho!”, constatou. São pessoas que “passaram a frequentar as seitas que nos vão invadindo”, outras que “já não têm vontade” e “não sentem alegria em participar da Eucaristia” ou que “já não percebem que neles corre a vida de Jesus ressuscitado”.

Neste contexto, e recordando o momento em que soube da sua nomeação para bispo do Funchal, D. Nuno disse que teve “a curiosidade de ler o que diz a Wikipédia sobre a nossa Ilha”. Na parte em que se fala da religião é dito que «a população do arquipélago da Madeira é históricamente seguidora do catolicismo romano, embora hoje em dia essa identificação tenda a ser, em parte, nominal». 

Quer isto dizer que muitos são “cristãos apenas de nome”, ovelhas perdidas, “pelas quais o nosso coração de pastores não pode deixar de se inquietar; ovelhas perdidas que Deus procura e a quem nos envia”.

Daí a reflexão final: “Hoje, neste dia de oração pela santificação do sacerdote, quantas interrogações não podem deixar de nos surgir, na nossa mente, no nosso coração! Deixemos que em nós pulse o coração de Jesus, Bom Pastor; deixemos que Ele nos converta; que Ele nos encontre, se alegre e nos leve nos seus ombros; deixemos que Ele possa fazer um encontro connosco; deixemos que, por nosso intermédio, Ele procure e encontre a ovelha perdida”. 

Como nota de reportagem de referir que nesta Eucaristia, solenizada pelo coro orientado pelo professor Virgílio Caldeira, participaram também alguns paroquianos, que se associaram a este momento, que se quis fosse também “de convívio e de partilha”, nomeadamente da “alegria de ser padre”, como disse no início da concelebração o Pe. Afonso Rodrigues. A Eucaristia que contou, entre muitas outras, com a presença do Pe. Martins Júnior, a quem foi recentemente revogada a pena de suspensão a divinis, incluiu ainda um momento de Adoração ao Santíssimo Sacramento.