Apresentação de livro no Arco da Calheta: D. Nuno diz que «Património é vida»

O Centro de Estudos e Desenvolvimento, Educação, Cultura e Social da Calheta promoveu o lançamento do primeiro livro da coleção sobre o património religioso da Calheta da autoria do professor Paulo Ladeira.

A apresentação deste volume, referente às paróquias do Loreto e do Arco da Calheta, aconteceu esta quarta feira 26 de junho, na Igreja de São Brás do Arco da Calheta.

A apresentação da obra esteve a cargo do bispo do Funchal e da historiadora Cristina Trindade, tendo a cerimónia contado ainda com a presença de várias entidades regionais e locais, nomeadamente do secretário regional da Educação, do presidente da Câmara Municipal da Calheta e do presidente do Centro de Estudos,que não pouparam nos elogios a este primeiro volume.

No seu todo a obra é constituída por 25 capítulos e 336 páginas, sendo que o prefácio deste primeiro volume é assinado precisamente por D. Nuno Brás. Nele, o prelado diz que «Património é vida» e que «nenhum ser humano consegue viver (ou mesmo sobreviver) sem o “património”, o mesmo é dizer: sem o conjunto de realidades biológicas e culturais que recebeu dos seus antepassados. Não apenas o que é de cada indivíduo ou da sua família (património familiar), mas património colectivo — uma herança cultural, que nos identifica, e sem a qual não seríamos nós mesmos, nem seria o mesmo o grupo humano em que nos integramos. O património serve para a vida. E, por isso, é nosso.»

Sublinha ainda que «entre o património de uma comunidade sobressai, de modo particular, o “património religioso”. Porque todas as comunidades humanas, de um modo ou de outro, expressam o que são, os seus valores, as suas expectativas, a sua identidade, através de uma determinada atitude religiosa. A consciência de uma presença divina e de uma dependência de uma realidade superior marca, identifica, constrói e reúne uma comunidade humana e uma civilização.»

É impossível, escreve ainda D. Nuno, «conhecer de verdade os madeirenses sem fazer referência à fé cristã, que aqui chegou no mesmo instante em que a ilha foi reivindicada por Portugal como parte integrante e essencial do seu território e que, desde então faz parte do seu quotidiano. Assim, o património religioso madeirense é, antes de mais, expressão duma vida de fé e de uma fé viva.»

O bispo diocesano escreve ainda que «uma comunidade só defende o seu património, e em particular o seu património religioso, se entender que ele é ainda hoje expressão de vida, da sua vida, do seu ser. Ninguém defende pedras, pinturas ou sons. Esta excelente obra de Paulo Ladeira, que nos apresenta o “Património religioso e alguns aspectos do quotidiano do Arco da Calheta” constitui um instrumento precioso para que este património de edifícios e de cultura viva possa ser interpretado e encarado por todos como realidade viva, que diz respeito à vida de todos e no qual esta se expressa.»

Foram, de resto, estas ideias que D. Nuno Brás procurou passar no decorrer da apresentação da obra, que contou com uma vasta plateia.

Já Jorge Carvalho sublinhou que esta “é mais uma prova que no sistema educativo existem docentes com qualidade. A obra é fruto de dedicação ao trabalho”, disse, frisando que o livro passa a ser uma espécie de “património portátil”, já que “não é preciso nos deslocarmos aos locais. Um livro tem esse efeito”.

Quanto a Carlos Teles sublinhou que o município a que preside dá particular importância à cultura. A prova disso é precisamente o lançamento de dois livros, no âmbito das comemorações dos 517 anos do concelho.