D. Nuno Brás: Espírito Santo faz falar a língua da fé para ultrapassar “confusão e desordem” da humanidade

Foto: Duarte Gomes

O bispo do Funchal assinalou este domingo, dia 9 de junho, na Sé a solenidade de Pentecostes, presidindo à Missa no dia que encerra o Tempo Pascal no calendário católico.

Na homilia o prelado frisou que “o Espírito Santo faz dos cristãos um só povo. Não transforma os discípulos analfabetos em poliglotas, mas fá-los antes falar aquela língua que todos os homens e mulheres entendem: a língua da fé, a língua que dá sentido à vida de todos, a língua do Deus criador e redentor, que a todos quer salvar, que a todos quer dar a partilhar da sua vida”. 

A única língua que, sustentou, pode ajudar a ultrapassar “o drama de uma humanidade que se quer tornar Deus para si mesma, que quer chegar ao céu por si e com as suas forças, e que obtém, como resultado, a confusão e a desordem”. 

A intervenção partiu do relato do Pentecostes, a efusão do Espírito Santo sobre os primeiros discípulos de Jesus, após a ressurreição e ascensão de Cristo, relatada no livro bíblico dos Atos dos Apóstolos.

A propósito D. Nuno Brás destacou que  “a festa de Pentecostes celebrada naquele ano singular da morte e da ressurreição do Senhor Jesus trouxe consigo uma mudança radical: de um grupo reunido pelo medo, tornou-se numa Assembleia, Igreja viva; de um grupo encerrado numa casa, tornou-se num grupo de Apóstolos, quer dizer: num grupo de enviados que saem da sua zona de conforto para darem a todos testemunho de Jesus, se necessário com o testemunho da própria vida”.

Dirigindo-se em particular aos 120 jovens e alguns adultos, que na Eucaristia deste dia receberam o Sacramento da Confirmação, D. Nuno disse-lhes que “hoje como naquele Pentecostes” Jesus dá-lhes a graça de poderem falar a mesma língua dos discípulos. 

Lembrou-lhes ainda que “não é sonho, nem é impossível viver no amor e do amor, real e verdadeiro, viver do amor de Deus”. De resto, disse, “é o amor que nos dá a ousadia, a coragem, a força para sairmos do nosso conforto e sermos anunciadores e presença de um mundo novo”. 

Se deixarmos que em nós, na nossa vida, “fale o amor de Deus”, a “não comunicação pode ser ultrapassada”, disse ainda o prelado, que terminou dizendo aos crismandos que esta é “a vossa missão”, mas é também a única missão de cada cristão, missão da Igreja”.

De referir que o grupo de crismandos foi apresentado pelo cónego Vitor Gomes, que os disse aptos para receber o Sacramento da Confirmação e que os mesmos eram provenientes de diversas paróquias do Arciprestado do Funchal, nomeadamente de São Pedro, da Sé e de Santa Luzia, aos quais se juntaram ainda um grupo do Carmo e outro do Hospício.