As crianças precisam de voltar a sorrir

D.R.

1.O dia 1 de Junho é o Dia Internacional da Criança. Foi criado em 1950, no pós-II Guerra Mundial para chamar a atenção e sensibilizar a comunidade internacional num ambiente que era de profunda destruição nas famílias e na sociedade.

Com a Declaração Universal dos Direitos das Crianças, a ONU, através da Unicef, quis prestar um serviço aos milhões de crianças que em todo o mundo sofrem com a negação dos cuidados básicos que dizem respeito ao amor, saúde e segurança.

A Declaração Universal dos Direitos das Crianças:

1.Todas as crianças têm o direito à vida e à liberdade.

2.Todas as crianças devem ser protegidas da violência doméstica.

3.Todas as crianças são iguais e têm os mesmos direitos, não importa a sua cor, sexo, religião, origem social ou nacionalidade.

4.Todas as crianças devem ser protegidas pela família e pela sociedade.

5.Todas as crianças têm direito a um nome e nacionalidade.

6.Todas as crianças têm direito a alimentação e ao atendimento médico.

7.As crianças portadoras de dificuldades especiais, físicas ou mentais, têm o direito a educação e cuidados especiais.

8.Todas as crianças têm direito ao amor e à compreensão dos pais e da sociedade.

9.Todas as crianças têm direito à educação.

10.Todas as crianças têm direito de não serem violentadas verbalmente ou serem agredidas pela sociedade.

2.Depois da chacina de milhões de crianças pelos nazis, reconheceram-se os seus direitos fundamentais. Apesar das Guerras, o século XX ficará para a história como o século das crianças. No entanto, este grupo etário continua a ser um grupo frágil e muito vulnerável. “O melhor do mundo são as crianças”, foi em tempos.

O mundo em que hoje vivemos tornou-se incapaz de dar à criança aquele carinho, dedicação e ternura que só o coração de uma verdadeira mãe poderá dar. Mas assistimos à destruição da família, à violência doméstica (a que são sujeitas as crianças), à falta de cuidados sanitários, à falta de respeito e à rejeição da vida, à morte nojenta e degradante de crianças que são lançadas nos esgotos e nos caixotes do lixo. O respeito pela vida no continente europeu com raízes cristãs, está profundamente eivado de ideologias que incentivam a ‘cultura da morte’, perante o que vinha sendo a ‘cultura da vida’. Para alguns, a criança tornou-se um ‘incómodo’ de que é preciso libertar-se, quando os avós deixam de poder tratar dela. Vivemos numa sociedade sem ética, e fundamentada em pseudo-valores, a que chamam de ‘modernidade’. 

Embora as crianças sejam o futuro da humanidade, elas enfrentam problemas muito graves: minorias étnicas perseguidas ou em extermínio, guerras devastadoras atingindo uma multidão de mulheres e crianças, refugiados sem eira nem beira, crianças exploradas no trabalho infantil, assalariadas para a guerra (crianças-soldado – ‘grave chaga’ definida pelo Papa Francisco como uma “tragédia” e uma “escravidão” ainda está presente na maior parte das guerras no mundo: 19 mil no Sudão do Sul e 10 mil na África Central, e que “compreende também as meninas que são recrutadas para fins sexuais e casamentos forçados”, como explica Andrea Iacomini porta-voz do Unicef Itália), abusadas sexualmente até no ambiente familiar, vendidas como escravas ou para extração de órgãos, desprezadas por doenças crónicas ou deficiências, abatidas na guerra, sem escolas e seducação, sem água potável, famintas (com pele e osso), sujeitas a todas as violências, maus tratos e agressões da sociedade.

3.Creio poder afirmar que este século XXI, – atraiçoando as esperanças que nele depositávamos, porventura ingenuamente -, as crianças são os seres humanos mais desprotegidos da humanidade. São milhões as crianças mortas nos conflitos do Iémen, da Síria, da Etiópia, Médio Oriente, Nigéria, na República Centro-Africana, na RD Congo,… ou deslocadas por causa da guerra: Miannmar (Rohingya) ou nas catástrofes naturais (terramotos, secas, inundações, tsunamis): Haiti, Tibete, China, Brasil, Indonésia, Moçambique,… ou em doenças como a malária ou a cólera.

Como cidadãos da “Casa comum’ somos chamados a “cuidar da vida toda e da vida de todos, e em todos os momentos”. (Evangelium Vitae, 87) Cuidar da vida é obrigação imperativa de cada um: mas é necessário assumir para estarmos em paz com a nossa consciência, com os outros e com a natureza.

4.Cabe a cada família, como comunidade de vida e de amor, ajudar cada um dos seus membros – pais e filhos – a cultivar uma personalidade forte no apreço pela vida pessoal, ensaiando a solidariedade e responsabilidade pelos outros.

O desenvolvimento da vida das nossas crianças só é possível num ambiente saudável: em primeiro, de paz entre os povos. E depois, favorecendo qualidade de vida: poupando recursos energéticos, não destruindo florestas, eliminando situações de risco, educando nossas crianças, água potável e alimentação para todos.

Seria este um mundo novo e gratificante. Mas, penosamente, sinto que nem todos os seres humanos estão interessados em construi-lo.

E é certo que nossas crianças voltariam a sorrir. Todos nós poderíamos voltar a sorrir.