Por Félix Lungu
A causa da beatificação dos sete bispos greco-católicos romenos mortos por ódio à fé foi aberta em 1994. Após 25 anos, no dia 19 de Março de 2019, o Santo Padre autorizou a Congregação para a Causa dos Santos a promulgar o Decreto sobre o martírio dos sete bispos. Serão beatificados pelo Papa Francisco na Divina Liturgia em Blaj, no dia 2 de Junho de 2019.
Vasile Aftenie, Bispo e Vigário Geral de Bucareste e do Vechiu Regat, faleceu no dia 10 de Maio de 1950, no hospital prisional de Vacaresti, com 51 anos. Tinha sido separado dos outros bispos presos e foi interrogado durante um ano nos calabouços do Ministério do Interior da polícia secreta romena (Securitatea).
Valeriu Traian Frentiu, Bispo de Oradea e decano dos bispos greco-católicos, morreu no dia 11 de Julho de 1952, na prisão de Sighet. Tinha 77 anos de idade.
Ioan Suciu, Administrador Apostólico da Igreja Metropolitana de Blaj, morreu de fome e por falta de tratamento médico em 27 de Junho de 1953 na prisão de Sighet aos 46 anos.
Titus Liviu Chinezu, ordenado bispo na clandestinidade em 1949, faleceu no dia 15 de Janeiro de 1955 na prisão de Sighet, doente, na ausência de qualquer tratamento médico. Tinha 51 anos de idade.
Ioan Balan, Bispo de Lugoj, morreu no dia 4 de Agosto de 1959, aos 79 anos, no Mosteiro de Ciorogarla, onde se encontrava em prisão domiciliaria depois de ter sido separado dos outros três bispos que sobreviveram na prisão de Sighet.
Alexandru Rusu, Bispo de Maramures, morreu aos 79 anos, no dia 9 de Maio de 1963, na prisão de Gherla. Estava a cumprir uma sentença de prisão perpétua recebida em 1957 por “instigação e alta traição”, depois de ter sido libertado da prisão de Sighet. Em 1955 foi preso nos mosteiros de Curtea de Argeş, Ciorogârla e Cocos.
Iuliu Hossu, Bispo de Cluj-Gherla, leu a declaração de união de 1918 em Alba Iulia (acto fundador da Roménia moderna), sobreviveu à prisão em Sighet. Até ao final da sua vida ficou em prisão domiciliária no mosteiro de Căldăruşani. Foi nomeado Cardeal em segredo (in pectore) em 1969 e morreu no dia 28 de Maio de 1970.
A Igreja Greco-Católica Romena
A Igreja Romena Unida a Roma (Igreja Greco-Católica) surgiu através da união religiosa dos romenos ortodoxos da Transilvânia com a Igreja Católica. O processo de unificação ocorreu durante três sínodos realizados em Alba Iulia, começando com o Bispo Metropolita Theophilus, em 1697, e terminando com o Bispo Metropolita Atanasie, Anghel em 1700.
A união com Roma baseou-se nos princípios estabelecidos em 1439, no Concílio de Florença, pelas elites hierárquicas do Ocidente e do Oriente que procuraram reestabelecer a comunhão perdida no Grande Cisma de 1054. A Igreja Romena da Transilvânia admitiu que o Papa é “a cabeça visível de toda a Igreja de Cristo que se difunde em todo o mundo”, mantendo o rito bizantino e as tradições do Oriente – a liturgia, o jejum, o calendário, tudo aquilo a que chamavam “a lei romena”. O Rito Bizantino era conhecido pelos Católicos do Ocidente como o rito “grego”, daí o nome “greco-católicos” que é dado aos católicos romenos, eslovacos ou ucranianos, unidos à Igreja de Roma, mas que mantêm o rito bizantino como qualquer Igreja Ortodoxa.
No censo de 1930, na Roménia havia 13.108.227 fiéis ortodoxos, 1.427.391 fiéis greco- católicos e 1.234.151 católicos de rito latino. Em 1948, o ano em que o regime comunista desencadeou um feroz ataque à liberdade religiosa, a Igreja Greco-Católica tinha seis dioceses (Blaj, Alba Iulia e Fagaras, Cluj-Gherla, Oradea, Lugoj e Maramures) e contava com 1.559.830 fiéis.
A extinção da Igreja Greco-Católica, executada na prática pelos comunistas da Roménia, fazia parte de uma operação mais vasta da União Soviética. Perseguição ou, em alguns casos, instrumentalização da Igreja Ortodoxa, destruição das igrejas católicas nos territórios controlados pelos soviéticos eram apenas algumas etapas destinadas a cumprir o objectivo anti-cristão da Revolução Bolchevique, motivado pelo ódio contra a fé.
Na Roménia, o plano do “Ataque global contra a Igreja Católica” (redigido em 1945 por ordem de Stalin) foi aplicado em 1948, após o rei ter abdicado, depois da retirada forçada do Metropolita Irineu da Moldávia e a morte do Patriarca Nicodim. Após o desaparecimento destes hierarcas ortodoxos (que tinham relações normais com a Igreja Católica), passado por um processo de purga, a Igreja Ortodoxa Romena em 1948 estava completamente diferente da de 1945.
O Partido Comunista Romeno (PCR) anunciou o ataque, em Fevereiro de 1948, através de um discurso de Gheorghiu Dej, secretário geral do partido, que apontou a Igreja Católica como o último obstáculo para a plena instauração da democracia popular. Segundo Dej, era uma situação à qual não podiam ficar indiferentes nem a liderança da Igreja Ortodoxa nem os fiéis católicos.
Os bispos greco-católicos compreenderam em seguida a natureza do julgamento a que foram submetidos em 1948, que “a transição para a Ortodoxia” era apenas uma forma da manifestação do mal propagado no mundo pelos “filhos das trevas”, como afirmou o Bispo Ioan Suciu.
Em Portugal, em Fátima, três crianças tiveram em 1917 algumas visões perturbadoras através das quais a Mãe de Deus advertiu que a Rússia iria espalhar os seus erros em todo o mundo. Na Roménia, para os bispos greco-católicos estava claro que não podia haver negociações com o Estado, porque não se tratava de mudar de confissão a troco de qualquer coisa, mas negar a própria fé. E isso seria apostasia.























