Presidente da Associação dos Leigos Voluntários Dehonianos diz que o núcleo da Madeira é exemplo de “dinamismo”

Foto: Duarte Gomes

Luís Rodrigues é o novo presidente da Associação dos Leigos Voluntários Dehonianos (ALVD). Em funções desde outubro passado, fez questão de se deslocar aos três núcleos da associação localizados em Lisboa, no Porto e na Madeira, para conhecer “in loco” o trabalho que está a ser feito em cada um deles. Por cá ficou dois dias – 18 e 19 de maio – o tempo suficiente para constatar “o dinamismo e a vivacidade” do núcleo da Madeira.

Jornal da Madeira – Qual foi o propósito desta visita ao Núcleo da Madeira? 

A Associação dos Leigos Voluntários Dehonianos (ALVD) passou por um processo eleitoral em outubro, tendo mudado de direção. Nessa altura, o primeiro desafio que assumimos, que eu enquanto presidente assumi perante a Assembleia Geral, foi o de conhecer os vários núcleos, até porque sentíamos que deveria haver uma maior interligação. A associação é a mesma, o caminho é o mesmo, mas achamos que era importante conhecer as pessoas pessoalmente, porque há coisas que a tecnologia ainda não substitui e porque sendo nós uma associação cristã esse contato pessoal fazia todo o sentido. E pronto, foi com esse objetivo que vim à Madeira, também para procurar dar um certo conforto aos voluntários que vão partir em missão pela primeira vez.

Jornal da Madeira – Disse-me que a associação é a mesma, o caminho é o mesmo para os três núcleos, mas os desafios que se colocam são certamente novos, face até à realidade que se vive hoje no mundo…

Luís Rodrigues – Em primeiro lugar a sensação que temos, e ainda bem, é que as pessoas, não sei se por verem as alterações à sua volta, na sociedade, estão mais empenhadas no voluntariado. Nós este ano temos um grupo perto de 30 voluntários em formação nos três núcleos, o que é muito bom. Portanto, não é uma tendência de um núcleo só, não é uma questão geográfica, é uma gestão global. Claro que este ‘boom’ de pessoas nos coloca desde logo o desafio de percebermos como é que nós nos podemos organizar para lhes dar uma resposta estruturada e para criarmos projetos válidos que façam de facto a diferença e tenham impacto significativo nas comunidades onde estes voluntários vão estar a trabalhar. 

Jornal da Madeira – E que locais são esses?

Luís Rodrigues – Nós estamos a trabalhar em Angola, Moçambique e através do MY Mission que é como se designa o voluntariado Dehoniano internacional, na Albânia e no Equador. Este ano os voluntários da Madeira estão a preparar missões em Angola, para onde seguem com voluntários de Lisboa e do Norte, para o Equador, para onde vão com voluntários de Espanha, e alguns estão interessados em ir para a Albânia o que a acontecer vão com nucleos de Itália.

Jornal da Madeira – Quem pode ser vosso voluntário? 

Luís Rodrigues – As portas estão abertas para toda a gente. No entanto, nós não estamos aqui para uma satisfação pessoal.

O objetivo da associação é promover a dignidade humana e o desenvolvimento das comunidades.

Portanto, essas pessoas têm de fazer o seu percurso de formação que inclui uma parte técnica, mas também a parte humana. Os voluntários têm de perceber que vão estar inseridos numa comunidade religiosa que os acolhe, que devem acompanhar o ritmo dessas comunidades, que devem respeitar as diferenças culturais, que devem partilhar o que sabem e pedir aos outros que partilhem também aquilo que sabem. É isto que torna a experiência enriquecedora. 

Jornal da Madeira – Resumindo, não basta ter passaporte e vacinas em dia para seguir viagem…

Luís Rodrigues – É, que não basta ter o passaporte e as vacinas em dia, pôr a mochila às costas e partir. É preciso fazer toda essa preparação prévia que dura nunca menos do que um ano, mas que pode ser prolongada caso os voluntários ou os elementos do núcleo sintam que há essa necessidade.

Falando mais em concreto posso dizer que temos gente de todas as idades. Temos desde estudantes universitários, reformados, desempregados, gente que está na vida ativa, mas que quer dedicar o seu mês de férias a ajudar os outros.

Jornal da Madeira – Quem dá essa formação e em que moldes? 

Luís Rodrigues – A formação é organizada pelos diferentes núcleos com um programa comum. Normalmente, esse programa inclui sessões orientadas por voluntários que já passaram pela experiência e que a partilham. Mas também se convidam pessoas de diferentes áreas, como por exemplo da psiquiatria, da enfermagem, podemos ter um missionário que já lá tenha estado e que venha falar sobre as comunidades locais. Temos sempre a preocupação que a formação seja o mais rica e o mais capacitante para quem vai, porque essa é ao fim e ao cabo a principal ferramenta que podemos dar às pessoas que ficam fora no mínimo um mês, periodo que pode ir sendo alargado.

Ao longo de 20 anos, já mandamos quase 200 voluntários para os diferentes locais.

Temos pessoas que começaram por ir um mês que depois foram alargando esse tempo e que foram um ano, dois…

Jornal da Madeira – Na mala do leigo voluntário Dehoniano vão todas as responsabilidades mais uma: a de ser um voluntário cristão…

Luís Rodrigues – Vai mais essa responsabilidade, mas eu diria que ela acrescenta a experiência. Se formos fazer voluntariado através de uma ONG civil, isto é, sem caráter religioso, vamos ter a experiência que se tem através da ALVD. Estamos na comunidade, a fazer um trabalho, a implementar um projeto a conhecer as diferenças culturais, etc. O que eu acho que nós um bocadinho mais do que isso, porque como eu vou através de uma associação neste caso ligada aos Dehonianos eu vou ser acolhido por uma comunidade religiosa o que significa que vou ter uma experiência espiritual muito rica. Os nossos leigos voluntários são chamados a participar nos ritmos das comunidades que os acolhem, o que significa que eu todos os dias tenho a possibilidade de participar em momentos de oração: as laudes, as vésperas, as Eucaristias. É também esta experiência que ajuda muitas vezes a amenizar, a temperar, situações menos agradáveis com que nos possamos deparar. É por isso que este é um voluntariado que tem um ‘sabor’ diferente…

Jornal da Madeira – Temos estado sempre a falar de voluntariado, de ir, mas essa não é a única forma de colaborar com a ALVD…

Luís Rodrigues – É verdade. E também não é só através das ajudas financeiras diretas. Podemos colaborar das mais variadas formas. Fazer um bolo, por exemplo, para ser vendido e assim angariar dinheiro, organizar eventos culturais como noites de fados. Enfim, podemos colaborar de várias formas, ajudando a minimizar ou até a suprimir os custos que cada voluntario tem, porque cada um vai a expensas próprias.

Jornal da Madeira – Para terminar voltemos ao início da conversa e o que lhe pergunto é se vai satisfeito com o que está a ser feito aqui no Núcleo da Madeira?

Luís Rodrigues – Vou, vou satisfeito. E até lhe posso dizer que outro dos propósitos desta visita era partilhar com cada núcleo o que os outros estão a fazer. O que eu sinto, pelo menos eu que estou no Núcleo de Lisboa, é que temos muito a aprender com o que é feito no Núcleo do Norte e no Núcleo da Madeira.

Noto que aqui no Funchal há um dinamismo e uma vivacidade muito grande. A forma como o núcleo está organizado, a quantidade de eventos que tem, de iniciativas.

E a adesão que tem não só dos próprios voluntários que vão este ano, mas de todas as pessoas que querem participar, querem ajudar, que sentem que não podem ir este ano, ou não têm mesmo condições para estar lá, mas que podem ajudar de forma indireta. Tudo isto é de facto inspirador para os outros núcleos.