Bênção dos Finalistas: D. Nuno Brás exortou jovens a contar sempre com a fé nas suas vidas 

Foto: Duarte Gomes

O bispo do Funchal presidiu na tarde deste sábado, dia 4 de maio, na Sé do Funchal, a uma Eucaristia no decorrer da qual procedeu à bênção de 274 alunos finalistas da Universidade da Madeira (236) e da Escola Superior de Enfermagem São José de Cluny (38).

Na homilia da celebração, o prelado reconheceu que “hoje não está na moda um universitário falar sobre Jesus.” Na verdade, prosseguiu D. Nuno Brás, “aquele que ousa falar da fé, concretamente da fé cristã – e que ousa viver a fé – na Universidade e no mundo universitário, é olhado por tantos como ‘menor’, como um ‘pobre que ainda dá espaço a ideias pouco racionais’, um ’coitado que deixou de estar na moda’”.

Parece, prosseguiu o bispo diocesano, que “Jesus ficou fora da Universidade. Parece que a fé deixou de pertencer ao pensamento, e de poder dialogar com a razão. Parece que a fé só tem a ver com o sentimento – e com o sentimento individual, o segredo de cada um. E que, por isso, deve ficar fora da conversa de café, da reflexão e do ensino superior.” Mas, questionou, “que poderá ter a fé a ver com a engenharia, a economia e gestão, a biologia, a enfermagem e a medicina? Não será apenas um apartado sentimental que cada um vive como quer?”

O curioso, respondeu, é que “a história da própria universidade é a prova de que fé e razão não podem deixar de se encontrar. A universidade nasceu para que este diálogo tivesse lugar; para que existisse um lugar de diálogo entre o universo dos saberes, e destes com a fé.”

Neste contexto, o bispo diocesano foi peremptório ao defender que “não podemos nós, cristãos e universitários, deixar de contar com a fé na nossa vida de investigação, de leccionação ou de simples desempenho de uma profissão.”

D. Nuno fez ainda questão de se referir ao Evangelho e de partilhar com os jovens uma passagem da homilia do Papa Bento XVI no dia 24 de abril de 2005, quando iniciou o seu ministério de sucessor de Pedro. Na altura dizia o agora Papa emérito que nós homens “vivemos alienados, nas águas salgadas do sofrimento e da morte; num mar de obscuridade sem luz.”. É a “rede do Evangelho” que “tira-nos para fora das águas da morte e conduz-nos ao esplendor da luz de Deus, na verdadeira vida.”

E prosseguiu na citação, referindo que “nós existimos para mostrar Deus aos homens. E só onde se vê Deus, começa verdadeiramente a vida. Só quando encontramos em Cristo o Deus vivo, conhecemos o que é a vida.”  E esta é também a missão destes jovens: mostrar Deus aos outros, em cada circunstância da sua vida.

Dirigindo-se aos 274 jovens que tinha diante de si e que, conjuntamente com familiares e amigos enchiam a Catedral,  D. Nuno disse-lhes que “os parabéns de hoje são-vos devidos.” Porém, lembrou, “com eles vem também uma responsabilidade: a de, com o curso que agora terminais, servir o próximo e o mundo inteiro.”

Neste contexto, o bispo Diocesano concluiu, desejando que “o saber não vos sirva apenas para conseguir uma vida de bem-estar material; que ele sirva também para ajudar o mundo. E que, na vossa profissão, qualquer que ela seja, sejais capazes de assumir a atitude dos discípulos: ‘Vale mais obedecer a Deus que aos homens’, dando testemunho da fé, na certeza de que apenas com Deus o ser humano pode ser feliz.”