Sri Lanka: Uma Páscoa de sangue e de dor no «21deabril19»

Igreja de São Sebastião atingida pelo atentado deste domingo de Páscoa, 21 de abril, Negombo, norte de Colombo, Sri Lanka, | Foto: Reuters

1.À mesma hora, em pelo menos três cidades diferentes do Sri Lanka, uma série de oito explosões atingiram hotéis de luxo e igrejas católicas – cheias de fiéis que participavam nas celebrações do domingo de Páscoa. O número de vítimas mortais ultrapassa as 300 pessoas e há mais de 500 feridos. Entre os mortos estão 35 estrangeiros, 1 dos quais português.

O arcebispo de Colombo, Malcolm Ranjith, referiu que os ataques se deram “num dia em que havia muita gente nas igrejas”. Duas das três igrejas atacadas, eram “frequentadas por pessoas de praticamente todas as religiões e um centro vital da cidade de Colombo”. 

Os sete bombistas suicidas que realizaram os atentados pertenciam ao grupo National Thowfeek Jamaath (NTJ)Eram todos cidadãos do Sri Lanka, mas as autoridades suspeitam que tinham ligações ao estrangeiro. O NTJ é um grupo muçulmano radical que, no ano passado, esteve ligado à destruição de estátuas budistas. A maioria da população é budista (70%).

2.O presidente do Sri Lanka, Maithripala Sirisena, “em choque e triste” pediu à nação: “Por favor, fiquem calmos e não sejam enganados por rumores”. O PM Ranil Wickremesing reconheceu que existiam informações “sobre possíveis ataques”. Postou no Twitter: “Condeno veementemente os ataques covardes contra nosso povo”. O ministro da Economia, Harsha de Silva, que esteve numa das igrejas atingidas, descreveu “cenas horríveis”, com corpos despedaçados um pouco por todo o lado. Dois ministros do Governo fizeram alusão a falhas nos serviços de informação do país.

A Conferência dos Bispos Católicos (CBCSL) disse que espera que o governo realize um inquérito imediato. “O fato deste ataque às igrejas ter acontecido quando as pessoas estavam a celebrar a festa mais sagrada da Páscoa é de fato um ato cruel extremamente deplorável. Para D. Devsritha Valence Mendis, é difícil compreender a onda de violência que sacudiu o país, falando mesmo em “crime contra a humanidade”.

No Sri Lanka há cerca de 1,5 milhões de católicos, ou seja, 7% da população de 21 milhões de habitantes de maioria budista (70%). Os católicos foram vítimas de alguns episódios esporádicos de violência no passado, mas nunca com um efeito tão brutal.

3.O Papa Francisco enviou uma mensagem de solidariedade ao cardeal e a toda a Arquidiocese de Colombo. “Condenou estes atos terroristas, desumanos, que nunca se podem justificar” e expressou sua “tristeza” e  proximidade a “todas as vítimas desta violência cruel”.

O cardeal Malcolm Ranjith disse que o governo poderia ter evitado os ataques se tivesse agido com base em informações prévias sobre possíveis ataques terroristas”.

O Centro de Alternativas de Políticas (CPA) pediu às autoridades que tomassem medidas rápidas para evitar mais violência. O CPA tem frequentemente condenado a impunidade que prevaleceu após ataques a locais de culto religioso e restrições à liberdade de religião nos últimos anos.

O cardeal-patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, evocou as vítimas dos ataques, durante a homília na Sé, e afirmou que o cristianismo é “a religião mais perseguida” no mundo atual.

4.Algumas das muitas reações internacionais aos terríveis acontecimentos do 21 de abril 2019, no Sri Lanka.

O presidente da Índia condenou os ataques e manifestou solidariedade para com as vítimas.

Theresa May, PM do Reino Unido, reagiu no Twitter: “Os atos de violência contra igrejas e hotéis em Sri Lanka são verdadeiramente terríveis. Temos de proteger quem pratica a sua fé.”

A ONU condenou com veemência a série de atentados terroristas no Sri Lanka, como “atrozes e covardes”

Líderes da Igreja na Terra Santa transmitiram sua amargura: “Que difíceis, irritantes e tristes estas notícias, especialmente porque os ataques aconteceram enquanto os cristãos comemoravam a Páscoa”.

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, postou: “Os EUA prestam suas sinceras condolências ao grande povo do Sri Lanka. Estamos prontos a ajudar!”.

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, afirmou numa rede social: “Em nome dos brasileiros, condeno os ataques que fizeram centenas de vítimas, inclusive em igrejas, onde se celebrava a Ressurreição de Cristo”.

O Presidente da República portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, “repudiou os ataques”.

A maior instituição do islamismo, a Universidade de al-Azhar, lembrou que o “instinto dos “terroristas contradiz os preceitos de todas as religiões”. O grande imã de Al-Azhar, afirmou no Twitter: “Não consigo imaginar que um ser humano possa atingir pessoas pacíficas no seu dia de comemoração”, em hotéis e igrejas, onde católicos celebravam a missa pascal.

Um ataque brutal contra inocentes. É pura violência. É terrorismo. É crueldade. É perseguição. É sadismo. Não será este o mundo da “cultura da morte” que se vem construindo?