Paixão do Senhor: D. Nuno Brás lembrou que a cruz de Cristo é lugar do amor e não da morte

O bispo invocou o trágico acidente com o autocarro, que “ceifou a vida a 29 nossos irmãos”, para realçar que Deus está sempre presente nos “momentos-limite da humanidade”.

Foto: Duarte Gomes

O Bispo do Funchal lembrou esta sexta-feira, na Sé, que “a cruz de Jesus Cristo é o lugar do amor” e não “o lugar da morte”. D. Nuno Brás, que presidiu pela primeira vez à celebração da Paixão do Senhor enquanto bispo do Funchal, disse mesmo que a cruz é “o lugar onde resplandece o amor divino, com toda a sua grandeza, com todo o seu esplendor, com tudo o que tem de infinito e incompreensível.” É por isso que, frisou, “deixando-te confrontar com a cruz de Jesus, deixas-te confrontar com a medida máxima do amor.

Na homilia desta celebração, composta por três partes distintas, nomeadamente a Liturgia da Palavra, a Adoração da Cruz e a Comunhão Eucarística, o prelado sublinhou que “nunca a cruz de Jesus Cristo deixou de ser algo de concreto, que toca e ilumina todos os momentos, pontuais ou englobantes, da nossa existência.”

E D. Nuno deu dois exemplos “concretos e reais” da presença da cruz, a começar pelo incêndio da catedral de Notre Dame, “símbolo de uma Europa cristã”. Um incêndio que “quase deitou por terra a Catedral de Paris”, mas onde “permaneceu, significativamente, no seu interior, a cruz” que “continuava a brilhar, como que a proclamar, teimosamente, o amor de Deus por todos.”

Dias depois, bem mais perto de nós, “um acidente ceifou a vida a 29 nossos irmãos e deixou tantos outros com ferimentos graves ou com marcas no seu coração — marcas de um momento onde a vida se mostrou frágil e fora do nosso domínio. Um sofrimento, a que não somos capazes de aportar qualquer explicação, como é sempre o sofrimento inocente.” Mais uma vez, “na parede da casa destruída pelo autocarro, lá estava a cruz, como que a dizer-nos como o Senhor padece sempre de novo, hoje, nos nossos dias.”

Diante destes acontecimentos, disse o prelado, “nós, cristãos, não podemos deixar de ver um parentesco com o sofrimento mais inocente que é o de Jesus na Cruz. E olhando para esse momento de trevas, não podemos deixar de sentir, de perceber como o próprio Deus sofreu e continua a sofrer, porque a cruz de Jesus resume, sintetiza faz seu todo o sofrimento do mundo.” E não podemos igualmente deixar de nos dar conta que “apenas na cruz nos é oferecida uma luz que nos afirma a capacidade redentora, salvadora, destes momentos-limite de humanidade.” Daí o apelo para “nesta tarde de Sexta-feira Santa”, deixar que “este amor concreto, pessoal e eterno de Deus, ilumine a tua vida. Deixa que Ele te salve.”

No final desta celebração, em que a cruz é de facto o centro, teve lugar outro momento importante e particularmente carregado de simbolismo: o enterro do Senhor. 

Nesta procissão participaram não só as autoridades presentes na celebração, nomeadamente o presidente da República, mas também muitos dos fieis que enchiam a Sé, a que se juntaram outros tantos ao longo da Avenida Arriaga, por onde foi e veio a urna com o Senhor morto.