
“Quantas vezes nós vemos o escândalo daquelas pessoas que vão à igreja e ficam lá o dia todo ou vão todos os dias e depois vivem odiando os outros ou falando mal das pessoas. Isto é um escândalo! É melhor não ir à igreja: vive assim, como se fosses ateu. Mas se tu vais à igreja, vive como filho, como irmão e dá um testemunho verdadeiro, não um contratestemunho”, disse o Papa na primeira audiência geral do ano.
Nesta quarta-feira o Papa deu continuidade às meditações sobre a oração do Pai Nosso inserida “no centro do discurso da montanha”.
O Evangelho é revolucionário
No “discurso da montanha” (cfr. Mt 5, 1-7, 27), Jesus “condensa os aspetos fundamentais da sua mensagem”. “Jesus coroa de felicidade uma série de categorias de pessoas que no seu tempo – mas também no nosso! – não eram muito consideradas. Bem-aventurados os pobres, os mansos, os misericordiosos, os humildes do coração … Esta é a revolução do Evangelho. Onde está o Evangelho, há revolução. O Evangelho não nos deixa quietos, nos empurra: é revolucionário”, referiu.
Para o Papa o grande segredo que está na base de todo o discurso da montanha é o apelo “sejam filhos do vosso Pai que está nos céus”.
“O cristão não é alguém que se esforça para ser melhor do que os outros: ele sabe que é pecador como todos. O cristão é simplesmente o homem que para diante da nova Sarça Ardente, da revelação de um Deus que não traz o enigma de um nome impronunciável, mas que pede a seus filhos que o invoquem com o nome de ‘Pai’”.
Coerência cristã e rezar com o coração
Jesus introduz o ensinamento da oração do “Pai Nosso” distinguindo dois grupos do seu tempo: os hipócritas e os pagãos.
O hipócritas gostam de rezar nas praças e sinagogas para serem vistos. “Há pessoas que são capazes de tecer orações ateias, sem Deus: e o fazem para serem admiradas pelos homens”. “E quantas vezes nós vemos o escândalo daquelas pessoas que vão à igreja e ficam lá o dia todo ou vão todos os dias e depois vivem odiando os outros ou falando mal das pessoas”. Para Francisco, nesse caso é melhor não ir à igreja.
Os pagãos acreditam que são ouvidos pela força das palavras. “Os pagãos pensam que falando, falando falando, se reza. Também eu penso em tantos cristãos que acreditam que rezar é – desculpem-me – ‘falar com Deus como um papagaio’. Não! Rezar se faz do coração, de dentro”.
Deus não precisa de sacrifícios para conquistar o seu favor
“É belo pensar que o nosso Deus não precisa de sacrifícios para conquistar o seu favor! Não precisa de nada, o nosso Deus: na oração pede somente que tenhamos aberto um canal de comunicação com Ele, para nos descobrirmos sempre seus filhos muito amados”, concluiu o Papa.

















