1.A barca da Igreja entre tempestades e furacões. Na mensagem de Natal aos membros da Cúria Romana, o Papa Francisco reconheceu que “a barca da Igreja vive momentos difíceis, acometida por tempestades e furacões”, devido ao “contratestemunho” e à “infidelidade” de “alguns filhos e ministros da Igreja”. Há vários anos que a Igreja está seriamente empenhada em erradicar o mal dos abusos: “de poder, de consciência e abusos sexuais”, apontou o Papa. Apelidou esses ministros de “lobos vorazes”, cujos atos “deformam o rosto da Igreja, minando a sua credibilidade” e afirmou: “não haverá lugar para os que “entram na rede de corrupção, atraiçoam Deus, os seus mandamentos, a própria vocação, a Igreja, o povo de Deus e a confiança dos pequeninos e dos seus familiares”.
Do lado da Cúria Romana, os cardeais de todo o mundo afirmaram o seu empenho em “participar na solicitude quotidiana do Papa, por toda a Igreja”, enalteceram “o esforço imparável de Francisco a favor da paz e da colaboração entre os povos”, as “várias viagens internacionais pontifícias” promovidas, e acontecimentos como “o Sínodo dos Bispos dedicado aos jovens, e a canonização de Paulo VI”. Agradeceram ao Papa a “ Exortação apostólica, ‘Alegrai-vos e exultai’, que fez ressoar de novo dentro da Igreja Católica o desafio a uma reforma interior, em ordem à santidade” e recordaram que, na base da renovação está o empenho de colocar Deus no centro de toda a nossa vida”, disse o representante da Cúria.
2. Mensagens de Natal e Ano Novo. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, respondeu ao simpático convite do Jornal de Notícias para escrever duas palavras acerca do Natal. ‘É difícil falar em Natal, seja qual for a crença de cada um de nós, sem evocar paz, fraternidade, compreensão, diálogo, espírito de família’.
O tempo parece ser mais de egoísmos do que de altruísmos, de xenofobias do que de aberturas inclusivas. Estamos a viver e vamos viver, nos próximos anos, uma fase histórica mais depressa defensiva do que solidária, como tem, insistentemente, evocado o Papa Francisco. E continuamos a ter quase um quinto de portugueses em situação de pobreza e desigualdade.
Na mensagem de Ano Novo, o Presidente apelou ao exercício do voto nos três atos eleitorais de 2019 (europeias, regionais da Madeira e legislativas) e considerou fundamental que haja bom senso nessas campanhas, advertindo que radicalismos, arrogâncias e promessas impossíveis destroem a democracia.
Deixou avisos a todos aqueles que pretendem candidatar-se nas próximas eleições : “Se quiserem ser candidatos analisem, com cuidado, o vosso percurso passado e assumam o compromisso de não desiludir os vossos eleitores”.
Devemos ter a ambição de ultrapassar a condenação de um de cada cinco portugueses à pobreza e a fatalidade de termos portugais a ritmos diferentes, com horizontes muito desiguais”, lamentou o Presidente.
Assumiu ainda como ambição do país “dar mais credibilidade, transparência, verdade” às suas instituições políticas, fazendo nascer a confiança”.
“No mundo atual o que falta em direito, paz, diálogo, justiça, certeza é o que sobra em razão da força, conflito, desigualdades, incerteza.”
A resposta só pode ser uma: valores, princípios e saber (aprendido em quase 900 anos de História), dignidade da pessoa, de todas as pessoas, (a começar pelas mais frágeis, excluídas, ignoradas), justiça social, combate à pobreza, correção das desigualdades.
3. Personalidade do ano na área da Cultura. O arcebispo D. José Tolentino Mendonça foi eleito como “personalidade do ano 2018” da Madeira na área da Cultura pelo jornal regional ‘JM’, numa votação levada a cabo por jornalistas e colaboradores.
O arcebispo recordou que na Madeira “há uma vitalidade cultural que não se esgota neste ou naquele nome”, dando como exemplo a figura da escritora Ana Teresa Pereira ou o “maravilhoso projeto musical” Mutrama, que revisita a música tradicional da Madeira.
Presidiu à Missa de Natal, na Catedral do Funchal, tendo desafiado os participantes a “lutar por uma antropologia onde a inteireza da pessoa humana seja defendida e contemplada”.
“O ser humano não é apenas cérebro, mas é a totalidade: é vida, mãos, rosto, pés, o abraço, a existência da sua completude, é a carne, mesmo na sua vulnerabilidade, na sua doença, na sua extrema dificuldade, porque é na carne que brilha a glória de Deus”, referiu, numa intervenção divulgada pela publicação online ‘Jornal da Madeira’, da diocese.
4.Sem atenção aos mais frágeis, «o Natal não acontece». O bispo de Setúbal, D. José Ornelas, afirmou que o Natal é uma iniciativa de “Deus corajoso” que exige a “participação ativa” de todos na transformação do mundo, para dar vida a um “projeto de humanidade”.
O bispo sadino alertou para as “vítimas da injustiça e da guerra”, a que muitos respondem com “braços abertos de acolhimento e de integração” e mobilização.
Para D. José Ornelas, é em “contrastes” que se começa a “revelar o projeto de Deus”, afinal nasceu “entre os mais humildes”, torna-se acessível, “torna-se luz para quantos têm sede de justiça, solidariedade, de sentido para a sua vida e para o seu futuro”, precisou.

























