O bispo do Funchal presidiu esta terça-feira, dia 1 de janeiro, na Sé do Funchal, à celebração da Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus. No início de um novo ano, a Igreja celebra esta que é a festa Mariana mais antiga que se conhece no ocidente. Além disso, neste dia 1 de janeiro a Igreja celebra ainda o Dia Mundial da Paz, que vem já do tempo do Papa Paulo VI.
Foi em torno destes dois temas que se centrou toda a homilia de D. António Carrilho, que começou por dizer que “neste 52.º Dia Mundial da Paz, sob a proteção e abençoados pela Santa Mãe de Deus, Rainha da Paz, iniciamos o ano novo a alegria da luz do Menino de Belém”.
“No limiar do novo ano, ainda na oitava do Natal, a Igreja convida-nos a mergulhar com Maria na contemplação do admirável mistério da encarnação do Verbo de Deus. Jesus, o príncipe da paz , está entre nós na fragilidade de uma criança”. Ele, “oferece-nos a riqueza do seu imenso amor”, para “nos apoiar a todos, pobres e ricos santos e pecadores”. Ele “vem abençoar-nos e iluminar as trevas dos nossos corações e da nossa história, libertar-nos dos nossos medos e das nossas angústias”. É Ele que “tem a chave da nossa felicidade”, que “abre os nossos corações ao sol da esperança e da Paz”.
Desde o princípio dos tempos que “Maria é venerada como a Santíssima Mãe de Deus, mas foi no Concílio de Éfeso, realizado no ano 431, que foi proclamado solenemente o Dogma da sua Maternidade Divina. Maria, a cheia de graça, é a Mãe de Cristo e por isso a Santa Mãe de Deus – Theotókos”.
Numa alusão à palavra proclamada, D. António frisou que ela “põe em relevo a humanização do Verbo de Deus, o filho unigénito do Pai”. O Livro dos Números, na primeira leitura, “apresenta a solene bênção que os sacerdotes evocavam, em nome de Deus, sobre o povo de Israel”, uma bênção que ainda hoje “tem um sentido muito forte, significando a súplica e o dom da paz”.
Abençoada com dons extraordinários, “Maria tornou-se para nós bênção e medianeira de todas as graças, Ela faz acontecer a plenitude dos tempos, dando à luz o Filho de Deus”. Disso fala São Paulo, na segunda leitura, “na plenitude dos tempos, Deus enviou ao mundo o Seu Filho ‘nascido de uma mulher’”, para realizar a nossa adoção filial. E nós somos, de facto, “filhos amados do Pai”.
Quanto ao Evangelho, Lucas “relata-nos a alegria dos pastores que tiveram o privilégio de serem os primeiros a chegar à gruta de Belém” e de “anunciar alegremente a Boa Nova”. Quanto a Maria, “contemplava, silenciosamente, o mistério daquele Menino”. Estas duas atitudes, diante do “insondável mistério do amor de Deus, a de Maria e a dos pastores, são as duas faces da missão evangelizadora. Que belo programa para celebrar o Ano Missionário que está a decorrer: contemplar e anunciar.”
No que concerne ao Dia Mundial da Paz, D. António aludiu à mensagem do Papa Francisco para este dia intitulada ‘A boa politica está ao serviço da paz’, referindo que o mesmo se “dirigiu à comunidade internacional sublinhando o dever e a necessidade de exercer um bom serviço político”. Com esta atitude, “leva-nos a refletir sobre alguns aspetos fundamentais, para que seja possível viver-se em harmonia e construir a paz”. Assim, e em primeiro lugar, “diz-se que é preciso cada um estar em paz consigo próprio, em paz com os outros, fomentando as relações fraternas, e em paz com a natureza, a nossa casa comum, tão ameaçada e degradada pelas práticas e comportamentos egoístas da sociedade de consumo”.
O prelado lembrou ainda que “o Papa evoca as bem-aventuranças da política do cardeal vietnamita Francisco Van Thuan, falecido em 2002: Bem aventurado o político que trabalha para o bem comum e não para os próprios interesses”.
A atividade política “está destinada ao bem da comunidade e o crescimento e desenvolvimento dos povos, em ordem à construção da paz”, disse D. António, que voltou a citar Francisco no terceiro ponto da sua mensagem, quando este diz que “a boa política está ao serviço da paz, respeita e promove os direitos humanos fundamentais, que são igualmente deveres recíprocos, para que se teça um vínculo de confiança e gratidão entre as gerações do presente e as futuras.”
Neste contexto das gerações, D. António recordou o Sínodo dos Bispos sobre “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”, que teve lugar em Roma, no passado mês de outubro. Nessa altura “gerou-se uma onda de alegria juvenil” e “um encanto e envolvimento dos jovens” que culminará com a Jornada Mundial da Juventude, no Panamá, no fim deste mês de Janeiro”.
“Face à quase generalizada desconfiança na política, devido ao abuso do poder em muitas partes da terra, o Santo Padre afirma que a politica pode tornar-se verdadeiramente uma forma eminente de caridade”, além disso “pediu também que as novas gerações sejam envolvidas na responsabilidade e dinâmica da paz e não seja reservada apenas a alguns privilegiados. Por isso, a política é a favor da paz se se expressa no reconhecimento dos carismas, qualidades e capacidades de cada pessoa”.
O Papa, refere ainda o prelado, “finaliza a sua mensagem referindo que a boa politica pode inspirar-se no Magnificat que Maria, Mãe de Cristo Salvador e Rainha da Paz , canta em nome de todos os homens”.
Neste contexto, D. António sublinhou que “ninguém fica dispensado de construir a Paz. Esta responsabilidade não é apenas dos políticos, ou de algumas instituições, ou das comunidades internacionais. A Paz não é um mero equilíbrio de forças. É um Dom do Espírito Santo. É obra de todos” e, como tal, precisa de ser cuidada por todos “com delicadeza, ternura e amor”.
Por fim, dirigindo-se aos muitos fiéis, sacerdotes, seminaristas que participavam nesta celebração, mas também a todos os que o escutavam através do PEF e aos emigrantes, D. António a todos desejou “um feliz ano de 2019, rico de paz e das maiores bênçãos e graças do Senhor”.




















