Sínodo 2018: Bispos dão voto de confiança aos jovens

Papa Francisco na foto de grupo com os bispos e participantes no sínodo| Vaticano 27.10.2018 | D.R.

Voto de confiança dado aos jovens

O Sínodo dos Bispos dedicado às novas gerações, que decorreu no Vaticano, sublinhou a necessidade de um maior “protagonismo” dos jovens nos processos de decisão da Igreja Católica.

D. Mariano Parra, arcebispo de Coro (Venezuela), refere à Agência ECCLESIA que a promoção da participação “ativa” dos jovens na Pastoral Juvenil é uma experiência que se faz “há vários anos” na América Latina, com o objetivo de que estes “tenham parte ativa na Igreja”. “Os jovens de todo o mundo, às vezes, falam-nos com o silêncio: na forma como se vestem, como dançam, como fazem comunidade, na forma como se reúnem”, precisa.

O arcebispo venezuelano explica que, no CELAM, a metodologia aplicada na Pastoral Juvenil tem quatro passos: fascinar, escutar, discernimento e conversão.

“Se saltares os primeiros passos, a última parte, a conversão não vai acontecer, porque o jovem não vai ouvir e nós não vamos saber do que falar aos jovens, porque não os ouvistes, não sabes quais são os seus problemas, as suas necessidades”, adverte. D. Mariano Parra assume a diferença de uma realidade latino-americana marcada pela presença dos jovens, face ao envelhecimento da Europa.

O cardeal Charles Maung Bo, arcebispo de Rangum (Myanmar), pede uma maior atenção aos jovens, em todo o mundo, com a consciência de que muitos “não estão a ser ouvidos”. “Depois do Sínodo, espero que especialmente os bispos, os padres, os religiosos ajudem os jovens, a ouvi-los realmente, a acompanhá-los.

O cardeal Christoph Schönborn, arcebispo de Viena (Áustria), evocou na sala de imprensa da Santa Sé as “terríveis injustiças de que sofrem tantos jovens no mundo”, para quem a Igreja Católica é a “última esperança”.

D. Eamon Martin, arcebispo de Armagh (Irlanda), deixou votos de que, na questão dos abusos de menores, “mais países levem este assunto a sério”.

E assumiu uma mudança face ao decorrer do Sínodo: “Ao vir para Roma, cheguei com uma certa dose de ceticismo”, admitiu, mas a experiência do Sínodo, “vendo e conhecendo a realidade dos jovens” de vários países, levou-me a sentir-me agora um “embaixador” da alegria que se viveu nestas semanas.

Um espetáculo, uma carta e recordes nas redes sociais 

O Papa Francisco viveu hoje – 26 out – um momento de festa, com os jovens participantes da assembleia do Sínodo 2018.

O espetáculo, após a sessão de trabalhos, incluiu declamação de poemas, música e dança, com um flashmob intitulado “Eis-me aqui”.

Os participantes entregaram ao Papa uma carta, em nome dos mais de 30 jovens que foram convidados ao Sínodo dos Bispos, na qual estes agradecem ao Papa por lhes ter permitido “fazer juntos este pedaço de história”.

“Queremos dizer que partilhamos o teu sonho: uma Igreja em saída, aberta a todos, sobretudo os mais fracos, uma Igreja hospital de campanha”, pode ler-se.

Os jovens sublinham a necessidade de espaço para “ideias novas”, na Igreja e na sociedade, prometendo a Francisco: “No final deste Sínodo, queremos dizer-te que estamos contigo e com todos os bispos da Igreja, também nos momentos de dificuldade”.

Antes do jantar, houve um momento de Adoração Eucarística, no Centro San Lorenzo, em que os jovens foram acompanhados pelos cardeais Schoenborn, Fisher, Napier, Lacroix e Tagle, bem como por sacerdotes, bispos e alguns jornalistas, incluindo o prefeito do Dicastério para a Comunicação, Paolo Ruffini.

Cerca de 500 mil conteúdos diferentes sobre o Sínodo (posts, artigos, imagens e vídeos) foram partilhados nas redes sociais.

Papa oferece presente aos participantes

O Papa Francisco ofereceu a todos os participantes no Sínodo 2018, um painel em bronze que representa Jesus e o “jovem discípulo amado”, São João.

O painel de bronze, em baixo-relevo, é uma obra do artista italiano Gino Giannetti; foi entregue pessoalmente aos padres sinodais e aos outros participantes, no salão do auditório Paulo VI, antes da sessão conclusiva dos trabalhos, esta tarde  – dia 27. 

Os participantes discutem e votam o documento final, elaborado por uma comissão especial, com base nas observações sugeridas pelos padres sinodais; tem um total de 167 pontos.

Este domingo, o Papa preside à Missa que assinala o encerramento solene da assembleia sinodal, no Vaticano; antes da bênção final, na Eucaristia, vai ser lida a carta aos jovens, escrita pelos participantes na 15.ª assembleia geral ordinária do Sínodo dos Bispos.

O encontro iniciado a 3 de outubro contou com a participação inédita de mais de três dezenas de jovens convidados e foi o primeiro a utilizar o português como língua oficial, nos trabalhos.