A movimentação da juventude era algo que estava a ser necessária numa Igreja de “proximidade, de escuta, de diálogo, de “caminhar juntos”. “O facto de a Igreja se ter colocado em escuta dos jovens está a mudar o seu rosto, e eu espero que isso seja uma herança que vai ficar depois deste Sínodo”, referiu à Agência ECCLESIA, o padre Alexandre Mello, secretário do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida (Santa Sé).
E destacou a importância de “dar a palavra aos jovens” – nas plataformas online, no encontro de março, no Vaticano, e no Sínodo. Com muita abertura da parte dos Bispos para ouvirem os jovens ainda que só 10%. Foram sempre os mais aplaudidos. Nos grupos participaram ativamente e tiveram a possibilidade de intervir como qualquer um dos padres sinodais
O secretário do organismo do Vaticano responsável por acompanhar o campo da Pastoral Juvenil precisa que os jovens, com a sua maneira de ser, “obrigaram a Igreja a colocar-se em escuta”. O trabalho vai com certeza prosseguir no terreno de cada um, nos movimentos, nas associações, na Pastoral juvenil: a nível paroquial, diocesano, nacional e inter-regional. É preciso reunir todas as forças que trabalham com a juventude.
O grupo de trabalho em língua portuguesa propôs a criação de um Observatório do Vaticano para o acompanhamento da realidade juvenil, visando uma “presença ativa” e permanente dos mais novos.
Travar abusos na Igreja
O jovem brasileiro Lucas Barboza Galhardo, um dos convidados no Sínodo dos Bispos, defendeu hoje – dia 25 – que, casos de abusos sexuais e de poder, na Igreja Católica, atingem a sua credibilidade e devem ser combatidos. É algo que nos incomoda muitíssimo. Falou dos testemunhos de sofrimento, narrados pelas vítimas, sustentando que “a Igreja dos abusos de poder não é a Igreja de Jesus Cristo”. “Essa não é a Igreja que a maioria dos jovens quer, a Igreja que queremos é a Igreja da alegria, do amor, a Igreja sinodal, de estarmos realmente a caminhar juntos”, assinalou.
Lucas Galhardo, de 26 anos, é representante do Movimento Schoenstatt Internacional e membro da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Elogia o “exemplo de sinodalidade” de todo este processo, e sublinha que este percurso leva ao reforço do papel das novas gerações na construção de uma Igreja “mais aberta, mais acolhedora, mais à escuta, colocando os jovens como protagonistas, abrindo mais espaços para todos”.
“Se queremos melhorar o compromisso da Igreja na tecnologia, contem connosco, jovens: vamos caminhar juntos, alinhar todo o conhecimento, catequese, doutrina dos mais experientes, e unir a nossa facilidade de manusear a tecnologia, das iniciativas, de estar atento às novidades”, convida.
Uma das notas que muito impressionou o jovem brasileiro foi a proximidade constante do Papa, que “evangeliza e comunica através das atitudes”.
Jovens e bispos em peregrinação
O Vaticano promoveu hoje – dia 25 – uma peregrinação que uniu bispos e jovens, mais de 300 participantes no Sínodo, num percurso de seis quilómetros, por caminhos de montanha e pelas ruas de Roma, até ao túmulo de São Pedro, onde foram recebidos pelo Papa.
D. Rino Fisichella, presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização (Santa Sé), organizador da iniciativa, explicou à Agência ECCLESIA que a peregrinação nasceu da ideia de mostrar “uma Igreja a caminho”, para levar o Sínodo à rua, num percurso que evoca a história das peregrinações, ao longo de todos os séculos do Cristianismo.
O arcebispo de Nampula (Moçambique), D. Inácio Saúre, referiu que é “muito importante ter os bispos a caminhar junto com os jovens”. O arcebispo angolano mostra-se satisfeito pelo trabalho já realizado em três semanas de reflexão sobre os jovens, “o símbolo da força, da energia, da alegria e da disponibilidade para seguir o Senhor”.
A peregrinação partiu do Parque de Monte Mario, seguindo durante cerca de três horas até a Basílica do Vaticano, onde foi celebrada Missa junto ao túmulo de Pedro, com a presença do Papa, presidida pelo cardeal Lorenzo Baldisseri, secretário-geral do Sínodo dos Bispos
Testemunho de conversão
A jovem escutista Henriette Camara, da Guiné-Conacri, trouxe ao Sínodo dos Bispos a história da sua conversão ao Cristianismo, através do Movimento Escutista, que veio representar nesta assembleia sinodal no Vaticano.
“Se hoje estou aqui, se me tornei católica, é graças ao Movimento Escutista. Eu fui acolhida por este movimento, apesar de não ser cristã, porque era muçulmana; depois, no seguimento dos meus estudos, fui acolhida por uma família cristã, que acompanhava à Igreja, todos os domingos – os filhos e os meus amigos. Esta a bela história da conversão.
Henriette Camara foi acolhida com entusiasmo na assembleia sinodal, com “elogios e encorajamentos” à sua intervenção. A jovem africana defendeu que este Sínodo, como foi projetado pelo Papa, “tem os jovens no centro”, com espaço para as suas intervenções.
“Queremos ter o nosso lugar, no centro da Igreja, que ela nos ouça, que tomem em consideração as nossas preocupações, dos que estamos cá e dos que não tiveram oportunidade de vir. Estamos aqui em nome de todos os jovens, é em nome deles que manifestamos as nossas inquietações”, concluiu.




















