Bispo do Funchal: A Sé evoca “o ardor e o dinamismo missionário de um povo” 

D. António Carrilho presidiu à Eucaristia dos 501 anos de Dedicação da Sé e convidou a Igreja a "apontar caminhos de uma luz segura” para a sociedade atual.

Eucaristia do Aniversário da Dedicação da Sé do Funchal | Foto: Duarte Gomes

D. António Carrilho presidiu ao fim da tarde de quinta-feira, dia 18 de outubro, à Eucaristia que assinalou os 501 anos da Dedicação da Sé. No início da cerimónia, dirigindo-se a quem se encontrava na catedral, mas também a todos quantos escutavam a celebração através do Posto Emissor do Funchal, o prelado lembrou a importância da Sé enquanto “espaço de encontro, de escuta da palavra, de acolhimento e do perdão e espaço de oração.”

Na homilia, o prelado disse ser com “muita alegria” que hoje “celebramos o aniversário da dedicação da Sé do Funchal, Igreja Mãe da Diocese”. Esta celebração, disse, é uma forma de “testemunhar o encontro de tantos com Deus e com os outros”. Afinal, a Sé “evoca a expansão territorial portuguesa e o encontro de culturas, mas sobretudo o ardor e o dinamismo missionário de um povo que, encarnando os valores do Evangelho, sentiu urgência de comunicar a sua fé em Cristo a outros povos”.

Prosseguindo, D. António exaltou precisamente a “urgência profética” de “todo o batizado viver e testemunhar alegremente a sua fé em Cristo”. Uma urgência atual, de quem vive nesta sociedade “tão carecida da mensagem e dos valores da Boa Nova de Jesus em tantos aspetos e dimensões da vida”. “Viver, testemunhar e anunciar”, disse, são imperativos de todos os batizados. “Batizados e enviados: a Igreja de Cristo está em missão permanente no mundo”, lembrou.

Neste contexto, realçou que “o Dia Mundial das Missões, que se celebra no próximo domingo [21 de outubro], e todo o ano missionário, que se realiza até outubro de 2019, vem lembrar-nos que pertence à Igreja revelar o verdadeiro rosto de Cristo, com alegria, entusiasmo e esperança, apesar de todas e quaisquer dificuldades”. 

O prelado disse ainda que a Igreja deve anunciar a Boa Nova a todos os povos, num mundo marcado por uma certa “angústia existencial”, mas “com sede de amor, de verdade, de justiça, de paz, de unidade”.

Uma missão que, defendeu, “não é só dos bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas, catequistas e professores, mas também de todos os batizados, com especial responsabilidade para as famílias cristãs”.  “Ajudar as crianças, adolescentes, jovens e adultos, na descoberta e conhecimento de Jesus Cristo, na comunhão e intimidade com Ele. É o que pedimos, é uma responsabilidade das famílias cristãs”, frisou. De resto, acrescentou, “todos os cristãos são assim chamados a viver em união, com responsabilidade, esta mesma missão evangelizadora”.

Claro que não é fácil, mas é preciso tentar com “empenho constante”, face àquilo a que disse ser “a complexa situação de vida de tantos homens e mulheres do nosso tempo, difícil e até problemático, a tocar tantos sectores da existência humana, nos aspetos económicos e sociais, mas também no que se refere ao mais profundo sentido da vida”.

“É imperioso e urgente apontar caminhos de uma luz segura que o encontro com Cristo, assim acreditamos, nos poderá dar”, sublinhou. Neste contexto, explicou “cabe aos bispos, como primeiros responsáveis do anúncio, incentivar a unidade da igreja local, à volta do compromisso missionário e em projetos de saída, ao encontro de todos”.

D. António Carrilho deu depois “graças a Deus”, pela generosidade de tantos missionários e missionárias, que daqui partiram ao longo destes séculos, “que ousaram e que ousam actualmente anunciar com alegria a alegria do Evangelho”, até “arriscando muitas vezes a própria vida”.

O prelado terminou convidando os presentes, e todos os batizados, a se envolverem no Ano Pastoral, cuja abertura solene acontece no dia 20 de outubro, este sábado, pelas 17 horas, com uma Eucaristia no Colégio. Um ano cujo lema é precisamente “Ser Cristão, Viver em Missão”, ao longo do qual serão desenvolvidas várias iniciativas, nas várias paróquias da Diocese do Funchal, procurando “colher uma semente que há-de germinar e desabrochar nos nossos corações, na preocupação de levar, de facto, a luz do Evangelho a todos aqueles que estão mais perto ou mais longe”.