Com os jovens a Boa Nova a todos

D.R.

Os Jovens e o futuro

O Papa Francisco termina sua mensagem para o Dia Mundial das Missões 2018 fazendo um apelo aos jovens: “queridos jovens, o próximo mês missionário de outubro, em que terá lugar o Sínodo a vós dedicado, será mais uma oportunidade para vos tornardes discípulos missionários cada vez mais apaixonados por Jesus e pela sua missão até aos últimos confins da terra.” O Papa usa as palavras Jovens/jovem 18 vezes, mas a mensagem é dirigida a todos os baptizados, porque somos todos enviados “não como ‘empresários ’, ou ‘funcionários’ e muito menos como ‘estrelas em tournée’,  porque o Mestre quer seus discípulos ‘livres e ligeiros’, ‘sem apoios nem favores’, fortalecidos unicamente pela sua palavra, como peregrinos que dispõem apenas do cajado e das sandálias…”.  (Papa Francisco, Audiência do  Angelus de 15.07.2018).

O tema da mensagem: «Juntamente com os jovens, levemos o Evangelho a todos» é sugestivo e mostra a preocupação de preparar os jovens para construir o futuro. A fé cristã permanece sempre jovem, quando se abre à missão que Cristo nos confia. «A missão revigora a fé» (João Paulo II, enc. Redemptoris missio, 2). O Sínodo dá-nos oportunidade para entendermos melhor, à luz da fé, aquilo que o Senhor Jesus vos quer dizer a vós, jovens, e, através de vós, às comunidades cristãs.”

A vida é uma missão

Estamos lançados na vida, isto é, no tempo, que é o espaço para fazermos o Bem. Devemos  viver com alegria a própria responsabilidade pelo mundo, o que  é um grande desafio. Francisco diz conhecer bem as luzes e as sombras de ser jovem pois também viveu sua juventude numa família, e acompanhou os trâmites da caminhada difícil dos pobres. 

Cada um de nós é chamado a reflectir sobre esta realidade: «Eu sou uma missão nesta terra, e para isso estou neste mundo» (Papa Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 273). Há que definir o estilo do missionário. Podemos resumi-lo em dois pontos: a missão tem um centro e tem um rosto. Este centro e rosto de referência são a pessoa de Jesus de Nazaré. Foi Ele que “chamou”, “enviou”, “ordenou”, “deu-lhes poder”,… para fazer e ensinar como Ele. 

Jovens sem medo

Na nossa caminhada de ‘peregrinos’ como mensageiros do Reino de Deus: podemos  acontecer que sejamos acolhidos ou não “nem acolhidos nem ouvidos” (Mc 3,11). É pobreza: é a experiência da falência. O rosto de Jesus é crucificado e rejeitado. Só unidos a Jesus, morto e ressuscitado, encontraremos coragem para evangelizar.

Mas, “queridos jovens, não tenhais medo de Cristo e da sua Igreja! Neles, está o tesouro que enche a vida de alegria. Digo-vos isto por experiência: graças à fé, encontrei o fundamento dos meus sonhos e a força para os realizar. Vi muitos sofrimentos, muita pobreza desfigurar o rosto de tantos irmãos e irmãs.”

Muitos homens e mulheres, muitos jovens entregaram-se generosamente, às vezes até ao martírio, por amor do Evangelho ao serviço dos irmãos.

Enviados ao mundo inteiro

Pelo Baptismo, também vós, jovens, sois membros vivos da Igreja e, juntos, temos a missão de levar o Evangelho a todos. Por isso, esta transmissão da fé, coração da missão da Igreja, verifica-se através do «contágio» do amor, onde a alegria e o entusiasmo expressam o sentido reencontrado e a plenitude da vida. A propagação da fé por atracção requer corações abertos, dilatados pelo amor. Ao amor, não se pode colocar limites: forte como a morte é o amor (Ct 8, 6). E tal expansão gera o encontro, o testemunho, o anúncio; gera a partilha na caridade com todos aqueles que, longe da fé, se mostram indiferentes.

Enviados pela Igreja como  discípulos missionários é o que designamos por ‘missio ad gentes’. A periferia mais desolada da humanidade carente de Cristo é a indiferença à fé ou mesmo o ódio e a perseguição. A missão até aos últimos confins da terra requer o dom de nós próprios na vocação que nos foi dada por Aquele que nos colocou nesta terra (Lc 9, 23-25).

Testemunhar o amor

Muitos jovens encontram, no voluntariado missionário, uma forma para servir os «mais pequenos» (Mt 25, 40), promovendo a dignidade humana e testemunhando a alegria de amar e ser discípulo de Jesus.

Esta e outras formas de serviço missionário foram aplaudidas e incentivadas no último Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE) que decorreu em setembro passado em Poznan’, na Polónia. E Portugal é um dos primeiros países a dar exemplo nesta dimensão. O CCEE afirmou  que “não existe nenhuma outra instituição na Europa que contribua de forma tão ampla para o voluntariado e promova formas de voluntariado tão diversificadas como a Igreja Católica”. Elogiou ainda a importância do voluntariado para o diálogo entre pessoas de várias convicções religiosas.

E o Papa Francisco recorda na sua mensagem: apraz-me repetir a exortação que dirigi aos jovens chilenos: «Nunca penses que não tens nada para dar, ou que não precisas de ninguém… Cada um de vós pense nisto no seu coração: muita gente precisa de mim» (Encontro com os jovens, Santiago – Santuário de Maipú, 17/I/2018).