Teve lugar no dia 29 de setembro, no Convento de Santa Clara, a Assembleia das Direções dos Secretariados, Movimentos e Obras Laicais presidida pelo Bispo do Funchal, D. António Carrilho.
Este encontro, que acontece sempre no último sábado do mês de setembro, é já uma tradição na diocese e marca a abertura de um novo ano pastoral. É vivido em clima de encontro de oração e reflexão, mas também de convívio e de comunhão entre os representantes dos diversos organismos, cuja presença D. António fez questão de agradecer.
Sobre o novo Ano Pastoral e o seu tema – Ser Cristão, Viver em Missão – o prelado fez questão de referir que esta vai ser, “uma excelente oportunidade pastoral para reanimar o espírito missionário na nossa Diocese, nas diversas paróquias, comunidades e grupos, dos adultos aos jovens e crianças, e numa maior abertura à Igreja Universal”.
De resto, prosseguiu, “ninguém pode ficar de fora nesta caminhada comum de redescobrir e viver a beleza da nossa vocação batismal e a alegria de testemunhar Cristo no mundo.” Afinal, “ser batizado é sempre e ao mesmo tempo uma exigência de viver a fé e a consciência de ser enviado em missão”.
D. António fez ainda questão de frisar que o programa pastoral delineado, “não deixa de respeitar aquilo que é próprio, que é específico, de cada um dos movimentos, cada uma das obras, cada um dos secretariados”. Antes pelo contrário. O contributo de todos, com iniciativas e atividades só irá tornar ainda mais rico o programa pastoral proposto, tendo o prelado desejado já “os melhores êxitos espirituais para a atividade de todos e de cada um ao longo deste ano”.
O bispo diocesano disse ainda que quando se fala em ano missionário a tendência é para pensarmos naqueles que partem em missão. No entanto, é preciso pensar que essa missão pode e deve ser cá dentro. Aliás, sublinhou D. António, “há muito que fazer entre nós e a missão tem de ser realizada a partir do lugar em que cada um de nós se encontra”.
Papa deseja uma “conversão pastoral”
Às palavras de abertura de D. António seguiu-se a conferência: “Todos, tudo e sempre em Missão” e “Ser cristão. Viver em missão” apresentada pelo Pe. Estêvão Fernandes, que começou por referir que, ao convocar um Mês Missionário Extraordinário para outubro de 2019, o Papa Francisco deseja que vivamos a Alegria do Evangelho e que haja uma “conversão pastoral e uma conversão missionária”.
No entender do sacerdote, o slogan “Nova Evangelização” caiu com o Papa Francisco. Em vez disso, o Papa fala inúmeras vezes em conversão pastoral, ou seja, “não é fazer novamente aquilo que já fizemos, mas é olharmos para nós, pensarmos as nossas estruturas, pensarmos a forma como estamos a levar o Evangelho e nos depararmos com aquilo que é preciso transformar, converter e pormo-nos a caminho”. E a conversão pastoral “não pode deixar as coisas como estão”. O que se pretende é um “despertar em medida maior a consciência da missão ad gentes e retomar, com novo impulso, a transformação missionária da vida – da nossa vida – e da pastoral”.
Mas como fazer isso? À questão por si colocada, o Pe. Estêvão começou por referir que esse é um dos dilemas das igrejas particulares pelo mundo fora e não apenas da nossa Diocese. Porém, disse, esta é uma caminhada que, definitivamente, tem de ser feita e feita em conjunto. Os planos pastorais que têm sido assumidos ao longo deste tempo, têm como fio condutor “o desejo de pôr uma Igreja em saída de si mesma, com responsabilidade e participação”. O Plano Pastoral deste ano, disse, “volta a nos espicaçar” e a dizer que “não pode ficar tudo na mesma”. É preciso “preocuparmo-nos mais por sair, do que pela constante avaliação, o constante queixume, o constante diagnóstico da realidade”. Não é que tal não seja importante. Porém, deve ser “uma etapa” e não “um estado permanente da realidade”.
O Pe. Estêvão deixou depois algumas ideias, caminhos e formas de fazer este percurso tornando este ano, e o Mês Extraordinário da Missão, como pretende o Papa, “numa ocasião de graça intensa e fecunda para promover iniciativas e intensificar a oração, o encontro com Cristo pessoal e comunitário”. Sem isto, frisou, “podemos programar muitas coisas”, mas nada dará frutos, porque “é preciso rezar as atividades e os projetos com o Senhor”, para que não se tornem “coisas estéreis”. A partir da oração vem tudo o resto, sendo que “é preciso coragem para ultrapassar a pastoral da conservação”, mesmo sabendo que isso nos poderá trazer dissabores.
Abertura a 20 de outubro na igreja do Colégio
Depois de uma breve pausa, os trabalhos foram retomados e coube ao Pe. Marcos Gonçalves, membro do Conselho Pastoral, proceder à apresentação das várias linhas pastorais operativas (já divulgadas na íntegra pelo nosso jornal), que constam deste programa pastoral e que são basicamente cinco: Encontro pessoal com Jesus Cristo; O testemunho dos santos e missionários; Reflexão e formação; Caridade Missionária; Concretização das linhas pastorais operativas.
O Pe. Marcos explicou ainda que com o Mês Extraordinário Missionário em 2019, o Papa Francisco quer celebrar o centenário de um documento do Papa Bento XV, documento esse chamado Maximum Illud.
“No dia 30 de novembro de 2019, ocorrerá o centenário da promulgação da Carta Apostólica Maximum illud, com a qual Bento XV quis dar novo impulso à responsabilidade missionária de anunciar o Evangelho. Estávamos no ano de 1919! Terminado um conflito mundial terrível, que ele mesmo definiu «massacre inútil», o Papa sentiu necessidade de requalificar evangelicamente a missão no mundo, purificando-a de qualquer incrustação colonial e preservando-a daquelas ambições nacionalistas e expansionistas que causaram tantos revés.”, escreve Francisco na carta que publicou sobre este documento.
Perante a proposta do Papa, mas na perspetiva de que muito poderá ser feito, os bispos portugueses decidiram ir além daquilo que era proposto e dedicar todo um ano pastoral a esta questão da Missão.
Na Diocese do Funchal, a abertura oficial deste ano “será no sábado, dia 20 de outubro, às 17 horas, na igreja do Colégio”. A escolha do espaço, explicou o Pe. Marcos, tem a ver com o facto do mesmo ter sido fundado pelos Jesuítas, muito envolvidos na missão, e por ali se encontrar uma imagem de São Francisco Xavier, um dos padroeiros das missões.
Por outro lado a escolha da véspera do Dia Mundial das Missões para esta abertura oficial, fica a dever-se também ao facto de já existirem tradições neste campo da Missão em diversas paróquias e que fazia todo o sentido respeitar, não invalidando que essas mesmas paróquias participem na cerimónia do Colégio.
Por outro lado, “também estamos a celebrar os 600 anos da descoberta que para nós, como Igreja, são 600 anos de evangelização”, sendo estes acontecimentos que vão “iluminar, marcar, o nosso ano pastoral. Um ano que, na prática, dever ser igualmente marcado pela leitura de vários documentos como o Maximum Illud de Bento XV e o Evangelii Nuntiandi, de Paulo VI, a Redemptoris Missio, de João Paulo II e finalmente a Alegria do Evangelho, do Papa Francisco”, conforme referiu o Pe. Marcos Gonçalves.




















