Paróquia da Achada de Gaula: Crismados devem ser “testemunho de Deus vivo num corpo unido” 

Foto: Duarte Gomes

Treze jovens da Paróquia da Achada de Gaula receberam domingo, dia 23 de Setembro, o Sacramento da Confirmação, numa Eucaristia presidida por D. António Carrilho.

Uma jovem, em nome do grupo e da comunidade paroquial, deu as boas vindas ao prelado e deixou clara a ideia de que, tanto ela como os demais crismandos, estavam cientes de que ao receber este sacramento estão “a reavivar a fé e a esperança em Jesus Cristo, na certeza que estando Nele, nada temos a temer”. Do mesmo modo, disse, “acreditamos que o Espírito Santo fará de nós jovens mais atentos e conscientes da sua presença” e de que somos “escolhidos e enviados” e “sem medo de dizer: sou de Cristo, nada temo”.

Ao Pe. Paulo Sérgio, Pároco da Achada, coube apresentar formalmente o grupo a D. António, mas não sem antes referir que “hoje recordamos com alegria o momento do nosso Batismo, testemunhado pelos nossos pais que nos levaram ao encontro do Senhor para nos tornarmos filhos adoptivos”. Este é também, disse, um momento para mostrar que “caminharemos na esperança de sermos cada vez mais Igreja, sinal vivo de Jesus Cristo”. Sobre o grupo, formado por oito raparigas e cinco rapazes, disse que a maioria fez “a caminhada catequética de 10 anos na paróquia” e os restantes uma preparação mais intensiva. E, apesar de “cientes das deficiências da formação catequética nos tempos atuais”, a verdade é que “estamos conscientes da semente semeada por esta comunidade cristã na força de Cristo”.

Na homilia, D. António agradeceu as palavras de acolhimento e a apresentação do grupo e lembrou que os “largos anos de Catequese”, servem precisamente para “conhecer melhor a pessoa de Jesus” e para nos darmos conta de que “o mistério fundamental da vida de Jesus, depois do bem que fez e do sofrimento que padeceu, é a esperança de vida que brota da sua ressurreição”.

Neste contexto, disse, “Ele preparou os discípulos para aquilo que estaria para acontecer”. Depois de uma “vida ao serviço, também Ele iria padecer o suplício da cruz”, mas “haveria de ressuscitar”.

Aludindo à palavra proclamada, disse que era “exatamente sobre isso que nos fala o Evangelho que acabamos de escutar”, sobre o qual convidou a assembleia a reflectir, pedindo-lhe que coloca-se os olhos no grande crucifixo que se encontra na igreja, lembrando que “a morte do Senhor está presente e tocou o coração dos seus, mas mais os tocou a alegria de se reencontrarem com Ele, glorioso, vivo, ressuscitado”. Um Cristo ressuscitado, pelo qual os apóstolos muito esperaram, mas que finalmente lhes apareceu, confirmando aquilo que Tinha prometido que lhes mostrou as mãos e o lado para que vissem que era mesmo Ele e para lhe dizer que, tal como o Pai o tinha enviado, também Ele os enviava para anunciar a palavra.

Este texto breve do Evangelho é, disse o bispo do Funchal, “uma narrativa daquilo que nós próprios vamos fazer daqui a pouco neste rito do Sacramento da Confirmação: é o Cristo ressuscitado que nos dá o Espírito Santo e que nos diz que agora ficais vós responsáveis por levar a mensagem àqueles que não a conhecem, àqueles que ainda não me viram e não se encontraram comigo”. Assim sendo, tal como o foi para os apóstolos, “este deve ser um dia de muita alegria para nós”.

Pegando na frase que dissera inicialmente a jovem, e que estava escrita precisamente junto ao crucifixo: sou de Cristo nada temo, D. António questionou se tal seria mesmo verdade e se de facto não temos medo de assumir essa missão de anunciar, mesmo com “as dificuldades, as lutas, a cruz”, que todos temos na nossa vida.

A presença de Deus junto de nós faz-se também, sublinhou, através daquilo que podemos “fazer uns pelos outros”, sem ficar à espera de milagres que “resolvam todos os nossos problemas”, mas tomando nós a iniciativa de fazer acontecer. É preciso que a fé seja viva, que não seja só para as festas, e que não se fique apenas dentro da Igreja, mas que a levemos “lá para fora, para a família, para os grupos desportivos, culturais, para escola, para o trabalho”. É ai que “devemos dar a conhecer Jesus”, sem receios e acreditando que “se cada um puser a render os dons que tem”, como dizia São Paulo na segunda leitura, o mundo será muito melhor. Daí o desafio para que cada crismando “evite tudo aquilo que separa e destrói” e seja “testemunho de Deus vivo num corpo unido”.

Concluída a crismação individual D. António deu os parabéns a todos os crismados, que desafiou a “viver como bons cristãos”. Dirigiu-se depois aos padrinhos a quem lembrou que, ao aceitarem este convite, assumiram responsabilidades, nomeadamente de continuar a ajudar os respetivos afilhados, e de estar disponíveis para os ajudar em qualquer circunstância da vida.

O prelado pediu ainda aos crismados para que rezassem todos os dias um bocadinho e para que não deixassem de ir à Missa do domingo, ou do sábado à tarde.

Pediu também aos jovens, e a toda a assembleia, para que rezassem pelas vocações sacerdotais, religiosas e missionárias, pelo seminário e pré-seminário dando como exemplos de jovens que aceitaram esse chamamento o Pe. Carlos, seu secretário e o mais jovem sacerdote da Diocese, e o próprio Pe. Paulo Sérgio.

Terminada a Eucaristia o bispo do Funchal ofereceu a cada jovem, em nome da Diocese, o livro dos “Evangelhos e Atos dos Apóstolos” que, disse, “não é para ficar na gaveta”, mas para ser “estar ao serviço de todos lá em casa”.